Arquivo da categoria: Comentários

Humanos ou “Coisas”?

A omissão do Estado, a péssima estrutura policial e a mídia que veicula informações sensacionalistas, faz com que o negro, sobretudo jovem, seja visto como um ser coisificado. Vivenciando essa realidade, boa parte da sociedade naturalizou o extermínio cometido, de forma surreal contra estas pessoas que são discriminadas e mortas, não por seus ideais ou por seus atos, mas pela cor de sua pele.

Os índices são alarmantes. Somente em 2010, no Brasil foram assassinadas 49.932 pessoas, deste total, 53,3% eram jovens, dos quais 76,6% eram negros. Embora os números caracterizem um genocídio em curso, parte da população enxerga a morte da juventude negra como a eficiência das estruturas policiais.

Recentemente uma pesquisa revelou que o assassinato de uma pessoa negra, frustra consideravelmente menos à sociedade do que o assassinato de uma pessoa branca. Este levantamento reforça ainda mais a ideia do naturalismo empregado à barbárie, e nos faz refletir se o Estado nos defende ou nos confronta.

“Numa noite quando estava indo à faculdade, fui revistado duas vezes, pelo mesmo policial”, disse um estudante negro residente de área periférica, na Roda de Conversa sobre o Exterminio da Juventude Negra. Solução pra isso? Existe sim, a solução para termos uma juventude equitativa, não está na esfera criminal… más sim na inclusão.

Elias Lourenço  ,  Maceió-AL.

O responsável pelo conteúdo é o autor.

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Desabafo sobre a Copa

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Aquela alegria com gosto de hipocrisia me deixava enjoado. Os paulistanos que chegavam ao metrô e que nunca pisaram em Itaquera estavam mais perdidos que os gringos. Uma confraternização me levava à outra dimensão, aquilo que estava na minha frente não era real. O cerco policial isolou Itaquera do resto dos brasileiros, transformando numa fantasia padrão Fifa.

Junto com dois futuros jornalistas, encontramos pessoas que tentaram romper com o mundo encantado, a EXTREMA violência dos cães-de-guardas impedia que centenas de pessoas se manifestassem contra o Circo a Copa.

Um contingente militar de maior número que os próprios manifestantes, assustava quem passava por perto. Duas estações estavam fechadas como forma de prender os manifestantes naquela pequena rua até o apito final, uma estratégia covarde e proibida.

Algo pouco mostrado pela “imprensa marrom” é que os policiais agiram primeiro, a violência que PARTIU DELES foi cruel e não se importava quem fosse atingido por ela. A ação terminou com um saldo “positivo” de, pelo menos, cinco jornalistas feridos e dezenas de manifestantes sangrando.

Cansado de correr das bombas e balas de borracha, voltei para casa já tarde da noite. Achei no mínimo engraçado quando soube das vaias à Dilma. Tentei imaginar o que a pessoa que vaiava pensava: “Meu país está um lixo, vou vaiar porque ela está acabando com ele” … “Gol do Brasil!!”.

Lucas Antonio, São Paulo.

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Nota

Nem todos os alertas, todos os exemplos, todas as estatísticas e todos os argumentos irão acabar com a vontade de uma parte da população de diminuir a maioridade penal. Assim como acreditar em Papai Noel, essas pessoas acreditam que a … Continuar lendo

O pior analfabeto é o analfabeto midiático.

[Reproduzido da revista FORUM.com.br (em 20/08/2013)].

O analfabeto midiático

“Ele imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo esforço intelectual”. Reflexões do jornalista Celso Vicenzi em torno de poema de Brecht, no século 21.

Por Celso Vicenzi, no “Outras Palavras”. 

O pior analfabeto é o analfabeto midiático.

Ele ouve e assimila sem questionar, fala e repete o que ouviu, não participa dos acontecimentos políticos, aliás, abomina a política, mas usa as redes sociais com ganas e ânsias de quem veio para justiçar o mundo. Prega ideias preconceituosas e discriminatórias, e interpreta os fatos com a ingenuidade de quem não sabe quem o manipula. Nas passeatas e na internet, pede liberdade de expressão, mas censura e ataca quem defende bandeiras políticas. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. E que elas – na era da informação instantânea de massa – são muito influenciadas pela manipulação midiática dos fatos. Não vê a pressão de jornalistas e colunistas na mídia impressa, em emissoras de rádio e tevê – que também estão presentes na internet – a anunciar catástrofes diárias na contramão do que apontam as estatísticas mais confiáveis. Avanços significativos são desprezados e pequenos deslizes são tratados como se fossem enormes escândalos. O objetivo é desestabilizar e impedir que políticas públicas de sucesso possam ameaçar os lucros da iniciativa privada. O mesmo tratamento não se aplica a determinados partidos políticos e a corruptos que ajudam a manter a enorme desigualdade social no país.

Questões iguais ou semelhantes são tratadas de forma distinta pela mídia. Aula prática: prestar atenção como a mídia conduz o noticiário sobre o escabroso caso que veio à tona com as informações da alemã Siemens. Não houve nenhuma indignação dos principais colunistas, nenhum editorial contundente. A principal emissora de TV do país calou-se por duas semanas após matéria de capa da revista IstoÉ denunciando o esquema de superfaturar trens e metrôs em 30%.

