Arquivo da tag: Midia

Seminário Mídia e Direitos Humanos

ccdc

Hoje participamos do Seminário Mídia e Direitos Humanos promovido pela ONG Cipó Comunicação Interativa, pelo O Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania (CCDC) da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pelo Intervozes.

O evento foi realizado no Colégio Estadual Dalva Matos,  no subúrbio de Salvador, com os alunos do ensino médio. Dando inicio as atividades, o professor Jeovandro, da Faculdade de Comunicação da UFBA, destacou a influência da mídia no cotidiano das pessoas.  “Os meios de comunicação segregam as pessoas. Como eu posso representar o outro nos meios de comunicação sem preconceito?”, disse.

A estudante Jaiana dos Santos, 15, manifestou indignação com que é transmitido nos programas policialescos. “A comunicação é um perigo para sociedade. A TV só passa coisas ruins sobre a favela, mas não é bem assim.” Paulo Vitor, do Intervozes, questionou o público. “Assistimos os programas policialescos, sensacionalistas por que queremos ou por que é o que tem?”. Logo em seguida, Paulo Vitor trouxe um exemplo de uma emissora de televisão que tinha um programa o qual violava os direitos humanos de homossexuais. Esse programa saiu do ar por 30 dias. Nesse período foram exibidos programas educativos e voltados a promoção da dignidade da pessoa humana. O resultado foi que a audiência triplicou. Isso significa que assistimos esses programas porque é o que tem.

A comunicação apesar de ser um direito, sempre foi tratada como negócio. Onde tem negócio, onde tem mercadoria há desigualdade. E por isso, os estudantes sugeriram que para exaltar a beleza e a cultura das periferias de Salvador, é necessário que os movimentos sociais e a sociedade civil unam forças para valorizar as mídias alternativas já existentes.

Anúncios

O pior analfabeto é o analfabeto midiático.

[Reproduzido da revista FORUM.com.br (em 20/08/2013)].

O analfabeto midiático

“Ele imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo esforço intelectual”. Reflexões do jornalista Celso Vicenzi em torno de poema de Brecht, no século 21.

Por Celso Vicenzi, no “Outras Palavras”. 

O pior analfabeto é o analfabeto midiático.

Ele ouve e assimila sem questionar, fala e repete o que ouviu, não participa dos acontecimentos políticos, aliás, abomina a política, mas usa as redes sociais com ganas e ânsias de quem veio para justiçar o mundo. Prega ideias preconceituosas e discriminatórias, e interpreta os fatos com a ingenuidade de quem não sabe quem o manipula. Nas passeatas e na internet, pede liberdade de expressão, mas censura e ataca quem defende bandeiras políticas. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. E que elas – na era da informação instantânea de massa – são muito influenciadas pela manipulação midiática dos fatos. Não vê a pressão de jornalistas e colunistas na mídia impressa, em emissoras de rádio e tevê – que também estão presentes na internet – a anunciar catástrofes diárias na contramão do que apontam as estatísticas mais confiáveis. Avanços significativos são desprezados e pequenos deslizes são tratados como se fossem enormes escândalos. O objetivo é desestabilizar e impedir que políticas públicas de sucesso possam ameaçar os lucros da iniciativa privada. O mesmo tratamento não se aplica a determinados partidos políticos e a corruptos que ajudam a manter a enorme desigualdade social no país.

Questões iguais ou semelhantes são tratadas de forma distinta pela mídia. Aula prática: prestar atenção como a mídia conduz o noticiário sobre o escabroso caso que veio à tona com as informações da alemã Siemens. Não houve nenhuma indignação dos principais colunistas, nenhum editorial contundente. A principal emissora de TV do país calou-se por duas semanas após matéria de capa da revista IstoÉ denunciando o esquema de superfaturar trens e metrôs em 30%.

O analfabeto midiático é tão burro que se orgulha e estufa o peito para dizer que viu/ouviu a informação no Jornal Nacional e leu na Veja, por exemplo. Ele não entende como é produzida cada notícia: como se escolhem as pautas e as fontes, sabendo antecipadamente como cada uma delas vai se pronunciar. Não desconfia que, em muitas tevês, revistas e jornais, a notícia já sai quase pronta da redação, bastando ouvir as pessoas que vão confirmar o que o jornalista, o editor e, principalmente, o “dono da voz” (obrigado, Chico Buarque!) quer como a verdade dos fatos. Para isso as notícias se apoiam, às vezes, em fotos e imagens. Dizem que “uma foto vale mais que mil palavras”. Não é tão simples (Millôr, ironicamente, contra-argumentou: “então diga isto com uma imagem”). Fotos e imagens também são construções, a partir de um determinado olhar. Também as imagens podem ser manipuladas e editadas “ao gosto do freguês”. Há uma infinidade de exemplos. Usaram-se imagens para provar que o Iraque possuía depósitos de armas químicas que nunca foram encontrados. A irresponsabilidade e a falta de independência da mídia norte-americana ajudaram a convencer a opinião pública, e mais uma guerra com milhares de inocentes mortos foi deflagrada.

