Desabafo Social na Ponta dos Dedos

A Universidade é branca!

Primeiro dia de matrículas na UNIFESP, seguindo resultado da primeira chamada do SiSU. Primeiro dia de RACISMO nas matrículas na UNIFESP. É o dia que pela primeira vez muitas pessoas, em geral jovens, põe os pés uma universidade pública. De certo que é a primeira de muitos no espaço da UNIFESP. Este ano, tenho a expectativa de perceber mais estudantes negros e negras, além de oriundos de escola pública e poder recepcioná-los (as).
Contudo, o que tivemos foi estudantes com atitudes racistas aplicando trote nos que vinham se matricular. O trote em si já é todo discutível, mas o rito de entrada na universidade pública, tradicionalmente passa pelas tintas e muitos calouros(as) chegam com essa expectativa, desejam isso. Pois bem, mas de certo que não que duas estudantes negras que vieram fazer sua matrícula não esperavam que junto com a tinta de batismo, pintassem-lhes com tinta branca e dissessem “A UNIVERSIDADE É BRANCA”. Num dos casos, outro (ou outra) estudante ainda tentou amenizar a situação, passando-lhe tintas de outras cores e dizendo que a universidade é colorida. Mas, não é, ao menos não quando falamos dos docentes e discentes. A pirâmide racial ainda levará um bom tempo para mudar. E incessantemente aqueles que detêm os privilégios de uma sociedade fundada na exploração do outro, na bestialização, na reificação do outro irão ranger por mantê-los. Hoje mesmo a UNIFESP concedeu-me (mais) um exemplo disso. Quando um grupo de trabalhadoras terceirizadas da limpeza, me abordam para mostrar as evidências que colheram: desembrulham um sapato que faz parte do uniforme, balançam-o e mostram as fezes de ratos. O lugar onde são obrigadas a guardam seus pertences está cheio de ratos. Mas este lugar não fica dentro da UNIFESP – onde aliás um certo vídeo com um rato passando no pátio causou a indignação de muitos estudantes. Fica do outro lado da rua, num terreno que futuramente será a continuação do campus e que por enquanto é uma terreno tomado de poças d’águas, mato e que vez por outra serve de estacionamento e tem uma barraco de madeira. Neste barraco, cheio de ratos, em condições deploráveis, cuja a ‘maquiagem’ para parecer menos ruim do que é, compete as próprias trabalhadoras é que guardam seus pertences. Elas o chamam de “moquifo”. O motivo que não se permite que elas entrem no campus com suas bolsa e pertences ou que haja um armário é ainda mais estarrecedor: sumiram alguns aparelhos de projeção das salas de aula. E logo de quem desconfiam? Não do estudante cáucaso e de olhos claros que “tingiu a negritude” da caloura, não ele. Mas sim dos trabalhadores da limpeza, os trabalhadores terceirizadxs. Que limpam o “templo do saber”.
Democracia racial é mito gente. Atentem-se para isso: não tomar partido e tornar-se também opressor. E um bando de ratos sempre ratificam.
(nem falarei dos demais casos de trote não consentidos, logo, violentos; da não-acessibilidade do campus e das saunas de aula).

Brenda Barbosa, São Paulo-SP.

O responsável pelo conteúdo é o autor.

 