O analfabeto midiático é tão burro que se orgulha e estufa o peito para dizer que viu/ouviu a informação no Jornal Nacional e leu na Veja, por exemplo. Ele não entende como é produzida cada notícia: como se escolhem as pautas e as fontes, sabendo antecipadamente como cada uma delas vai se pronunciar. Não desconfia que, em muitas tevês, revistas e jornais, a notícia já sai quase pronta da redação, bastando ouvir as pessoas que vão confirmar o que o jornalista, o editor e, principalmente, o “dono da voz” (obrigado, Chico Buarque!) quer como a verdade dos fatos. Para isso as notícias se apoiam, às vezes, em fotos e imagens. Dizem que “uma foto vale mais que mil palavras”. Não é tão simples (Millôr, ironicamente, contra-argumentou: “então diga isto com uma imagem”). Fotos e imagens também são construções, a partir de um determinado olhar. Também as imagens podem ser manipuladas e editadas “ao gosto do freguês”. Há uma infinidade de exemplos. Usaram-se imagens para provar que o Iraque possuía depósitos de armas químicas que nunca foram encontrados. A irresponsabilidade e a falta de independência da mídia norte-americana ajudaram a convencer a opinião pública, e mais uma guerra com milhares de inocentes mortos foi deflagrada.

O analfabeto midiático não percebe que o enfoque pode ser uma escolha construída para chegar a conclusões que seriam diferentes se outras fontes fossem contatadas ou os jornalistas narrassem os fatos de outro ponto de vista. O analfabeto midiático imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo de esforço intelectual. Não se apoia na filosofia, na sociologia, na história, na antropologia, nas ciências política e econômica – para não estender demais os campos do conhecimento – para compreender minimamente a complexidade dos fatos. Sua mente não absorve tanta informação e ele prefere acreditar em “especialistas” e veículos de comunicação comprometidos com interesses de poderosos grupos políticos e econômicos. Lê pouquíssimo, geralmente “best sellers” e livros de autoajuda. Tem certeza de que o que lê, ouve e vê é o suficiente, e corresponde à realidade. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o espoliador das empresas nacionais e multinacionais.”

O analfabeto midiático gosta de criticar os políticos corruptos e não entende que eles são uma extensão do capital, tão necessários para aumentar fortunas e concentrar a renda. Por isso recebem todo o apoio financeiro para serem eleitos. E, depois, contribuem para drenar o dinheiro do Estado para uma parcela da iniciativa privada e para os bolsos de uma elite que se especializou em roubar o dinheiro público. Assim, por vias tortas, só sabe enxergar o político corrupto sem nunca identificar o empresário corruptor, o detentor do grande capital, que aprisiona os governos, com a enorme contribuição da mídia, para adotar políticas que privilegiam os mais ricos e mantenham à margem as populações mais pobres. Em resumo: destroem a democracia.

Para o analfabeto midiático, Brecht teria, ainda, uma última observação a fazer: “Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual”.

Sabotagem X Manifestação

O dia em que São Paulo parou!

FIFA

Militante nunca desiste da luta, fazendo chuva ou sol, como ou sem transporte o individuo tem uma reunião e enfrenta as adversidades para chegar até o local na região central de São Paulo, uma das maiores doideiras da minha vida (olha que eu já ate saltei de paraquedas) Mas notei o quanto e surreal ver a cidade parada pois não se tem transporte público viário , os ônibus estão sem rodar em diversos terminais, diversas linhas da periferia e do centro estão sem sair de suas garagens, deixando mais de 5 MILHÕES DE PASSAGEIROS (exatamente 5.469.794 passageiros por dia – dados da SPTRANS relativos aos três primeiros meses de 2014 , empresa que administra o transporte em SP). E não podemos esquecer-nos da media de 3 milhões de passageiros que andam de metro (cabe tudo isso?) .

Olhando as ruas enquanto perambulava pela cidade atrás de uma entrada no metro vazio, via as pessoas perdidas, desesperadas sem saber como voltar pra suas casas, mulheres com crianças de colo, idosos sem espaço e dignidade para entrar num único ônibus que rodava, onde a palavra superlotação era elogio naquele momento, vi pessoas voltado para dormir em seus trabalhos, ligando para os familiares dizendo que sem condições de chegar em casa ! Eu não me sentia tão preocupado para chegar em casa, até por sei me virar muito bem para chegar “na quebrada” em casos de extremos na cidade, mas ontem olhei o quando essa coisa chamada ônibus é necessário para um trabalhador, mesmo sendo comparado á um navio negreiro que vivia abarrotado de pessoas sem condições humanas de estarem ali, onde ele sofre, mas em sua ausência, não sabe o que fazer.

Sempre tem alguém para estragar as coisas, e começaram a incendiar ônibus em algumas regiões da cidade, foi quando o grande estopim surgiu, pois todas as empresas de ônibus mandaram recolher seus veículos da rua. Uma cidade que não dorme como São Paulo às 23hs não teria mais ônibus nas ruas, onde o desespero se tomava conta! Sorte de alguns onde alguns motoristas solidários levavam os passageiros que estavam nos terminais até imediações das garagens de suas empresas para que o povo ficasse um pouco mais próximo de suas casas e enfrentassem as longas caminhadas, incertas, inseguras e que geravam duvidas: – Como será amanha?