O analfabeto midiático não percebe que o enfoque pode ser uma escolha construída para chegar a conclusões que seriam diferentes se outras fontes fossem contatadas ou os jornalistas narrassem os fatos de outro ponto de vista. O analfabeto midiático imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo de esforço intelectual. Não se apoia na filosofia, na sociologia, na história, na antropologia, nas ciências política e econômica – para não estender demais os campos do conhecimento – para compreender minimamente a complexidade dos fatos. Sua mente não absorve tanta informação e ele prefere acreditar em “especialistas” e veículos de comunicação comprometidos com interesses de poderosos grupos políticos e econômicos. Lê pouquíssimo, geralmente “best sellers” e livros de autoajuda. Tem certeza de que o que lê, ouve e vê é o suficiente, e corresponde à realidade. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o espoliador das empresas nacionais e multinacionais.”

O analfabeto midiático gosta de criticar os políticos corruptos e não entende que eles são uma extensão do capital, tão necessários para aumentar fortunas e concentrar a renda. Por isso recebem todo o apoio financeiro para serem eleitos. E, depois, contribuem para drenar o dinheiro do Estado para uma parcela da iniciativa privada e para os bolsos de uma elite que se especializou em roubar o dinheiro público. Assim, por vias tortas, só sabe enxergar o político corrupto sem nunca identificar o empresário corruptor, o detentor do grande capital, que aprisiona os governos, com a enorme contribuição da mídia, para adotar políticas que privilegiam os mais ricos e mantenham à margem as populações mais pobres. Em resumo: destroem a democracia.

Para o analfabeto midiático, Brecht teria, ainda, uma última observação a fazer: “Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual”.

Nota

“Atire a primeira pedra quem nunca errou”, frase dita por um certo homem que viveu há dois milênios e que ainda não foi muito bem assimilada pelas pessoas. O caso de Maria Madalena que seria linchada até a morte por … Continuar lendo

Mandela deve estar se revirando no túmulo.

pec

É surreal vê que retrocedemos a ponto de voltarmos ao tempo em que negro era posto no tronco e açoitado. Pior é ver que muitas pessoas apoiam tal atitude, e ainda meios de comunicação que tem um poder de influência enorme incentivam para que essa cena absurda se repita.

De tantos  “bandidinhos” nesse país como ; políticos, juristas,playboy, etc,por que somente esse adolescente foi parar no tronco? Talvez (tenho certeza) porque é negro,pobre,morador de rua,porque a sociedade o vê como um problema que deve e merece ser exterminado.

Para os que concordam com tais absurdos, quero lhes lembrar que o caráter e a personalidade são frutos de uma construção junto a sociedade. Esse garoto há 15 anos, queridos, era apenas uma criança, um bebê, sua mente e personalidade era como um vazo de argila, que com o passar dos anos seria moldada. O grande problema estar nos primeiros moldes. Seu pai, talvez não fosse o ideal e não foi, afinal morreu no tráfico. Talvez seu vizinho fosse mais simpático. Não , pois esse é o  traficante, que dá bom dia,  gosta de crianças, e demonstra seu amor distribuindo pipas para elas (outro também  fruto do processo ).Ah, mas ainda temos a escola, um lugar  saudável,seguro e de aprendizagem, onde se aprende os alunos dos melhores valores da vida. Sabemos que não. Hoje a mãe que protege seu filho do traficante que faz papel de papai noel, fica sem saída no momento que leva seu filho a escola, pois já tem outros bons velhinhos dentro da escola , outros já prontos para lhe ensinar como viver na selva. Mas ai queridos, vem a melhor parte: todos nós ou pelo menos 99,9% assistimos tudo isso passivamente, pior,fingimos não ver , e quando esses jovens passam a nos  incomodar, passamos a enxergá-los, e a chamá-los de “bandidinhos”. (esse um processo grande, nada simples).

Ouvi alguém dizer a seguinte frase : ” e aos defensores dos direitos humanos que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha, faça um favor ao Brasil, adote um bandido “. Por que esperar todo esse processo que citei para adotá-lo? Por que não romper o processo antes que se tenha o produto final? Porque é mais cômodo estar na bancada de um telejornal no ar-condicionado,com paparicos como se fosse criança. É mais cômodo estar no sofá de casa assistindo o tal telejornal. Todos nós contribuímos para a construção de jovens com valores distorcidos e que acabam se tornando mais um fantoche da grande empresa chamada violência. Fazemos como alguns policiais corruptos que falam: Vamos esperar crescer pra matar. E nós esperamos crescer para condená-los.

São só ex-crianças que não tiveram seus direitos garantidos, que não tiveram o necessário pra se manter fora da  empresa Violência.

Depois dos últimos acontecidos, Mandela deve estar se revirando no túmulo.

Luanderson Ponciano

O responsável pelo conteúdo é o autor.