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Humanos ou “Coisas”?

A omissão do Estado, a péssima estrutura policial e a mídia que veicula informações sensacionalistas, faz com que o negro, sobretudo jovem, seja visto como um ser coisificado. Vivenciando essa realidade, boa parte da sociedade naturalizou o extermínio cometido, de forma surreal contra estas pessoas que são discriminadas e mortas, não por seus ideais ou por seus atos, mas pela cor de sua pele.

Os índices são alarmantes. Somente em 2010, no Brasil foram assassinadas 49.932 pessoas, deste total, 53,3% eram jovens, dos quais 76,6% eram negros. Embora os números caracterizem um genocídio em curso, parte da população enxerga a morte da juventude negra como a eficiência das estruturas policiais.

Recentemente uma pesquisa revelou que o assassinato de uma pessoa negra, frustra consideravelmente menos à sociedade do que o assassinato de uma pessoa branca. Este levantamento reforça ainda mais a ideia do naturalismo empregado à barbárie, e nos faz refletir se o Estado nos defende ou nos confronta.

“Numa noite quando estava indo à faculdade, fui revistado duas vezes, pelo mesmo policial”, disse um estudante negro residente de área periférica, na Roda de Conversa sobre o Exterminio da Juventude Negra. Solução pra isso? Existe sim, a solução para termos uma juventude equitativa, não está na esfera criminal… más sim na inclusão.

Elias Lourenço  ,  Maceió-AL.

O responsável pelo conteúdo é o autor.

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Desabafo sobre a Copa

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Aquela alegria com gosto de hipocrisia me deixava enjoado. Os paulistanos que chegavam ao metrô e que nunca pisaram em Itaquera estavam mais perdidos que os gringos. Uma confraternização me levava à outra dimensão, aquilo que estava na minha frente não era real. O cerco policial isolou Itaquera do resto dos brasileiros, transformando numa fantasia padrão Fifa.

Junto com dois futuros jornalistas, encontramos pessoas que tentaram romper com o mundo encantado, a EXTREMA violência dos cães-de-guardas impedia que centenas de pessoas se manifestassem contra o Circo a Copa.

Um contingente militar de maior número que os próprios manifestantes, assustava quem passava por perto. Duas estações estavam fechadas como forma de prender os manifestantes naquela pequena rua até o apito final, uma estratégia covarde e proibida.

Algo pouco mostrado pela “imprensa marrom” é que os policiais agiram primeiro, a violência que PARTIU DELES foi cruel e não se importava quem fosse atingido por ela. A ação terminou com um saldo “positivo” de, pelo menos, cinco jornalistas feridos e dezenas de manifestantes sangrando.

Cansado de correr das bombas e balas de borracha, voltei para casa já tarde da noite. Achei no mínimo engraçado quando soube das vaias à Dilma. Tentei imaginar o que a pessoa que vaiava pensava: “Meu país está um lixo, vou vaiar porque ela está acabando com ele” … “Gol do Brasil!!”.

Lucas Antonio, São Paulo.

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Defensoria Pública de SP promove atividades de orientação jurídica e debate o tema da violência obstétrica

Defensoria Pública de SP promove atividades de orientação jurídica e debate o tema da violência obstétrica

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, a Defensoria Pública de SP realiza durante o mês de março atividades de orientação jurídica à população, bem como de educação em direitos para debater o assunto da violência obstétrica. A iniciativa é do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria.

 

A violência obstétrica caracteriza-se pela apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres por profissionais de saúde, através de tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização dos processos naturais, causando a perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos na sexualidade, impactando negativamente na qualidade de vida das mulheres. A violência obstétrica pode ocorrer durante a gestação, durante o parto ou no momento pós-parto.

A Defensora Pública Ana Paula Meirelles, coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, aponta que o tema deste ano tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre essa temática. “A violência obstétrica ainda é muito pouca tratada e discutida pela sociedade. Por vezes, muitas mulheres desconhecem que são vítimas destas situações. Nosso maior objetivo é informar as mulheres sobre quais são seus direitos antes, durante e após o parto. É importante que a mulher entenda se sofreu alguma violência, que denuncie o abuso e busque seus direitos.”

 

O tema da violência obstétrica foi escolhido após manifestação de entidades da sociedade civil no IV Ciclo de Conferências da Defensoria Pública, que solicitavam ampla sensibilização sobre o assunto.

 

Atividades na Capital

Na próxima segunda-feira (10/3), entre 8h e 12h, 15 Defensores Públicos estarão na Estação Clínicas do metrô (Linha 2 Verde) para oferecer orientações sobre o assunto da violência obstétrica e distribuir material informativo sobre o tema.

O evento é organizado pelo Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e a Ong Artemis.

Clique aqui para acessar o material informativo.