Rolezinhos

Há alguns anos era comum os jovens de classe média, e com isso me incluo, frequentarem aos sábados a noite o pier 21 (Shopping elitizado de Brasília). Os jovens que frequentavam o pier sempre iam para dar “rolezinhos” com os amigos. A policia, a mídia e o dono do Pier jamais se incomodaram com a presença de jovens pertencentes ao mundo do consumo. Porém, hoje, os jovens da periferia decidiram também darem seus “rolezinhos” em shoppings de Brasília, aliás, esse tipo de programa é uma atividade de lazer comum de jovens. A pergunta que fica é: Todos os jovens possuem direitos de ir e vier em um shopping? A resposta está expressada na capa dos jornais nacionais e internacionais. Jovens da periferia começaram a marcar seus “rolezinhos” pelas redes sociais, com presença de MC`s e de figuras que caracterizam a cultura da periferia. Começaram a frequentar os shoppings, as praças de alimentação, as lojas. Porém os donos dos shoppings e das lojas começaram a se incomodar com a presença de jovens que não pertenciam ao universo do consumo, jovens negros e da periferia. Com isso, as lojas começaram a fechar quando percebiam a presença desses jovens que estavam apenas usufruindo do ambiente de lazer que o shopping proporciona. Ao serem discriminados e maltratados dentro dos shoppings e quando a policia era acionada para retira-los de lá, alguns desses jovens optaram por não frequentarem mais o shopping, justificando ser um espaço que não pertenciam a eles, pois são negros e pobres. Outros decidiram ocupar esse espaço por direitos, e com a inserção de movimentos sociais e jovens que lutam acesso a cidade, contra a criminalização da pobreza e da juventude negra da periferia, esse movimento se nacionalizou, ganhou corpo, se massificou, e hoje incomoda os donos do poder, a classe dominante e todos que seguem sendo intolerantes em nossa sociedade. Mas saibam, se hoje os “rolezinhos” se transformaram em grito dos excluídos, foi por um motivo pertinente em nossa sociedade. Pra tudo existe uma consequência. As jornadas de junho de 2013, expressaram nas ruas a indignação e a rebeldia dos jovens. Na vida muitas coisas voltam a normalidade, mas podem ter certeza, que a nossa rebeldia não tem volta. Por isso seguiremos ocupando as ruas e os shoppings para lutar por uma outra sociedade, por um outro futuro!

Vinicius Lima, Brasília -DF.

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Me amarro no meu cabelo black!

 

Na infância me achava uma criança feia e na adolescência isso não mudou muito, acredito que piorou ainda mais. Não era satisfeita com minha aparência principalmente com meu cabelo, talvez por está rodeada de algumas amigas a qual eu achava linda, brancas, cabelos lisos. Era engraçado que estando perto delas me sentia  para baixo, talvez pelo fato dos olhares estarem sempre voltado para elas… Não sentia inveja, coisa desse tipo, só queria ser daquela forma, branca, cabelos lisos, queria ser aquelas menininhas das novelas da Globo. Quando saímos me sentia totalmente invisível, também escutava piadas, por não me encaixar naquele padrão de beleza. Com o amadurecimento, veio a consciência política e aceitação de quem sou, de onde vim. Hoje estou feliz com minha aparência e me acho sim uma mulher bonita, atraente e amo quem sou.Eu me amarro no meu cabelo black.
 

Carolina Guedes, Salvador-BA

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Carta de um manifestante: o Brasil precisa é de uma completa cirurgia.

Estou eu cá, nesta manifestação, exercendo minha cidadania numa democracia cheia de dúvidas e corrupção, que sempre existiu aqui nessa terra.

Estou eu cá, cercado por pessoas que nem sabem ao certo o que fazem aqui, que não usam transporte público frequentemente. Estou também cercado por muita gente culta, professores, advogados, jornalistas… Todos eles reivindicando algo e esperando alguma coisa, num desejado “feed-back”.

Estou eu cá, porque acredito que a desigualdade pode ser superada, ou então, numa visão menos utópica, amenizada. Meu pedido é que eu veja essas tão almejadas melhorias, e não apenas meus netos.

O que fazer num país onde o vasto número de parlamentares e vereadores é tido como expressão da participação popular e democracia? O que fazer com a imensidão de propostas vazias, tantas emendas, projetos que visam alterar nomes de ruas e conceder títulos a “nobres cidadãos”?

O que fazer quando há gente batalhando por uma reforma no sistema burocrático do Brasil, enquanto outros passam com rolos compressores sobre suas ideias e militâncias? Prevalecem os fortes? Há algo de errado na evolução de nossas espécies brasileiras.

Nas ruas, onde estou, vejo pessoas pedindo um analgésico, daqueles que a gente usa quando a dor de cabeça atrapalha o andamento do dia. Pois bem, a causa ainda está lá, mas não pode ser sentida, ou vista, durante um tempo. O que precisamos é de uma completa cirurgia: a retirada dos tumores pouco a pouco, efetivamente.

