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Humanos ou “Coisas”?

A omissão do Estado, a péssima estrutura policial e a mídia que veicula informações sensacionalistas, faz com que o negro, sobretudo jovem, seja visto como um ser coisificado. Vivenciando essa realidade, boa parte da sociedade naturalizou o extermínio cometido, de forma surreal contra estas pessoas que são discriminadas e mortas, não por seus ideais ou por seus atos, mas pela cor de sua pele.

Os índices são alarmantes. Somente em 2010, no Brasil foram assassinadas 49.932 pessoas, deste total, 53,3% eram jovens, dos quais 76,6% eram negros. Embora os números caracterizem um genocídio em curso, parte da população enxerga a morte da juventude negra como a eficiência das estruturas policiais.

Recentemente uma pesquisa revelou que o assassinato de uma pessoa negra, frustra consideravelmente menos à sociedade do que o assassinato de uma pessoa branca. Este levantamento reforça ainda mais a ideia do naturalismo empregado à barbárie, e nos faz refletir se o Estado nos defende ou nos confronta.

“Numa noite quando estava indo à faculdade, fui revistado duas vezes, pelo mesmo policial”, disse um estudante negro residente de área periférica, na Roda de Conversa sobre o Exterminio da Juventude Negra. Solução pra isso? Existe sim, a solução para termos uma juventude equitativa, não está na esfera criminal… más sim na inclusão.

Elias Lourenço  ,  Maceió-AL.

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Golpe Militar – 50 anos.

No dia 31 de março, o Golpe Militar completou os 50 anos. Marcado pela falta de liberdade, sequestro, torturas assassinatos e outras atrocidades, os 21 anos de regime fechado (1964 a 1985) do Brasil pode ser considerado a pior coisa que aconteceu no país, mas para muitos jovens (muitos mesmo) foi algo bom, (aff).

Longe de querer que eles se calem (até porque não sou nenhum sensor da ditadura), mas penso que um pouco de sensibilidade e senso político iria fazê-los entender o que foi o que foi aquele período sem precisar ter vivido (e ainda bem que não viveu). Mas para ter uma experiência, não precisamos voltar no tempo.

Bom, para entender como as coisas mudaram em 50 anos eu explico.  Antigamente os militares torturavam e matavam políticos, negros, pobres e índios. Hoje em dia, os militares torturam e matam negros, pobres e índios, bom… ainda não avançamos muito.

Depois dos 50 anos do Golpe, as perseguições e repressões policiais ainda continuam nas favelas e comunidades. Somente em janeiro deste ano, 76 pessoas foram mortas em São Paulo. O último caso de maior repercussão sobre esta violência foi à morte do servente de pedreiro Amarildo, protagonizado pela Polícia ‘Pacificadora’ do Rio de Janeiro, até hoje os PM’s envolvidos não foram julgados.

Sei que a maioria das pessoas quer os militares longe do poder, mas a outra parte da sociedade não deixa de ser preocupante. Mesmo tão recente na nossa história, a ditadura precisa ser mais discutida, devemos sempre reafirmar do quanto foi negro este período e homenagear os brasileiros desaparecidos nos porões da ditadura.

Lucas Antonio

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