Além desse evento, haverá também, durante as sextas-feiras do mês de março, no atendimento inicial da Defensoria Pública (Av. Liberdade, 32 – Centro) oficinas sobre direitos da mulher na assistência ao parto, com apoio de profissionais da área.

Atividades no Interior

A Defensoria Pública, através de seus Centros de Atendimento Multidisciplinar (CAMs), também realiza diversas atividades em comemoração ao Dia da Mulher em todo o Estado. Confira as atividades abaixo:

Sorocaba: Evento em parceria com o Movimento Parto de Gente.

Jaú: Atividades em parceira com uma escola Estadual, que no dia 08 de março fará várias atividades para as mulheres.

Presidente Prudente: Atividade: intervenção sobre autoestima e cuidados; Instituto Embeleze irá realizar um dia de beleza na Defensoria; os Defensores irão trabalhar os temas específicos do direito”, em 07 de março, na triagem.

Praia Grande: Evento no Ambulatório de Especialidades Médicas (AME) da cidade, onde as mulheres fazem o pré-natal, abordando os aspectos psicológicos e jurídicos do tema.

Comemoramos o Dia Internacional da Mulher dando pauladas nas nossas mães

Dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher, mais uma data que deve ser lembrada para as pessoas refletirem sobre as violências contra as mulheres e a luta pelos direitos iguais. Não sou muito fã de escrever coisas que outros blogs escrevem, mas sinto que precisamos lembrar-nos do quanto à mulher sofre no Brasil.

Sendo sincero, o que me motivou a escrever este texto foi um comentário feito por um internauta após um artigo que fala sobre a morte de uma criança espancada pelo pai por ter um “comportamento afeminado”: “Se essa criança gostava de lavar louças e de dançar a dança do ventre é por culpa da mãe, uma mulher irresponsável que não a levava para escola e, com certeza, a colocava para lavar louças e ficar vendo ela ou alguém de casa dançando esse tipo de música, Nenhuma criança nasce gostando de lavar louças e nem de dança do ventre ou qualquer uma outra. Ela, a mãe, foi tão irresponsável e culpada pelo seu assassinato pelo fato de ter mandado o menino pra casa do pai, traficante e sem vínculo nenhum com o garoto.”. Claro, a culpa é da mãe.

Mesmo depois de quase um século celebrando esta data, nos deparamos com comentários como estes, o problema maior é que este cidadão não está sozinho. Estamos deixando de discutir os problemas que as mulheres enfrentam numa sociedade machista para falar sobre seus “benefícios” como “Ah, mas ela se aposenta mais cedo” e “A mulher tem uma delegacia só para ela”.

Se for mulher é uma vantagem, por que 50 mil mulheres sofrem violações sexuais (estupro) por ano no Brasil (Ministério da Justiça, 2013)?  Por que o Brasil é o sétimo país mais violento contra as mulheres (Organização Mundial da Saúde, 2012)? Talvez, precisaremos de mais um século para deixarmos a ideia de que mulher  só aprende apanhando bastante.

Lucas Antonio

O responsável pelo conteúdo é o autor.

#DSemMaceió

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As oficinas do Desabafo Social em Maceió-AL, que ocorreram no período entre  23 e 24/01, atenderam às expectativas dos organizadores e dos participantes, contando com dois espaços para a realização das mesmas.

No primeiro dia, 23/01 (quinta-feira), a oficina Adolescência, Juventude e Participação no Lar Evangélico Masculino Pastor Boyd O’Neal, situado no município de Rio Largo, região metropolitana de Alagoas, foi bastante satisfatória. Monique Evelle e Elias Lourenço hospedaram-se no Lar, promovendo, assim, uma nova atividade à noite. Jogos e criação de desenhos embalaram à noite das crianças.

No segundo dia, 24/01 (sexta-feira), os integrantes do Desabafo Social foram para Maceió, para realizar a oficina Direitos Humanos na Web e Participação Juvenil na Escola Estadual Geraldo Melo dos Santos. A troca de experiências foi notória do começo ao fim, contando com a contribuição da professora de Artes e do professor de História.

Ainda na sexta-feira, o Desabafo  visitou uma das comunidades periféricas  da capital alagoana, registrando tudo na memória e na lente da câmera. DSemMaceió terminou deixando um gostinho de quero mais, fazendo com que Monique e Elias já planejassem as próximas atividades.

Comunique-se!

Mais um dia de atividade do Desabafo Social. Dessa vez a oficina foi realizada com os adolescentes no Nordeste de Amaralina.

Primeiro selecionamos algumas matérias de alguns veículos de comunicação e tentamos encontrar o erro. O que as matérias tinham em comum? Termos inadequados se referindo as crianças e aos adolescentes como, por exemplo, o termo “menor” e divulgação da identidade do adolescente ( nome completo, foto  e idade).