Estão fechando tudo, fecharão tudo e a população vai pagar. É sabotagem ou uma forma valida e democrática de participação e mobilização da classe trabalhadora? Estou nessa duvida e angustia em saber o que acontece, onde vai parar tudo isso, até onde a população vai pagar por isso, por questões trabalhistas ou partidárias? Vamos refletir até onde e como se manifesta! Enquanto isso vou lembrar pro resto da vida… O DIA QUE SÃO PAULO PAROU! Caos social instaurado! IMAGINA NA COPA ?

Carlos Alberto, São Paulo.

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Nota

“Atire a primeira pedra quem nunca errou”, frase dita por um certo homem que viveu há dois milênios e que ainda não foi muito bem assimilada pelas pessoas. O caso de Maria Madalena que seria linchada até a morte por … Continuar lendo

Golpe Militar – 50 anos.

No dia 31 de março, o Golpe Militar completou os 50 anos. Marcado pela falta de liberdade, sequestro, torturas assassinatos e outras atrocidades, os 21 anos de regime fechado (1964 a 1985) do Brasil pode ser considerado a pior coisa que aconteceu no país, mas para muitos jovens (muitos mesmo) foi algo bom, (aff).

Longe de querer que eles se calem (até porque não sou nenhum sensor da ditadura), mas penso que um pouco de sensibilidade e senso político iria fazê-los entender o que foi o que foi aquele período sem precisar ter vivido (e ainda bem que não viveu). Mas para ter uma experiência, não precisamos voltar no tempo.

Bom, para entender como as coisas mudaram em 50 anos eu explico.  Antigamente os militares torturavam e matavam políticos, negros, pobres e índios. Hoje em dia, os militares torturam e matam negros, pobres e índios, bom… ainda não avançamos muito.

Depois dos 50 anos do Golpe, as perseguições e repressões policiais ainda continuam nas favelas e comunidades. Somente em janeiro deste ano, 76 pessoas foram mortas em São Paulo. O último caso de maior repercussão sobre esta violência foi à morte do servente de pedreiro Amarildo, protagonizado pela Polícia ‘Pacificadora’ do Rio de Janeiro, até hoje os PM’s envolvidos não foram julgados.

Sei que a maioria das pessoas quer os militares longe do poder, mas a outra parte da sociedade não deixa de ser preocupante. Mesmo tão recente na nossa história, a ditadura precisa ser mais discutida, devemos sempre reafirmar do quanto foi negro este período e homenagear os brasileiros desaparecidos nos porões da ditadura.

Lucas Antonio

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Comemoramos o Dia Internacional da Mulher dando pauladas nas nossas mães

Dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher, mais uma data que deve ser lembrada para as pessoas refletirem sobre as violências contra as mulheres e a luta pelos direitos iguais. Não sou muito fã de escrever coisas que outros blogs escrevem, mas sinto que precisamos lembrar-nos do quanto à mulher sofre no Brasil.

Sendo sincero, o que me motivou a escrever este texto foi um comentário feito por um internauta após um artigo que fala sobre a morte de uma criança espancada pelo pai por ter um “comportamento afeminado”: “Se essa criança gostava de lavar louças e de dançar a dança do ventre é por culpa da mãe, uma mulher irresponsável que não a levava para escola e, com certeza, a colocava para lavar louças e ficar vendo ela ou alguém de casa dançando esse tipo de música, Nenhuma criança nasce gostando de lavar louças e nem de dança do ventre ou qualquer uma outra. Ela, a mãe, foi tão irresponsável e culpada pelo seu assassinato pelo fato de ter mandado o menino pra casa do pai, traficante e sem vínculo nenhum com o garoto.”. Claro, a culpa é da mãe.

Mesmo depois de quase um século celebrando esta data, nos deparamos com comentários como estes, o problema maior é que este cidadão não está sozinho. Estamos deixando de discutir os problemas que as mulheres enfrentam numa sociedade machista para falar sobre seus “benefícios” como “Ah, mas ela se aposenta mais cedo” e “A mulher tem uma delegacia só para ela”.

Se for mulher é uma vantagem, por que 50 mil mulheres sofrem violações sexuais (estupro) por ano no Brasil (Ministério da Justiça, 2013)?  Por que o Brasil é o sétimo país mais violento contra as mulheres (Organização Mundial da Saúde, 2012)? Talvez, precisaremos de mais um século para deixarmos a ideia de que mulher  só aprende apanhando bastante.

Lucas Antonio

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A verdadeira polêmica.

A última década vem sendo bombardeada por assuntos considerados bem polêmicos. Desde a pena de morte, maioridade penal juvenil, cura gay e o mais recente, o beijo homossexual exibido na televisão aberta. A cena apresentada pela Rede Globo no último dia 31 de janeiro, no horário nobre, causou um espanto para muitos telespectadores, principalmente para os mais conservadores. As redes sociais e demais mídias não falaram de outra coisa, que não fosse a repercussão da cena na sociedade. Condenada por muitos, a emissora do Plin Plin foi alvo de críticas pesadas pela ousadia de ter exibido pela primeira vez em rede nacional, as bitocas dos atores Thiago Fragoso e Mateus Solano.