Vem à minha direção agora um policial. Sei que ele mesmo tem seu código de integridade, muito diferente do de seus superiores. Sei que ele deseja a ordem num país onde a desordem muitas vezes impera. Esse policial me manda parar com a baderna senão serei preso. Pois bem, me adapto a qualquer situação, para poder assim persistir dentro do quadro dessa “seleção social”. Calmo e resiliente, saio dos tumultos de ideias e ações rumo à uma escrivaninha, com papel e caneta. Lá existe um ambiente mais seguro para manifestações.

 Ana Laura Maziero , Araçatuba-SP

O responsável pelo texto é o autor.

Quanto vale uma vida?

Morremos cada dia de uma forma tão banal que fica a pergunta: Quanto vale uma vida? Um tombo? Uma religião? Dinheiro? Bens?Nada?

Vivemos em um mundo em que qualquer momento podemos enterrar um futuro por motivos assustadores. Morremos por morrer, por vontade, por motivos sem motivos.

Vivemos em uma realidade em que não há momento para perder a vida. A ação da vida natural é nascer, crescer, se reproduzir ou não, e morrer. E muito nem chegam a nascer.

Quanto vale uma vida? Nunca saberemos, mas não vale mais que viver em Cristo.

José Ítalo, Salvador-BA

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Negros no Brasil, ainda há racismo?

Estufamos no peito dizendo que somos a maior nação negra fora da África no mundo, que nossa cultura tem inúmeras contribuições da raça, seja ela na questão social, linguística ou religiosa, entretanto, nas ruas das nossas cidades, a realidade é bem diferente.

Desigualdade é a coisa mais normal que existe na humanidade. É duro dizer, mas é isso mesmo que acontece, independente se a consideramos nociva ou não. Ricos, pobres, altos, baixos, gordos, magros, todas essas diferenças nos acompanham ao longo dos séculos e continuarão a nos acompanhar, sem que nós nos incomodemos, levando normalmente nossas vidas, sendo parte do cotidiano. Então porque a diferença de tom de pele se torna motivo de tanta discussão, brigas e até mesmo exclusão social?

As questões raciais advêm desde as primeiras civilizações complexas conhecidas do mundo. Escravos eram comuns e até incentivados por essas civilizações. As primeiras formas de escravidão aconteciam, basicamente, de duas maneiras: pela dívida ou pela derrota em guerra. Independia da cor da pele. Posteriormente, no Egito, além dessas duas que existiam, eclode uma nova forma de escravizar: a escravidão étnica. Judeus (hebreus) foram colocados como sub-raça e passaram a ser perseguidos ao longo de muitos séculos, culminando com o genocídio no período da Segunda Guerra Mundial e só a partir daí, tratados como nação.

A partir do séc. XVII vimos essa última forma de escravidão acontecer aqui no nosso território e decair sobre o ombro do povo africano, e esse preconceito permanece até os dias de hoje, mesmo que nas pesquisas se diga o contrário. Em alguns lugares, se mostra de forma mais forte, em outros, de forma mais branda, seja ele no modo de falar, de agir ou até mesmo de estigmatizar algo. Quantas vezes já ouvimos a expressão “isso é coisa de preto!”? Esse preconceito está tão arraigado na nossa sociedade, que o praticamos sem perceber.

Devido a esse estigma, hoje os jovens negros sofrem com as dificuldades geradas “inconscientemente” por essa sociedade. Infelizmente, e isso já é um problema de caráter político, os jovens negros não tem o mesmo acesso a uma educação de qualidade e incentivos sociais. Apesar das “operações tapa buraco” feitas pelo governo, a base desses problemas se mostram mais violentas do que as soluções. Suas idéias não só não são ouvidas como ainda são tratadas com desdém, contribuindo ainda mais para a insatisfação com sua condição.

O preconceito é latente, quando acontece alguma coisa na rua, os primeiros a serem alvos dos olhares de repúdio são os jovens negros. Se correr então, é quase uma declaração de culpa, e com esse movimento de redução da maioridade penal, aí sim é que a coisa pode ficar ainda pior. Essa discussão se agrava quando se questiona a idéia de que “se o jovem de 16 anos tem a capacidade de votar, tem a responsabilidade dos seus atos de violência”. Honestamente, eu concordo, se você tem condições de escolher a pessoa ao qual confiará a sua cidade/estado/país, tem sim condições para assumir suas ações criminais. Que me perdoem os juristas, mas a justiça brasileira só favorece o marginal.