Enquanto analisávamos as matérias, os participantes não conseguiram identificar o erro. Termos como os anteriormente citados , estão presentes todos os dias e  é exatamente assim que deve ser chamado, deve ser a cobertura jornalística etc.

A partir daí a discussão se deu em torno do Estatuto da Criança e do Adolescente e os meios de comunicação. Dúvidas foram esclarecidas e logo depois pensamos em ações que serão realizadas pelos participantes da oficina, para potencializar a cidadania a partir do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação.

Para iniciar às ações do grupo, dois deles serão moderadores da “Roda de Conversa On-line: Ciberespaço é outro mundo?” que será realizada no dia 04/02, às 11h (Horário de Brasília) no chat do Desabafo Social.

O que rolou na Roda de Conversa On-line: Da senzala à periferia.

Para iniciar as atividades em 2014, o Desabafo Social realizou na manhã do dia 14/01 a Roda de Conversa On-line, Da senzala à periferia. Adolescentes e jovens brasileiros de Minas Gerais, Bahia, Roraima, Maranhão, São Paulo, Goiás e Paraná marcaram presença.

O primeiro ponto levantado pelos participantes foi Cota Racial nas Universidades Federal. Com argumentos do senso comum , a maioria que estava no bate-papo ainda considera errado cota racial. “Eu não acho certo que o negro tenha mais “vantagens” que as outras pessoas.” Carolina Sebastião, São Paulo.

Ultrapassando os limites do caput do artigo 5 da Constituição Federal , Monique Evelle, Bahia, diferenciou isonomia e igualdade. “Existe uma coisa chamada principio de isonomia , em outras palavras é `tratar os iguais igualmente e os desiguais desigualmente, na medida de suas desigualdades. O artigo 5º da CF/88 trata da igualdade formal, igualdade material e nem todos são iguais no plano material.Isso entra nas questões de políticas públicas , criação de ações afirmativas para “corrigir” legalmente esses equívocos de desigualdades no plano material e garantir a dignidade da pessoa humana através da isonomia.” Complementando a fala , Enilson Ribeiro, Maranhão, fez dois recortes sobre as cotas. O primeiro que está relacionado com renda e o segundo recorte é étnico identitário.

Cotas pra lá cotas pra cá, o segundo ponto em debate foi Rolezinho no Shopping. “Em 2008, em Brasília aconteceu isso com um grupo de adolescentes que estavam participando dos preparativos do Congresso Mundial de Enfrentamento a Exploração Sexual. Ao entrar no Shopping fomos escoltados por uns 10 seguranças! Ouvíamos no sistema de som ambiente as nossas coordenadas! Foi vexatório!” , disse Enilson Ribeiro. Além do rolezinho em 2008, Érica Ribeiro, Paraná, relembrou que aconteceu o mesmo em Curitiba no ano de 2005. “Infelizmente caiu no esquecimento.”, disse ela.

Após duas horas de debate e diversas ramificações do racismos sendo levantas, a Roda de Conversa On-line foi finalizada. “Sabe o que é mais “engraçado”? A pessoa é contra cotas raciais, a favor da redução da maioridade penal, quer viver de ciências sem fronteiras, contra os rolezinhos nos shoppings etc e chora por Mandela!” , disse Monique.

O próximo bate-papo será no dia 04/02 com o tema “Ciberespaço é outro mundo?”. Fiquem ligados na agenda e participem das ações do Desabafo Social!

Como eu me sinto..

A equipe do Desabafo Social parou para ler a excelente matéria “A cor da relação. Mulheres negras e as dificuldades com romances sérios” veiculada no site Kultafro. A matéria mostra que o racismo perpassa por diversos campos, inclusive quando se trata de relacionamentos amorosos. É triste ter que concordar que isso é uma realidade.

Então, resolvemos bater um papo com algumas pessoas que passaram e passam por situações de racismo em seus relacionamentos ou nas suas tentativas de relacionamento e que se sentem incomodadas.  Olha só os depoimentos delas!

OBS: Os nomes são fictícios para proteger as identidades.

 

“O racismo está presente no nosso cotidiano, e muitas vezes é manifestado por meio de “brincadeiras” . Lá onde estudo, por exemplo, desde quando eu entrei as brincadeiras são voltadas pra mim e para as pessoas negras. Todos os personagens negros tornam-se apelidos pra você. E de certo modo, eu tive que aprender a não ligar, pois caso contrário eu não iria conseguir continuar lá. Sobre namoro… meu namorado é branco e não houve resistência da família dele nem dos amigos. Só as vezes quando estou com ele andando na rua que as pessoas olham com aquele jeito de reprovação. Geralmente eu não ligo, porque olhares como estes vem de pessoas que não conhecemos e que querem interferir em algo que não lhes cabe. No inicio do nosso relacionamento eu ainda ficava um pouco triste, desconfiada, mas agora não mais.”