Entre os principais críticos, se encontram os fanáticos religiosos. Pessoas que usam da religião, da bíblia e do nome de Deus para estar acima das outras, ou pelo menos, pensam que estão.  Sou obrigado a concordar que a Globo no que diz respeito ao seu conteúdo, tem acabado com os valores que deveriam ser disseminados na sociedade e tem apresentado lixo ao invés de fazer jus ao seu nome. Mas… Maaaas, isso não se encaixa quando falamos do beijo gay. Que se trata mais de preconceito e hipocrisia por parte dos que não gostaram.

A homossexualidade é um fato desde os tempos mais remotos do planeta e não há nada que alguém possa fazer para mudar isso, muito menos, sei lá, tentar exorcizar alguém. A diferença é que hoje nós temos um mundo mais aberto a aceitação (em partes) e algumas pessoas têm evoluindo no jeito de pensar, ao contrário de muitos que estão empacados no século passado (nada é perfeito, não é?). E outra, o fato de uma criança assistir a cena, não incentivará ele a sair beijando os coleguinhas. Muito pior são as cenas de traição, roubo, assassinato, promiscuidade e demais inversão de valores, isso sim é um belo incentivo, ainda mais quando quase sempre, aqui no Brasil, o vilão sai ileso… Um abraço pro Genuíno!!!

Enfim, é total hipocrisia achar que uma cena, uma interpretação de um personagem possa denegrir a imagem da família brasileira, quando praticamente não existem famílias como antes. Quando pai e mãe vivem brigando, quando casamentos não duram, quando traição é algo normal, afinal, temos que curtir “o hoje…” Além de tudo, é a nossa realidade. Se você sai num domingo à noite em BH, a quantidade de homossexuais chega a espantar, não um espanto ruim, mas algo que foge do que estamos acostumados. E por isso você vai parar de sair com o seu filho? Vai dizer que isso é errado, quando um beijo gay é algo super normal?

O seu preconceito, a sua hipocrisia e a sua ignorância, não irá mudar realidade alguma, mas basta um pensamento diferente e você verá as coisas de outra forma.

Igo Bolleli

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Mandela deve estar se revirando no túmulo.

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É surreal vê que retrocedemos a ponto de voltarmos ao tempo em que negro era posto no tronco e açoitado. Pior é ver que muitas pessoas apoiam tal atitude, e ainda meios de comunicação que tem um poder de influência enorme incentivam para que essa cena absurda se repita.

De tantos  “bandidinhos” nesse país como ; políticos, juristas,playboy, etc,por que somente esse adolescente foi parar no tronco? Talvez (tenho certeza) porque é negro,pobre,morador de rua,porque a sociedade o vê como um problema que deve e merece ser exterminado.

Para os que concordam com tais absurdos, quero lhes lembrar que o caráter e a personalidade são frutos de uma construção junto a sociedade. Esse garoto há 15 anos, queridos, era apenas uma criança, um bebê, sua mente e personalidade era como um vazo de argila, que com o passar dos anos seria moldada. O grande problema estar nos primeiros moldes. Seu pai, talvez não fosse o ideal e não foi, afinal morreu no tráfico. Talvez seu vizinho fosse mais simpático. Não , pois esse é o  traficante, que dá bom dia,  gosta de crianças, e demonstra seu amor distribuindo pipas para elas (outro também  fruto do processo ).Ah, mas ainda temos a escola, um lugar  saudável,seguro e de aprendizagem, onde se aprende os alunos dos melhores valores da vida. Sabemos que não. Hoje a mãe que protege seu filho do traficante que faz papel de papai noel, fica sem saída no momento que leva seu filho a escola, pois já tem outros bons velhinhos dentro da escola , outros já prontos para lhe ensinar como viver na selva. Mas ai queridos, vem a melhor parte: todos nós ou pelo menos 99,9% assistimos tudo isso passivamente, pior,fingimos não ver , e quando esses jovens passam a nos  incomodar, passamos a enxergá-los, e a chamá-los de “bandidinhos”. (esse um processo grande, nada simples).

Ouvi alguém dizer a seguinte frase : ” e aos defensores dos direitos humanos que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha, faça um favor ao Brasil, adote um bandido “. Por que esperar todo esse processo que citei para adotá-lo? Por que não romper o processo antes que se tenha o produto final? Porque é mais cômodo estar na bancada de um telejornal no ar-condicionado,com paparicos como se fosse criança. É mais cômodo estar no sofá de casa assistindo o tal telejornal. Todos nós contribuímos para a construção de jovens com valores distorcidos e que acabam se tornando mais um fantoche da grande empresa chamada violência. Fazemos como alguns policiais corruptos que falam: Vamos esperar crescer pra matar. E nós esperamos crescer para condená-los.

São só ex-crianças que não tiveram seus direitos garantidos, que não tiveram o necessário pra se manter fora da  empresa Violência.

Depois dos últimos acontecidos, Mandela deve estar se revirando no túmulo.

Luanderson Ponciano

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Em democratização.

CF/88

A humanidade desde a sua origem formou-se através da diversidade de línguas, valores, tradições sociais, religiosas, políticas. Toda cultura se torna dinâmica, durante o encontro ou confronto com outras, desencadeando o surgimento de novos fatores que resultam o surgimento de novas culturas.