Entretanto, se analisarmos a nossa sociedade e justiça de hoje, quem será os principais prejudicados? Antes de fazermos qualquer reforma, seja ela a redução da maioridade ou na justiça (e tantas outras que o Brasil precisa), precisamos fazer uma reforma cultural. O preconceito não é uma política, uma lei ou um estilo de vida, é uma semente plantada desde a colonização e todo dia regada por uma grande parte da população e se isso não for mudado, nada há de se fazer.

Átila Lopes, Salvador-BA

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Era Cruel

Era cruel. Ainda mais cruel, pois ela acreditou no que o mundo lhe dizia. Nunca clicou em “aceito os termos de uso”. Nunca perguntou porque de tudo isso. Ninguém nunca nem mesmo chegou e disse que era assim. Mas o mundo se expressava assim – e ela assim o absorvia. Um dia, sabida de toda a crueldade do mundo, ficou eufórica. Nem tudo era assim! Um gesto simples, de generosidade, revelou-lhe o quanto o mundo a limitou, o quão cruel é tudo isso. Um moço bonito, cáucaso, de dupla cidadania, de um país europeu, de olhos claro, de família boa, de outro mundo que não o seu, ofereceu-lhe carona. Era pura generosidade. Mas no mundo que apresentaram a ela, meninas negras, pobres, periféricas, de cabelo crespo, de lábios grossos, de pele escura, de corpo farto, de vida dura não eram dignas de gentilezas. Ainda mais se vindas de um moço branco. Nesse dia chegou em casa sorridente, alegre, nem se deu conta de que havia acabado de adicionar uma ponte entre dois extremos, sob um abismo que o mundo contrastou. Ali cravava um marco de junção de dois mundos. Ali reafirmou o orgulho de seu mundo sob julgo. Ali lutou para superar essa estranheza. Ali descobriu a dimensão de sua beleza. Ali descobriu a produção intelectual de todo um povo (o seu!). Ali percebeu o mundo e sua enganação. Ali descobriu outras formas de riqueza. Ali consolidou o orgulho de sua pele negra.

B.B. Queen, Vitória-ES.

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Revolta do Busão – RN

 
Indignação, desprezo, revolta … é o que os estudantes de Natal/RN estão sentindo nesses últimos dias. Com o aumento da tarifa de ônibus, reuniram-se para uma manifestação pacífica na BR 101. A manifestação pacífica foi reprimida com disparos de balas de borracha, bombas de efeito moral e spray de pimenta. Há registros de feridos. A violência começou  quando uma professora foi agredida por policiais. Foi constatados por todos presentes abuso de autoridades e violência desnecessária, visto que os estudantes continuaram a marchar sem revidar a polícia. O jovem Leonardo Souza,relatou que foi espacantado por cassetetes por 5 policias. Porém um dos relatos mais chocantes foi da jovem Khadija Timboo, militante e filha de professores, onde além de levar tiros de balas de borracha, foi chamada por um polícia de vadia. Ela declara que ” A polícia não me protege, a polícia não me representa, a polícia não pensa, executa. Quem policia a polícia? Quem? “. A professora agredida, Sandra, que leciona na UFRN declara: As cenas de horror que vivemos hoje, nas ruas de Natal não se justificam num estado democrático e de direito. Também pede para que todos que sofreram agressões procurem o Centro De Referência Em Direitos Humanos. A pergunta que fica é a quem recorrer? Já que um estudante ao questionar o nome do policia, que não estava identificado, quis leva-lo a delegacia por desacato a autoridade e com tom de ironia ainda respondeu: Quem é você para perguntar para um policial?
Você é um civil. Eu posso questioná-lo, você não. Os estudantes de Natal já afirmam que não vão se calar. A frase que mais representa cada um de nós, jovens do Rio Grande do Norte é : Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética” ( Che Cuevara). Eu digo que lutar ao lado de vocês é um orgulho que vou carregar comigo pro resto da vida … cada risco vale a pena quando sentimos em nossas mãos o poder de mudar o mundo. Hoje lutamos por uma simples revogação de um passe de transporte coletivo,mas amanhã, talvez,estaremos mudando a história da nossa cidade.