Beatriz, 18 anos.

Já fui por diversas vezes vítima de brincadeiras racistas. E o mais ‘engraçado’ de tudo é que essas brincadeiras vieram de amizades próximas. Antes de namorar um africano, me apaixonei loucamente por um cara branco. Na época em que isso aconteceu, nós tínhamos entre 16-17 anos. Estudávamos na mesma escola e também tínhamos praticamente o mesmo círculo de amizade. Cheguei a expressar o que sentia por ele várias vezes, até senti que o sentimento que eu tinha por ele era de fato correspondido, mas ele nunca deixou isso claro. Minha autoestima despencou. Me sentia a menina mais feia da escola. Sempre sofri por ser gordinha, mas esse fato fez com que a minha visão fosse ampliada, comecei a ver que a cor da minha pele era o grande fator dessa rejeição. Quando comecei a namorar com um africano, não foi devidamente pelo fato de não querer me envolver com um cara branco. Me sinto muito atraída por homens negros e me senti mais segura com ele.. Se eu saio com minhas amigas e sou a única negra da galera, os rapazes só olham para elas. É terrível. É como se eu fosse invisível. Sempre fiz questão de me vestir bem e sei que me visto bem, mas ainda assim não sinto que eu me destaque diante delas.  Nós mulheres negras merecemos o respeito e o reconhecimento que nunca nos foi dado, mas que é nosso por direito.”

Luciana, 21 anos.

 “Piadinha racista é o que mais escuto. E depois de uma brincadeira sem graça, vem um pedido de desculpa com um sorriso estampado no rosto. Geralmente são “amigos” que cometem essas garfes ou falam o que realmente pensam em tom de brincadeira. Nos lugares que frequento, na maioria das vezes sou a única negra. E só chamo atenção por ser a única negra no tal lugar. Não ligava em sair com minhas amigas não negras. Mas com o tempo você se sente desconfortável e faz mal para sua autoestima. É horrível ter que admitir que não sou a única que é vista como objeto sexual. Mulheres negras são vistas sim como objetos sexuais. É hipocrisia dizer que isso é mentira. Por mais inteligente que você seja, por mais independente que você seja, infelizmente os rapazes, tanto os brancos quanto os negros, têm receio de se envolver com você. E não adianta eu desabafar com minhas amigas brancas, elas nunca entenderão e vão achar que é coisa de minha cabeça. Me chamam de linda, estilosa, poderosa, mas não irão entender de jeito algum que a situação é muito mais complexa do que elas imaginam. Você pode ocupar espaço de poder, ser independente , ter uma boa situação financeira etc , mas o racismo continua. “

Maria, 19 anos.

“Das situações que já passei, percebi que muitos homens acham que as mulheres negras são mulheres fáceis e que não são pra relacionamentos sérios. Muitos também veem beleza somente em mulheres brancas .  Esse tipo de coisa dá até pra perceber nos tipos de cantadas e na forma de conversar. Além disso percebi também que por ser negra e mulher muitas vezes as pessoas tratam como pessoa incapaz ou limitada e coisa do tipo. Fora as represarias de vários lados principalmente do lado estético que está sempre tentando tornar a mulher negra em algo parecido com mulher branca de cabelos lisos e etc.”

Jaqueline, 19 anos.

“Quando ganhei um bolsa no curso de fotografia fiquei super alegre. Mas quando cheguei lá senti meio que uma diferença do professor para comigo, pelo fato de eu não ter pago e também pela minha cor. Eu e uma amiga era as únicas negras e o restante dos alunos era o filho da dona do ateliê, uma psicóloga etc. Eles tratavam  a gente como coitadinhas por morar no subúrbio e ser negras. O professor nunca nos dava atenção. Fiquei muito interessada por uma dos alunos, mas ele olhava pra mim como um olhar de repressão. Era horrível! Me senti muito incomodada naquele lugar por conta disso. Sei que não deveria sentir isso, mas me sentir envergonhada e inferior pela minha cor.”

Michele , 18 anos.

“Considerar essas situações incoerentes ou fora do comum é um pouco hipócrita da minha parte. Com certeza o preconceito existe, em ambas as partes . Tenho amigas brancas saio com elas , mais nunca tive nenhum problema com relação a minha cor  ou constrangimentos vinculados a isso . Até porque , amo minha cor , penso até que seja o meu diferencial na hora da paquera … Como diz um amigo meu * Nossa cor e a mais cara do mercado “.

Joana, 20 anos.

Um dia que deve ser lembrado

Para muitos, o dia 10 de dezembro é uma data normal, já que não tem feriado, porém nela se celebra o Dia Internacional da Declaração dos Direitos Humanos. O dia remete a publicação da Carta Internacional dos Direitos Humanos da ONU em 1948. Agora vem a pergunta: Por que essa data é importante?