Por conta disso, a dominação cultural transformou-se em uma forma de controle de um povo sobre outro povo. A cultura não pode ser vista como um elemento próprio de um povo, ao contrário do pensamento da sociedade de uma forma geral.

Portanto, fatalmente, por conta de sua própria formação e dinâmica, quando uma cultura entra em confronto com outra, pode gerar o etnocídio, uma sociedade acaba se apropriando dos elementos da outra, se transformando em permanente.

É um desafio para o ser humano aceitar esse processo e respeitar as diferenças. O respeito à diferença está assegurado na Constituição Federal Brasileira de 1988  e na legislação internacional. Mas só o reconhecimento do príncipio não basta, tudo que é visto na constituição deve ser praticado.

Estão inclusas na legislação, leis federais que asseguram o direito dos afro-descendentes, dos índios, das mulheres e da diversidade cultural.

Então, para que haja uma mudança permanente nas formas de relações entre os diferentes povos e seres humanos, é necessário construir uma nova maneira de abordar a diversidade étnica e a diversidade de gênero.

Há vários meios que podem levar essas mudanças para a sociedade de uma forma geral. Escolas e universidades (públicas e privadas), movimentos sociais e  organizações não governamentais são exemplos disso.

Irene Santos

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Como eu me sinto..

A equipe do Desabafo Social parou para ler a excelente matéria “A cor da relação. Mulheres negras e as dificuldades com romances sérios” veiculada no site Kultafro. A matéria mostra que o racismo perpassa por diversos campos, inclusive quando se trata de relacionamentos amorosos. É triste ter que concordar que isso é uma realidade.

Então, resolvemos bater um papo com algumas pessoas que passaram e passam por situações de racismo em seus relacionamentos ou nas suas tentativas de relacionamento e que se sentem incomodadas.  Olha só os depoimentos delas!

OBS: Os nomes são fictícios para proteger as identidades.

 

“O racismo está presente no nosso cotidiano, e muitas vezes é manifestado por meio de “brincadeiras” . Lá onde estudo, por exemplo, desde quando eu entrei as brincadeiras são voltadas pra mim e para as pessoas negras. Todos os personagens negros tornam-se apelidos pra você. E de certo modo, eu tive que aprender a não ligar, pois caso contrário eu não iria conseguir continuar lá. Sobre namoro… meu namorado é branco e não houve resistência da família dele nem dos amigos. Só as vezes quando estou com ele andando na rua que as pessoas olham com aquele jeito de reprovação. Geralmente eu não ligo, porque olhares como estes vem de pessoas que não conhecemos e que querem interferir em algo que não lhes cabe. No inicio do nosso relacionamento eu ainda ficava um pouco triste, desconfiada, mas agora não mais.”

Beatriz, 18 anos.

Já fui por diversas vezes vítima de brincadeiras racistas. E o mais ‘engraçado’ de tudo é que essas brincadeiras vieram de amizades próximas. Antes de namorar um africano, me apaixonei loucamente por um cara branco. Na época em que isso aconteceu, nós tínhamos entre 16-17 anos. Estudávamos na mesma escola e também tínhamos praticamente o mesmo círculo de amizade. Cheguei a expressar o que sentia por ele várias vezes, até senti que o sentimento que eu tinha por ele era de fato correspondido, mas ele nunca deixou isso claro. Minha autoestima despencou. Me sentia a menina mais feia da escola. Sempre sofri por ser gordinha, mas esse fato fez com que a minha visão fosse ampliada, comecei a ver que a cor da minha pele era o grande fator dessa rejeição. Quando comecei a namorar com um africano, não foi devidamente pelo fato de não querer me envolver com um cara branco. Me sinto muito atraída por homens negros e me senti mais segura com ele.. Se eu saio com minhas amigas e sou a única negra da galera, os rapazes só olham para elas. É terrível. É como se eu fosse invisível. Sempre fiz questão de me vestir bem e sei que me visto bem, mas ainda assim não sinto que eu me destaque diante delas.  Nós mulheres negras merecemos o respeito e o reconhecimento que nunca nos foi dado, mas que é nosso por direito.”

Luciana, 21 anos.

 “Piadinha racista é o que mais escuto. E depois de uma brincadeira sem graça, vem um pedido de desculpa com um sorriso estampado no rosto. Geralmente são “amigos” que cometem essas garfes ou falam o que realmente pensam em tom de brincadeira. Nos lugares que frequento, na maioria das vezes sou a única negra. E só chamo atenção por ser a única negra no tal lugar. Não ligava em sair com minhas amigas não negras. Mas com o tempo você se sente desconfortável e faz mal para sua autoestima. É horrível ter que admitir que não sou a única que é vista como objeto sexual. Mulheres negras são vistas sim como objetos sexuais. É hipocrisia dizer que isso é mentira. Por mais inteligente que você seja, por mais independente que você seja, infelizmente os rapazes, tanto os brancos quanto os negros, têm receio de se envolver com você. E não adianta eu desabafar com minhas amigas brancas, elas nunca entenderão e vão achar que é coisa de minha cabeça. Me chamam de linda, estilosa, poderosa, mas não irão entender de jeito algum que a situação é muito mais complexa do que elas imaginam. Você pode ocupar espaço de poder, ser independente , ter uma boa situação financeira etc , mas o racismo continua. “

Maria, 19 anos.