Aléxia Regina

O responsável pelo conteúdo é o autor.

“CRACUDOS”

No inicio da tarde desta quinta-feira , dia 09.05.2013 foi exposto no  programa Na Mira ,da TV ARATU , uma matéria sobre os intitulados ‘cracudos ’ no Centro Histórico de Salvador .

Crianças, mulheres,homens e homossexuais se jogam nesse mundo de drogas buscando uma saída, não sabendo eles que daí podem não sair com vida , .caminho esse que não tem volta .

Na hora que o repórter ,vai entrevistar um garoto que aparenta ter uns 12 anos de idade , esse garoto está preste a ascender o ‘cachimbo’ , e se revolta para o repórter que insiste em ir atraz desse garoto .Mas que se chamou a atenção por um outro garoto que se intitulou pelo nome de ‘Felipe’.Assim o reporter começa a entrevistar ‘Felipe ‘ que diz que não tem medo de ser filmado. Afirmando e contradizendo coisas ‘Felipe’ dá uma aula de vida ; Felipe diz que vai falar com o repórter em Inglês , e cumpre o que se foi dito , logo depois ele fala em mais dois idiomas . Felipe também dá uma aula de História do Terreiro de Jesus , e conta histórias da igreja e dos outros monumentos que se encontram lá, deixando o repórter de boca e aberta . Mesmo sobre o efeito da droga ‘Felipe’ conversa com o repórter, ele aparenta estar bem agitado. ‘Felipe ‘ usa frases bem entendidas , mas usa palavras de agressão e de baixo calão.

Quem vive, convive e passa pelo Pelourinho conhece um pouco da realidade vivida ali … .Pelourinho é um lugar que vivem pessoas com a realidade muito diferente da nossa, pessoas que pouco tem oportunidades , mas quando tem elas são tiradas a força pela pobreza e pela miséria . Peças essas que vivem pedindo comida para turistas e sento sustentadas no berço desse mundo que bate na rosto deles .

E eu me pergunto diante desse matéria , cadê os governantes dessa cidade ?! Cadê o Prefeito ?! será que eles fecharam os olhos para o povo do pelô ?. Cadê uma instituição governamental apta a ajudar e acolher essas pessoas que vivem nas ruas não só do Pelourinho ? Quero ver como vai ser na Copa das confederações e na Copa do Mundo . Quero saber o que iram fazer para ‘esconder’ a verdadeira cara de Salvador .

Será que é esse Centro Histórico de Salvador que é vendido fora daqui ? Disso eu tenho certeza que não.

Tâmara Brito

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ESSA É A SOLUÇÃO?

Vejo tantas pessoas compartilhando sobre a diminuição da maioridade penal. É triste porque não pensam em eliminar o problema pela raiz que é a falta de boas escolas, investimento na educação e lazer… enfim, uma vida digna, sem miséria e tantos problemas que tudo isso causa, que é a violência e o abandono social e familiar. Onde vamos chegar com isso? Mini cadeias super lotadas? É essa a solução? É isso que nossas crianças merecem? E se cada um que compartilha essas ‘idéias’ geniais que provém das mesmas mentes que nos levam a esse estado de pobreza, se essas mesmas pessoas se mobilizassem e se tornassem voluntários, engajados em trabalhar com essas mesmas crianças, delinquentes e/ou futuros delinquentes, fruto de uma política sem comprometimento com o futuro do país? Como seria se tivéssemos pessoas tão preocupadas e disponíveis em ajudar como temos dispostas a compartilhar ‘idéias’ sem nem mesmo pensar na consequência? Será que seria Educação de Qualidade que nosso país precisa? Ou será que precisa de diminuição da maioridade penal? Porque não se engajam em Exigir comprometimento político? São tantas perguntas sem respostas e tão pouca esperança.