Simplesmente porque ainda não entendemos o que significa isso, mesmo depois de 65 anos. Frases como: “Direitos humanos para humanos direitos” ou “Direitos dos Manus” nos mostram que as pessoas não entenderam como funciona ou ainda não estão preparadas para aceitar a diferença das outras.

O senso comum diz que os Direitos Humanos só servem para bandido, alguns vão mais longe, diz que quem defende os Direitos Humanos também é bandido. Bom, só posso dizer que está data serve aos que pensam assim, pois mesmo falando uma barbaridade de ignorância como esta, os Direitos Humanos te protege de qualquer julgamento assegurando o direito de se expressar. Portanto, estudem o tema.

Lucas Antonio

O responsável pelo conteúdo é o autor.

São Paulo, uma terra privilegiada

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O paulistano é um cidadão privilegiado e não sabe disso. Na terra da garoa você encontra locais de bastante cultura e entretenimento, todo cidadão tem à disposição espaços como o Teatro Municipal, o Masp, Museu da Língua Portuguesa, shoppings em cada esquina e entre outros.

E o conforto não para por aí, SP oferece a maior e mais moderna linhas de metrô do Brasil que universaliza o acesso das pessoas mais carentes no centro da capital. Além da nossa grande frota de ônibus que tem até televisão.

À defesa dos nossos cidadãos direitos também é algo que o estado se preocupa. A nossa Polícia Militar, que estabelece a ordem em toda a cidade, é a maior polícia do Brasil e a terceira maior da América Latina. Os números comprovam seu trabalho árduo, a cada dois dias, três marginais morrem em suas mãos.

Aqui em SP, só não tem dinheiro quem quer, pois estamos falando da capital brasileira mais moderna e rica em oportunidades de trabalho. Em cada esquina sempre há alguma vaga sobrando, por isso que tantas pessoas vêm pra cá, porque aqui é borbulha dinheiro. É uma pena que vagabundos coloquem a culpa de sua miséria na cidade.

E como se não bastassem todos estes atrativos, a maios cidade do Brasil dispõem de um circo aberto. Com sorte, você em seu seguro veículo pode para em um farol e dar de cara com uma criança fazendo malabarismo com cones, bolas e bastões, além de pequenos mágicos com diferentes truques. Se você estiver andando pela cidade, poderá encontrar um bêbado interpretando os palhaços circenses, fazendo diversas trapalhadas para a população dar risada. E por fim, nas calçadas o espectador encontrará pessoas deformadas imitando as aberrações que o circo trás. Tudo isso de graça!!

Atenção! Texto contém ironia.

Lucas Antonio

O responsável pelo texto é o autor.

É possível protagonismo juvenil sem reforma política?

Há quem tenha aversão com o termo protagonismo juvenil. Talvez por considerar individualista demais. Porém, a ideia proposta por Antonio Carlos Gomes da Costa, pedagogo e redator do Estatuto da Criança e do Adolescente, acerca do protagonismo, não se esgota na individualidade. A partir do momento que o jovem atua de forma ativa, colaborativa e construtiva nas decisões que irão impactar na sua vida e na sociedade, está exercendo o seu papel de protagonista.

Censurados, invisíveis e espalhados pelos quatro cantos, os protagonistas juvenis vem desenvolvendo ações de grande impacto, mostrando engajamento e compromisso naquilo que acreditam. Seja no recorte social e político, seja no recorte econômico e cultural.

Discutir sobre esse assunto sem falar em reforma política, não dá né?

Durante as manifestações de junho deste ano, o tema reforma política foi recolocado em debate nacional, fazendo com que a presidente Dilma elencasse propostas como responsabilidade fiscal e plebiscito para formação de uma constituinte sobre reforma política. Entretanto , vale destacar, que o debate e as propostas se esgotaram exclusivamente no viés eleitoral.

Quando discutimos sobre esse tema um leque de perspectivas e mudanças devem ser levados em conta. Um exemplo é a Política Militar Brasileira. É evidente que a PM age com violência. As ações truculentas têm lugar e público reservado: periferias e negros. Não foi atoa que em 2012 o Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu que o Brasil combatesse a atividade dos “esquadrões da morte”. Assim como os casos “Amarildos”, trazem grande repercussão fazendo surgir revolucionários das redes sociais, é necessário uma enorme mobilização para que seja aprovado o projeto de lei 4471/2012. Para quem não sabe, esse PL prevê a investigação de homicídios cometidos por policiais durante o trabalho. Começar a discutir reforma política destacando esse ponto, já é um bom começo.