“Das situações que já passei, percebi que muitos homens acham que as mulheres negras são mulheres fáceis e que não são pra relacionamentos sérios. Muitos também veem beleza somente em mulheres brancas .  Esse tipo de coisa dá até pra perceber nos tipos de cantadas e na forma de conversar. Além disso percebi também que por ser negra e mulher muitas vezes as pessoas tratam como pessoa incapaz ou limitada e coisa do tipo. Fora as represarias de vários lados principalmente do lado estético que está sempre tentando tornar a mulher negra em algo parecido com mulher branca de cabelos lisos e etc.”

Jaqueline, 19 anos.

“Quando ganhei um bolsa no curso de fotografia fiquei super alegre. Mas quando cheguei lá senti meio que uma diferença do professor para comigo, pelo fato de eu não ter pago e também pela minha cor. Eu e uma amiga era as únicas negras e o restante dos alunos era o filho da dona do ateliê, uma psicóloga etc. Eles tratavam  a gente como coitadinhas por morar no subúrbio e ser negras. O professor nunca nos dava atenção. Fiquei muito interessada por uma dos alunos, mas ele olhava pra mim como um olhar de repressão. Era horrível! Me senti muito incomodada naquele lugar por conta disso. Sei que não deveria sentir isso, mas me sentir envergonhada e inferior pela minha cor.”

Michele , 18 anos.

“Considerar essas situações incoerentes ou fora do comum é um pouco hipócrita da minha parte. Com certeza o preconceito existe, em ambas as partes . Tenho amigas brancas saio com elas , mais nunca tive nenhum problema com relação a minha cor  ou constrangimentos vinculados a isso . Até porque , amo minha cor , penso até que seja o meu diferencial na hora da paquera … Como diz um amigo meu * Nossa cor e a mais cara do mercado “.

Joana, 20 anos.

Recife Frio

O curta-metragem Recife Frio (24 min), produzido pelo diretor e roteirista Kleber Mendonça Filho, assim como Eletrodoméstica (2005) e Noite de sexta, manhã de sábado (2006) foi super premiado. Melhor curta curta no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, melhor filme pelo público e melhor roteiro no Festival de Brasília.

A princípio, aparenta ser um documentário sobre mudanças climáticas. Entretanto, o diretor utiliza essa temática para fazer uma críticas às relações socioculturais que sempre giram em torno do capital.

Brilhantemente, o documentário, corelaciona patrão e empregado com a Casa Grande e Senzala, isto é, destaca que quem detém o poder econômico se sobrepõe aos que não o possuem. Além disso, com um tom sarcástico, mostra a conveniência burguesa de objetivar o lucro através do caos socioambiental.

Por ser um filme bastante crítico, é extremamente importante que todos assistam para refletir a sua atuação na sociedade contemporânea.

Um dia que deve ser lembrado

Para muitos, o dia 10 de dezembro é uma data normal, já que não tem feriado, porém nela se celebra o Dia Internacional da Declaração dos Direitos Humanos. O dia remete a publicação da Carta Internacional dos Direitos Humanos da ONU em 1948. Agora vem a pergunta: Por que essa data é importante?

Simplesmente porque ainda não entendemos o que significa isso, mesmo depois de 65 anos. Frases como: “Direitos humanos para humanos direitos” ou “Direitos dos Manus” nos mostram que as pessoas não entenderam como funciona ou ainda não estão preparadas para aceitar a diferença das outras.

O senso comum diz que os Direitos Humanos só servem para bandido, alguns vão mais longe, diz que quem defende os Direitos Humanos também é bandido. Bom, só posso dizer que está data serve aos que pensam assim, pois mesmo falando uma barbaridade de ignorância como esta, os Direitos Humanos te protege de qualquer julgamento assegurando o direito de se expressar. Portanto, estudem o tema.

Lucas Antonio

O responsável pelo conteúdo é o autor.

São Paulo, uma terra privilegiada

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O paulistano é um cidadão privilegiado e não sabe disso. Na terra da garoa você encontra locais de bastante cultura e entretenimento, todo cidadão tem à disposição espaços como o Teatro Municipal, o Masp, Museu da Língua Portuguesa, shoppings em cada esquina e entre outros.

E o conforto não para por aí, SP oferece a maior e mais moderna linhas de metrô do Brasil que universaliza o acesso das pessoas mais carentes no centro da capital. Além da nossa grande frota de ônibus que tem até televisão.

À defesa dos nossos cidadãos direitos também é algo que o estado se preocupa. A nossa Polícia Militar, que estabelece a ordem em toda a cidade, é a maior polícia do Brasil e a terceira maior da América Latina. Os números comprovam seu trabalho árduo, a cada dois dias, três marginais morrem em suas mãos.

Aqui em SP, só não tem dinheiro quem quer, pois estamos falando da capital brasileira mais moderna e rica em oportunidades de trabalho. Em cada esquina sempre há alguma vaga sobrando, por isso que tantas pessoas vêm pra cá, porque aqui é borbulha dinheiro. É uma pena que vagabundos coloquem a culpa de sua miséria na cidade.