Veruska Alessandra

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OS JUSTICEIROS FANTASIADOS DE JORNALISTAS

Acredito que os jornalistas têm um papel fundamental como profissionais comprometidos com o interesse público que é produzir e passar informações de qualidade. Mas do que adianta termos dispositivos legais que enumeram nossos direitos como, respeito físico e moral às pessoas sob a custódia do Estado; dignidade da pessoa humana e prevalência dos direitos humanos se não há eficácia? Eu penso em dignidade da pessoa humana toda vez que sou obrigada a ver nos programas policialescos no horário de almoço, os justiceiros fantasiados de jornalistas, expondo a imagem de crianças e adolescentes em situação de risco e violência. Além disso, transformam o suspeito em criminoso, distorcem a realidade e a mídia explora e dissemina a imagem de mulher sexualmente desejável nas propagandas de cervejas. Sem contar que os justiceiros não se adéquam a evolução conceitual. Um exemplo claro é quando ouço e leio termos como menores delinquentes. Menores delinquentes. O ECA já tem 22 anos e ainda insistem em chamar o adolescente em conflito com a lei de menor delinquente. Eu sou renegada e existem milhões de renegados como eu. Sabe por quê? Eu ligo a televisão e não me enxergo, ligo a radio e não me ouço, abro o jornal massa e o  correio e não me vejo. Agora, mesmo sabendo que os direitos humanos constituem marcos civilizatórios, como os jornalistas do Massa, do Correio, do Se Liga Bocão e de outros jornais que segue o mesmo viés, podem contribuir para o avanço dos direitos humanos na sociedade brasileira? Eu, particularmente, não vejo essa possibilidade.

Monique Evelle

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VAMOS REFLETIR!

Crianças e adolescentes que encontram-se em situação de vulnerabilidade pessoal e/ou social e que, nessas condições, estão expostos a diversos riscos como: violência (física e sexual), uso de drogas (lícitas e ilícitas), exploração como mão-de-obra, má nutrição e diversas doenças. Quando encontramos um menino desse na rua nunca pensamos o que ele sofreu ou mesmo o que o levou a essa situação. A maioria vai logo julgando . Será que nessa situação eles merecem ser julgados? O que eles menos querem nesse momento são pessoas que os julguem, mas sim pessoas que possam entender e ajudar, acionando orgãos competentes de proteção a crianças e ao adolescente como o Ministério Público, a Defensoria Pública ou Conselho Tutelar. Quando essa ajuda não acontece muitas vezes essas crianças são usadas para fins , como o tráfico. E ai sim é mais difícil de resgatá-las . Então antes de julgar, tente ajudar .

Juliana Ferreira.

O responsável pelo conteúdo é o autor.

 

CABEDELO-PB

Moro em um cidade linda (Cabedelo-PB, Bairro de Intermares) e ao mesmo tempo triste, pois do outro lado da pista – BR 230 esta a miséria e a pobreza. Somos cristãos e rotarianos, como filosofia de vida, meu maior objetivo é amar meu irmão, então através do servir posso amá-lo, levando cidadania as nossas comunidades. Então não posso transformar o mundo, mas a minha comunidade sim.. nossas comunidades pode ser transformadas com ajuda de ajudadores e parceiros…hoje a parceria é tudo.Meu desabafo é, sou sulista, mas adotei o Nordeste como minha terra do coração, e fico arraçada com a diferença social e indiferença existente no Nordeste. O Povo precisa acordar para ajudar seu irmãos.
“Somente através da paz e do diálogo, é possível transformar atitudes em ações”.

Sirlei Nascimento Monteiro

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O BRASILEIRO

Eu acredito que o brasileiro tem exatamente o que merece! Se instalou essa suposta “ditadura”, existe algum motivo pra isso certo? Quem mandou o povo brasileiro ser alienado e vivermos numa sociedade machista onde esses supostos “valores” são repassados? Se o brasileiro abrisse a boca pra fazer críticas construtivas, fossem pessoas dotadas de educação e conhecimento tudo bem, mas estamos no Brasil e tudo é mais difícil. A maioria da população tem e manterá aquela velha opinião machista, comentários pobres e desrespeitosos. Então pra que falar? pra ter a liberdade chamando o homossexual de “viadinho” e a lésbica de “sapatona”? e não ser punido por isso? Ficar sendo agredido por nada? só por uma orientação sexual? Ser olhado torto na rua? Sinceramente, as críticas contra homossexuais são em sua maioria esmagadora destrutivos e isso é crime, homofobia e preconceito! Posso até estar errada e da mesma forma apresentar um discurso errado, mas que faz sentido, EU ACHO que faz!