Já ouviu falar do Programa Estação Juventude ? Pois bem, o Programa Estação Juventude pretende ampliar o acesso de jovens de 15 a 29 anos, que vivem em áreas de maior vulnerabilidade social, às políticas, programas e ações integradas no território que assegurem seus direitos de cidadania e ampliem a sua inclusão e participação social. Um programa como esse , pode trazer grandes impactos positivos. Salvador, terceira cidade mais violenta do país segundo o Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americano (Cebela) , não conseguiu a pontuação mínima necessária para ser classificada nesse programa. Sem conselho, sem secretaria e sem política de juventude fica difícil. Em contrapartida, a capital da Bahia conseguiu aprovar projetos de R$ 50 milhões para requalificar a orla da Barra. Enfim né.

Protagonismo juvenil é a participação do adolescente em atividade que extrapolam os âmbitos de seus interesses individuais e familiares e que podem ter como espaço a escola, os diversos âmbitos da vida comunitária; igrejas, clubes, associações e até mesmo a sociedade em sentido mais amplo, através de campanhas, movimentos e outras formas de mobilização que transcendem os limites de seu entorno sócio- comunitário ” (Costa, 1996:90)

Falando em transcender os limites, pensando nos lindos discursos dos parlamentares sobre a importância da participação do jovem nos espaços de poder e considerando a perpetuação do político no cargo, seria a protagonismo juvenil uma utopia? É uma questão relevante a se pensar.

Como já citei em outro texto – Reflexividade Colaborativa que está no blog do Desabafo Social – o número de adolescentes e jovens que são assassinados no Brasil, é muito maior do que o número de jovens que cometem assassinato.

Presenciamos o extermínio antecedendo o protagonismo juvenil e a polícia chegando antes das políticas públicas. Curtir apenas , já não tem efeito. Ou melhor, nunca teve. Se realmente queremos reforma política, e não apenas eleitoral, vamos levar essa discussão para o campo popular.

Eu sou a favor das manifestações, mas…

Pois é, acho que você já deve ter ouvido este começo de frase. Esta semana acompanhamos as manifestações no eixo Rio-São Paulo pedindo melhoras na educação, uma causa verdadeiramente nobre, e que todos os brasileiros acreditam que precisa ser melhorada. O grande problema (para a grande parte da população) é o que ocorre durante as manifestações, os conhecidos “mascarados” que espalham o pânico e terror nos “cidadãos de bem”.

Eu vejo todo esse medo da população com humor, é engraçado como a mudança de valores transforma uma pessoa que esta protestando em bandido que precisar “levar bala”.

“Ah, mas ela destrói patrimônio público”, “eles quebram tudo”. É muito fácil para um acomodado dizer isso, já que ele aceita que crianças cresçam sem saber ler, sem saber escrever, sem ter oportunidade a uma carreira, sem ter acesso a um ensino de qualidade, em uma escola de lata, ou que professores se matem para dar aulas para ganhar um salário medíocre, ou que tenham uma péssima formação e deem aula para mais de 50 alunos numa sala… E por aí vai.

Na verdade, eu não culpo essas pessoas por pensarem assim, essas confusões sobre o verdadeiro sentido das manifestações acontecem por causa da falta de conhecimento da nossa população, não temos grandes embates históricos na nossa cultura, e que também o protesto não está no sangue do brasileiro, acomodado e passivo com a nossa triste realidade.

Abaixo eu listei alguns argumentos usados por essas pessoas para tentar explicar o que é uma manifestação:

Eu sou a favor das manifestações, mas sem quebra-quebra: As manifestações, por si só, já são uma revolta, e quando alguém, ou um aglomerado de alguns estão revoltados (ainda mais com tantos motivos já citados), sairá quebra-quebra. Nós queremos chamar atenção, queremos mudar, e para isso seremos contundentes e fortes. As coisas não irão pra frente se só ficarmos pedindo ”por favor,”.

Eu sou a favor das manifestações, mas elas têm que ser pacíficas: Típico erro de pessoas que descobriu agora o que é um protesto. Na verdade, o que essas pessoas são favoráveis são as passeatas, que são lindas, tranqüilas, todo mundo cantando a mesma música como num coral, e que não resolve nada.

Eu sou a favor das manifestações, mas ela não pode incomodar os outros: Nesta o nosso cidadão não quer ser incomodado por pessoas, bom, se milhares de pessoas estão reivindicando algo, ou cobrando melhorias para o país, este cidadão deveria ficar agradecido, já que ele será beneficiado com a mudança sem precisar tirar a bunda do lugar.

Eu sou a favor das manifestações, mas sem vandalismo: Veja primeiro item.

Lucas Antonio

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Maioridade Penal e Encarceramento Juvenil

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A OAB-BA, através da Comissão de Direitos Humanos, realizará uma audiência pública, no próximo dia 11 de outubro, das 08:30 às 12 horas, no auditório da sua sede situada na Praça da Piedade (ao lado do Center Lapa). Na ocasião serão debatidas “As propostas de redução da maioridade penal e do aumento do encarceramento juvenil”.