E como se não bastassem todos estes atrativos, a maios cidade do Brasil dispõem de um circo aberto. Com sorte, você em seu seguro veículo pode para em um farol e dar de cara com uma criança fazendo malabarismo com cones, bolas e bastões, além de pequenos mágicos com diferentes truques. Se você estiver andando pela cidade, poderá encontrar um bêbado interpretando os palhaços circenses, fazendo diversas trapalhadas para a população dar risada. E por fim, nas calçadas o espectador encontrará pessoas deformadas imitando as aberrações que o circo trás. Tudo isso de graça!!

Atenção! Texto contém ironia.

Lucas Antonio

O responsável pelo texto é o autor.

É possível protagonismo juvenil sem reforma política?

Há quem tenha aversão com o termo protagonismo juvenil. Talvez por considerar individualista demais. Porém, a ideia proposta por Antonio Carlos Gomes da Costa, pedagogo e redator do Estatuto da Criança e do Adolescente, acerca do protagonismo, não se esgota na individualidade. A partir do momento que o jovem atua de forma ativa, colaborativa e construtiva nas decisões que irão impactar na sua vida e na sociedade, está exercendo o seu papel de protagonista.

Censurados, invisíveis e espalhados pelos quatro cantos, os protagonistas juvenis vem desenvolvendo ações de grande impacto, mostrando engajamento e compromisso naquilo que acreditam. Seja no recorte social e político, seja no recorte econômico e cultural.

Discutir sobre esse assunto sem falar em reforma política, não dá né?

Durante as manifestações de junho deste ano, o tema reforma política foi recolocado em debate nacional, fazendo com que a presidente Dilma elencasse propostas como responsabilidade fiscal e plebiscito para formação de uma constituinte sobre reforma política. Entretanto , vale destacar, que o debate e as propostas se esgotaram exclusivamente no viés eleitoral.

Quando discutimos sobre esse tema um leque de perspectivas e mudanças devem ser levados em conta. Um exemplo é a Política Militar Brasileira. É evidente que a PM age com violência. As ações truculentas têm lugar e público reservado: periferias e negros. Não foi atoa que em 2012 o Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu que o Brasil combatesse a atividade dos “esquadrões da morte”. Assim como os casos “Amarildos”, trazem grande repercussão fazendo surgir revolucionários das redes sociais, é necessário uma enorme mobilização para que seja aprovado o projeto de lei 4471/2012. Para quem não sabe, esse PL prevê a investigação de homicídios cometidos por policiais durante o trabalho. Começar a discutir reforma política destacando esse ponto, já é um bom começo.

Já ouviu falar do Programa Estação Juventude ? Pois bem, o Programa Estação Juventude pretende ampliar o acesso de jovens de 15 a 29 anos, que vivem em áreas de maior vulnerabilidade social, às políticas, programas e ações integradas no território que assegurem seus direitos de cidadania e ampliem a sua inclusão e participação social. Um programa como esse , pode trazer grandes impactos positivos. Salvador, terceira cidade mais violenta do país segundo o Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americano (Cebela) , não conseguiu a pontuação mínima necessária para ser classificada nesse programa. Sem conselho, sem secretaria e sem política de juventude fica difícil. Em contrapartida, a capital da Bahia conseguiu aprovar projetos de R$ 50 milhões para requalificar a orla da Barra. Enfim né.

Protagonismo juvenil é a participação do adolescente em atividade que extrapolam os âmbitos de seus interesses individuais e familiares e que podem ter como espaço a escola, os diversos âmbitos da vida comunitária; igrejas, clubes, associações e até mesmo a sociedade em sentido mais amplo, através de campanhas, movimentos e outras formas de mobilização que transcendem os limites de seu entorno sócio- comunitário ” (Costa, 1996:90)

Falando em transcender os limites, pensando nos lindos discursos dos parlamentares sobre a importância da participação do jovem nos espaços de poder e considerando a perpetuação do político no cargo, seria a protagonismo juvenil uma utopia? É uma questão relevante a se pensar.

Como já citei em outro texto – Reflexividade Colaborativa que está no blog do Desabafo Social – o número de adolescentes e jovens que são assassinados no Brasil, é muito maior do que o número de jovens que cometem assassinato.

Presenciamos o extermínio antecedendo o protagonismo juvenil e a polícia chegando antes das políticas públicas. Curtir apenas , já não tem efeito. Ou melhor, nunca teve. Se realmente queremos reforma política, e não apenas eleitoral, vamos levar essa discussão para o campo popular.

Eu sou a favor das manifestações, mas…

Pois é, acho que você já deve ter ouvido este começo de frase. Esta semana acompanhamos as manifestações no eixo Rio-São Paulo pedindo melhoras na educação, uma causa verdadeiramente nobre, e que todos os brasileiros acreditam que precisa ser melhorada. O grande problema (para a grande parte da população) é o que ocorre durante as manifestações, os conhecidos “mascarados” que espalham o pânico e terror nos “cidadãos de bem”.

Eu vejo todo esse medo da população com humor, é engraçado como a mudança de valores transforma uma pessoa que esta protestando em bandido que precisar “levar bala”.

“Ah, mas ela destrói patrimônio público”, “eles quebram tudo”. É muito fácil para um acomodado dizer isso, já que ele aceita que crianças cresçam sem saber ler, sem saber escrever, sem ter oportunidade a uma carreira, sem ter acesso a um ensino de qualidade, em uma escola de lata, ou que professores se matem para dar aulas para ganhar um salário medíocre, ou que tenham uma péssima formação e deem aula para mais de 50 alunos numa sala… E por aí vai.