Ana Carolina Santos

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MALCRIAÇÃO

Hoje percebi que a falta de respeito entre as pessoas beira a irracionalidade. Quando penso no século XXI, vejo nossa tecnologia, comunicação e democracia, ao mesmo tempo vejo todo ódio, rancor, vingança e falta de respeito digno do século XV.

Evoluímos na área do desenvolvimento tecnológico, mas no social e humano estamos estáticos, ou até mesmo em queda. Não falo de preconceito de uma classe, cor ou credo, mas é pura e simplesmente falta de respeito. Até confundimos vingança com justiça.

Hoje existem leis para respeitarmos o próximo, que vai da mais simples de dar lugar ao idoso, até a mais grave de não furtar ou matar. Falo isso sem promover o Anarquismo, mas penso que as pessoas praticassem a empatia, viveríamos numa sociedade melhor, não é algo difícil, é apenas isso.

Lucas Antonio

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ESPAÇOS PÚBLICOS DE SALVADOR

Não é um assunto muito frequente entre os principais tópicos de discussão e “protestos”, mas eu, como estudante de arquitetura e urbanismo, tenho estudado muito sobre espaços públicos, principalmente sobre praças e jardins, e é perceptível que Salvador não tem uma “cultura de praça”, no sentido de aproveitá-la, não para beber em botecos de quinta, estacionar o carro e fazer shows decadentes, mas no sentido de compartilhar interesses, passear com pequenos grupos de conversa, fazer piqueniques, atividades físicas, etc.

Salvador não investe. E quando investe, perde para meliantes, moradores de rua, vândalos e, tenha consciência disso, eu e você. Estamos degradando nossas praças cada vez mais e o resultado disso são pessoas que tem medo de frequentá-las, pois dizem estar entregues aos marginais e drogados. Essas mesmas pessoas buscam refúgios nos shoppings centers, que têm aumentado de número de maneira alarmante. Quando não, essas pessoas se escondem dentro de seus condomínios de altíssimo luxo, criando em torno de si uma “cidade particular”. Porém são essas mesmas pessoas que não estimulam o uso e a conservação das praças públicas.

Um exemplo de que o espaço público poder ser muito bem utilizado é o Central Park. Nunca fui, mas já ouvi comentários muito agradáveis sobre como as pessoas, de todos os estilos e idades, aproveitam o espaço. Crianças brincam, idosos caminham, casais namoram, esportistas praticam seus esportes… Enfim. Aqui em Salvador temos o Parque da Cidade, mas e aí? Como ele está agora? Eu, você e a prefeitura abandonamos o parque. Esse é só um dos muitos exemplos.

Recentemente fui a uma praça na Alameda das Espatódea fazer um estudo para um trabalho da faculdade. O trabalho consiste em analisar a praça, seus problemas e criar um projeto solução. O que encontramos? Bancos e brinquedos quebrados, gramado mal cuidado, pedras portuguesas quebradas por todos os lados, falta de acessibilidade, péssima iluminação… O entorno da praça virou estacionamento para os moradores. Segundo o dono de uma banca de revista, quase ninguém usa a praça, nem os alunos das escolas próximas, nem os moradores e, principalmente à noite, ninguém passa por ali, por causa da falta de segurança. A praça foi, inclusive, cenário da violência contra o baterista de uma banda famosa da Bahia.

Até quando deixaremos a cidade morrer em prol das diversões capitalistas, dos shoppings centers, dos condomínios selados? Tem alguma coisa que nós podemos fazer para mudar esse quadro? Fica a questão para quem puder pensar.

Eurídice Cavalcante.

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Uma resposta para “Desabafo Social na Ponta dos Dedos

  1. Muito enteressante . Gostaria De conhecer um pouco mas esse trabalho do desabafo social

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