A intenção é oportunizar à sociedade um espaço democrático para discutir este tema que tem ocupado a pauta midiática há alguns anos com foco na redução da maioridade penal e, mais recentemente, através de propostas que objetivam aumentar o tempo de privação de liberdade de adolescentes aos quais se atribua a autoria de ato infracional, comumente conhecidos como adolescentes infratores.

Estaremos lá!

Direito ao Esporte Seguro e Inclusivo

O Conselho Consultivo de Adolescentes e Jovens da Bahia, através de e-clipping, vem acompanhando notícias acerca dos direitos humanos de crianças, adolescentes e jovens, especificamente relacionados aos temas como Situação de rua de crianças e adolescentes em Salvador, Genocídio da Juventude Negra, Participação Juvenil, Exploração Sexual Infanto-juvenil, Esporte Seguro e Inclusivo, entre outros.

 O Brasil sediará em 2014 e em 2016 dois dos eventos mais importantes do mundo, a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, o que foi motivo de revolta e insatisfação nas manifestações de junho, sendo a exigência por uma melhor qualidade de educação outra bandeira levantada nas manifestações.  Porém, quando clamam por educação, muitos se esquecem de que ela também se aprende através do esporte.

Hoje as crianças são incentivadas cada vez mais cedo a desenvolver somente o cérebro através de atividades extensas e exaustivas, a virarem pequenos robôs e máquinas. O lado criativo e físico é deixado de lado, como se o cérebro não fizesse mais parte do corpo. É por isso que quando se pede por um melhor ensino, é necessário repensar na interação do esporte na educação, ambos como parte de um todo, de maneira segura e inclusiva, até porque, como é possível manter uma mente sã em um corpo sem saúde?

Pensando no desenvolvimento cognitivo, sócio-afetivo e motor através do esporte que a Escola Superior de Educação Física da Universidade de Pernambuco (UPE) assinou, no dia 09/09/13, juntamente com a Secretaria da Criança e da Juventude de Pernambuco e a Petrobrás, o termo de compromisso para a execução do Projeto Educacional Direito ao Esporte Seguro e Inclusivo.

 ABMP

http://www.upe.br/portal/noticias/escola-superior-de-educacao-fisica-assina-termo-para-projeto-de-direito-ao-esporte-seguro-e-inclusivo/

 

CURIOSIDADE:

Os filósofos gregos seguiam uma doutrina, a Paidéia, a qual o entendimento de uma mente sã em um corpo são era passado de geração a geração, pois eles acreditavam que para se formar homens e cidadãos do bem era fundamental que se trabalhasse o corpo e a mente em conjunto e que só assim poderia ser alcançada a perfeição. Seguindo a ideologia grega, Pierre de Coubertin, historiador e pedagogo francês, em 1896 organizou o primeiro jogo olímpico de verão, ele além de realizar os primeiros jogos olímpicos da era moderna também foi responsável por promover os esportes nas escolas.

Assim como os gregos, Coubertin sabia da importância do esporte na infância e dos benefícios que ele pode proporcionar: socialização, prevenção de doenças, concentração, inclusão social,disciplina e principalmente formação cidadã. Porém, por mais privilégios que ela possa assegurar, e apesar de existir hoje a Lei 10.328 que consolida a matéria educação física como obrigatória, ela ainda é relegada nas escolas (principal ambiente socializador infantojuvenil), que muitas vezes não tem quadras ou espaços em bom estado, levando muitas crianças a optarem por um esporte particular e excluindo as que não tem condições financeiras, ou seja, tirando dessas uma construção cidadã digna.

É em razão disso que organizações, a exemplo da REJUPE, buscam a completa integração dos jovens por meio do direito ao esporte seguro e inclusivo, promovendo a colaboração com organizações e instituições sociais, como escolas, clubes esportivos, ONGs, assim como com governos, Comitês da Copa e outras entidades. Além de acreditar que tanto a Copa de Futebol quanto as Olimpíadas e Paraolimpíadas possam trazer um momento de inclusão social, orgulho nacional e incentivo para que a população possa utilizar a infraestrutura esportiva após os megaeventos e defendendo que o esporte inclusivo só se faz através da conscientização social e de uma educação integrada.

Salvador, 17 de setembro de 2013

 

Camila Cidreira

Membro do Conselho Consultivo de Adolescentes e Jovens da Bahia – ABMP

Carlos Abrahão Cavalcanti

Membro do Conselho Consultivo de Adolescentes e Jovens da Bahia – ABMP

Filipe José de Valois

Membro do Conselho Consultivo de Adolescentes e Jovens da Bahia – ABMP

Monique Evelle Nascimento Costa

Secretária Geral do Conselho Consultivo Nacional de Adolescentes e Jovens- ABMP

Raísa Rebouças Paiva

Membro do Conselho Consultivo de Adolescentes e Jovens da Bahia – ABMP

Pra não dizer que não falei de flores. Ops! De Amarildo.

