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Defensoria Pública de SP promove atividades de orientação jurídica e debate o tema da violência obstétrica

Defensoria Pública de SP promove atividades de orientação jurídica e debate o tema da violência obstétrica

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, a Defensoria Pública de SP realiza durante o mês de março atividades de orientação jurídica à população, bem como de educação em direitos para debater o assunto da violência obstétrica. A iniciativa é do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria.

 

A violência obstétrica caracteriza-se pela apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres por profissionais de saúde, através de tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização dos processos naturais, causando a perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos na sexualidade, impactando negativamente na qualidade de vida das mulheres. A violência obstétrica pode ocorrer durante a gestação, durante o parto ou no momento pós-parto.

A Defensora Pública Ana Paula Meirelles, coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, aponta que o tema deste ano tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre essa temática. “A violência obstétrica ainda é muito pouca tratada e discutida pela sociedade. Por vezes, muitas mulheres desconhecem que são vítimas destas situações. Nosso maior objetivo é informar as mulheres sobre quais são seus direitos antes, durante e após o parto. É importante que a mulher entenda se sofreu alguma violência, que denuncie o abuso e busque seus direitos.”

 

O tema da violência obstétrica foi escolhido após manifestação de entidades da sociedade civil no IV Ciclo de Conferências da Defensoria Pública, que solicitavam ampla sensibilização sobre o assunto.

 

Atividades na Capital

Na próxima segunda-feira (10/3), entre 8h e 12h, 15 Defensores Públicos estarão na Estação Clínicas do metrô (Linha 2 Verde) para oferecer orientações sobre o assunto da violência obstétrica e distribuir material informativo sobre o tema.

O evento é organizado pelo Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e a Ong Artemis.

Clique aqui para acessar o material informativo.

Além desse evento, haverá também, durante as sextas-feiras do mês de março, no atendimento inicial da Defensoria Pública (Av. Liberdade, 32 – Centro) oficinas sobre direitos da mulher na assistência ao parto, com apoio de profissionais da área.

Atividades no Interior

A Defensoria Pública, através de seus Centros de Atendimento Multidisciplinar (CAMs), também realiza diversas atividades em comemoração ao Dia da Mulher em todo o Estado. Confira as atividades abaixo:

Sorocaba: Evento em parceria com o Movimento Parto de Gente.

Jaú: Atividades em parceira com uma escola Estadual, que no dia 08 de março fará várias atividades para as mulheres.

Presidente Prudente: Atividade: intervenção sobre autoestima e cuidados; Instituto Embeleze irá realizar um dia de beleza na Defensoria; os Defensores irão trabalhar os temas específicos do direito”, em 07 de março, na triagem.

Praia Grande: Evento no Ambulatório de Especialidades Médicas (AME) da cidade, onde as mulheres fazem o pré-natal, abordando os aspectos psicológicos e jurídicos do tema.

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Comemoramos o Dia Internacional da Mulher dando pauladas nas nossas mães

Dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher, mais uma data que deve ser lembrada para as pessoas refletirem sobre as violências contra as mulheres e a luta pelos direitos iguais. Não sou muito fã de escrever coisas que outros blogs escrevem, mas sinto que precisamos lembrar-nos do quanto à mulher sofre no Brasil.

Sendo sincero, o que me motivou a escrever este texto foi um comentário feito por um internauta após um artigo que fala sobre a morte de uma criança espancada pelo pai por ter um “comportamento afeminado”: “Se essa criança gostava de lavar louças e de dançar a dança do ventre é por culpa da mãe, uma mulher irresponsável que não a levava para escola e, com certeza, a colocava para lavar louças e ficar vendo ela ou alguém de casa dançando esse tipo de música, Nenhuma criança nasce gostando de lavar louças e nem de dança do ventre ou qualquer uma outra. Ela, a mãe, foi tão irresponsável e culpada pelo seu assassinato pelo fato de ter mandado o menino pra casa do pai, traficante e sem vínculo nenhum com o garoto.”. Claro, a culpa é da mãe.

Mesmo depois de quase um século celebrando esta data, nos deparamos com comentários como estes, o problema maior é que este cidadão não está sozinho. Estamos deixando de discutir os problemas que as mulheres enfrentam numa sociedade machista para falar sobre seus “benefícios” como “Ah, mas ela se aposenta mais cedo” e “A mulher tem uma delegacia só para ela”.

Se for mulher é uma vantagem, por que 50 mil mulheres sofrem violações sexuais (estupro) por ano no Brasil (Ministério da Justiça, 2013)?  Por que o Brasil é o sétimo país mais violento contra as mulheres (Organização Mundial da Saúde, 2012)? Talvez, precisaremos de mais um século para deixarmos a ideia de que mulher  só aprende apanhando bastante.

Lucas Antonio

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