Não me manifestei até o momento sobre Amarildo. E também não fiz campanha nas redes sociais, apenas observei e acompanhei publicações e notícias sobre o caso. Antes de comentar sobre o caso de Amarildo, vale pensar um pouco na sociedade que vivemos. Cada um faz a reflexão que achar melhor.

A periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor”. Salve Sérgio Vaz! O amor pela nossa comunidade, a dor pelas semelhanças das nossas lutas diárias e a cor porque somos, na maioria, pretos. Pois bem, quem nunca viu ou ouviu alguém relacionar moradores de periferias com traficantes de drogas? Quem nunca assistiu um noticiário onde o negro é colocado como o protagonista no atentado contra a cidadania (assassinato, roubo etc)? Quem nunca assistiu filmes onde pretos, pobres de periferia são usuários de drogas seja lícita ou ilícita, mal educados, prostitutas etc? Como se não bastasse o preconceito racial, social e geográfico, a mídia sensacionalista ainda coloca lenha na fogueira.

O Estado é responsável pelo bem-estar dos cidadãos. Mas na prática, nem sempre isso acontece. A polícia é o Estado e os policiais são os cidadãos (?). Existe uma linha muito tênue e parece incompreensível. O braço armado do Estado, ao mesmo tempo em que deveria representar a proteção, representa o risco. No Rio de Janeiro, por exemplo, muitos homicídios cometidos por policiais foram registrados como “autos de resistência”, quando, possivelmente, seriam execuções. Acredito que não seja diferente no restante do país.

Conheci várias histórias de Amarildos. Um era morador de rua que , da noite pro dia, desapareceu enquanto dormia. Outro era universitário negro que após uma abordagem policial não voltou para casa. Outra história foi .. etc.. etc.. etc.. Agora tem outra história que ganhou espaço nas mídias sociais e tradicionais. Depois da Operação Paz Armada no dia 14 de julho na favela da Rocinha (RJ), policiais levaram Amarildo (mais um) para UPP. Segundo policias, Amarildo foi liberado logo em seguida. É, mas ele não chegou em casa até hoje. A Justiça do Rio negou o pedido da família de Amarildo para declarar morte presumida. Vale destacar em caps lock a seguinte fala do juiz Luiz Henrique Oliveira Marques, da Vara de Registro Público “O DESAPARECIMENTO TERIA OCORRIDO QUANDO AMARAILDO SE ENCONTRAVA EM PODER DE AGENTES DO ESTADO, O QUE, POR SI SÓ, NÃO GERARIA PERIGO DE VIDA”. Ok meritíssimo, meu nome não é Alice!

Não irei prolongar, pois um caso como esse perpassa por diversas questões. O fato é que estamos presenciando a olho nú a limpeza étnica. É só olhar que casos como esses acontecem constantemente em todo o país e de forma semelhante e com pessoas com características semelhantes. Ouvi um comentário assim: “Ele é traficante rapaz , deve ter fugido da polícia para não ser preso depois.” É, meu Brasil.. são pensamentos como esse que não dá espaço para dialética. Aposto que essa pessoa não conhece a história de vida do Amarildo.

Fui facilitadora da oficina sobre Cota Racial nas Universidades Federais no Seminário Regional Nordeste da ABMP em Fortaleza. O interessante que fui “objeto de estudo”. Um grupo falou: “Você é bonita, inteligente, universitária, não é cotista.. então nunca vai sofrer preconceito e não vai ser discriminada. Deve ser muito fácil para você conseguir empregos e o que quiser. Todo mundo te conhece e sabe que você é boa no que faz” Eu respondi: “Não sou cotista, mas ser ou não ser cotista não faz você escapar do preconceito e discriminação do dia a dia. Calma lá! Sou anônima. Se acontecer qualquer coisa comigo, acredito que as pessoas não vão relacionar minha imagem com de uma menina que é boa no que faz ”. Por mais que eu tenha diversas representatividades (Desabafo Social, ABMP, SaferNet etc), o que importa para essa selva de pedras é que eu sou negra e moradora de periferia. Como já havia citado anteriormente , os casos de desaparecimento relacionados com abordagens policiais , acontecem com pessoas de características semelhantes (negros, pobres, moradores de comunidades etc). Caso eu sumisse, de um hora para outra, será que eu não seria vista como usuária de drogas ou algo tipo? Mas enfim.. Monique à parte, cadê os Amarildos?

Monique Evelle

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