Na verdade, eu não culpo essas pessoas por pensarem assim, essas confusões sobre o verdadeiro sentido das manifestações acontecem por causa da falta de conhecimento da nossa população, não temos grandes embates históricos na nossa cultura, e que também o protesto não está no sangue do brasileiro, acomodado e passivo com a nossa triste realidade.

Abaixo eu listei alguns argumentos usados por essas pessoas para tentar explicar o que é uma manifestação:

Eu sou a favor das manifestações, mas sem quebra-quebra: As manifestações, por si só, já são uma revolta, e quando alguém, ou um aglomerado de alguns estão revoltados (ainda mais com tantos motivos já citados), sairá quebra-quebra. Nós queremos chamar atenção, queremos mudar, e para isso seremos contundentes e fortes. As coisas não irão pra frente se só ficarmos pedindo ”por favor,”.

Eu sou a favor das manifestações, mas elas têm que ser pacíficas: Típico erro de pessoas que descobriu agora o que é um protesto. Na verdade, o que essas pessoas são favoráveis são as passeatas, que são lindas, tranqüilas, todo mundo cantando a mesma música como num coral, e que não resolve nada.

Eu sou a favor das manifestações, mas ela não pode incomodar os outros: Nesta o nosso cidadão não quer ser incomodado por pessoas, bom, se milhares de pessoas estão reivindicando algo, ou cobrando melhorias para o país, este cidadão deveria ficar agradecido, já que ele será beneficiado com a mudança sem precisar tirar a bunda do lugar.

Eu sou a favor das manifestações, mas sem vandalismo: Veja primeiro item.

Lucas Antonio

O responsável pelo conteúdo é o autor.

A vida se repete na estação.

Quem quer ouvir uma boa história, vá a um terminal. Pode ser terminal rodoviário, de trem ou metrô, há sempre histórias muito boas de qualquer pessoa. Histórias para rir, para chorar, para refletir e de qualquer outro gênero, histórias que qualquer pessoa vive ou viveu num terminal.

Pelos terminais que passei como Santana, Barra Funda, Tietê, Bandeira e Itaquera. Costumo prestar atenção nas pessoas, vejo-lhes esperando seus amados com flores ou seus amigos, passeando com a família ou em grupos, bebendo a espera de um ônibus e pessoas em situação de rua pedindo uma moeda e um pouco de afeto.

Está ultima situação, me fez lembrar uma história que ocorreu comigo, Pedro, Brenda e Arthur, quando voltamos do II Congresso do Fórum Estadual dos Direitos Humanos da Criança e do Adolescente. Estávamos na estação Barra Funda esperando algo pelo qual não me recordo. A Brenda tinha um violão, mas não sabia toca-lo e eu achava que sabia, por isso tentava fazer um som com ele. Foi aí que surgiu um homem pedindo uma moeda, não tínhamos, e depois ele pediu emprestado o violão que estava em minhas mãos e o tocou de forma excepcional, como alguém só com um dom poderia tocar, aos poucos, outras pessoas chegaram e começou uma espécie de sarau com músicas e rimas.

Depois de certo tempo, seguranças se aproximaram para expulsá-los, alegando que estavam “badernando”, tentamos impedir que eles saíssem, mas os seguranças ameaçaram de nos expulsar também e as próprias pessoas com quem estávamos aceitaram a decisão de sair pedindo para ficarmos. Aquilo nos revoltou, com certeza aprendemos muito com aquilo.

Outras histórias nos terminais Barra Funda e Tietê, como a espera de amigos vindo do interior. Um deles era o Guilherme, eu e o Pedro sempre vínhamos busca-lo no terminal, e conversávamos com tanta intimidade que ele nos parecia um amigo que sempre víamos.

No Terminal Bandeira, conversas rápidas e decisivas com o Carlos (conversas que faço até hoje com ele no mesmo terminal). Em Santana, histórias com o Luciano que sempre proporcionava conversas de reflexão da militância e da vida.

E, finalmente, no Terminal Itaquera, onde fico esperando minha amada Denise, posso dizer que está última história, que se repete todo final de semana, é a que me dá mais prazer, mas não é a melhor, pois todas as histórias me mexeram de alguma forma, todas são as melhores.

O terminal é uma espécie de praça, onde as vidas se cruzam e proporciona histórias belas, tristes, engraçadas, embaraçosas e outras que mexem com qualquer pessoa. Quem quer ouvir uma boa história, vá a um terminal, quem quer viver uma boa história, vá a um terminal.

Lucas Antonio

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Pra não dizer que não falei de flores. Ops! De Amarildo.

Não me manifestei até o momento sobre Amarildo. E também não fiz campanha nas redes sociais, apenas observei e acompanhei publicações e notícias sobre o caso. Antes de comentar sobre o caso de Amarildo, vale pensar um pouco na sociedade que vivemos. Cada um faz a reflexão que achar melhor.

A periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor”. Salve Sérgio Vaz! O amor pela nossa comunidade, a dor pelas semelhanças das nossas lutas diárias e a cor porque somos, na maioria, pretos. Pois bem, quem nunca viu ou ouviu alguém relacionar moradores de periferias com traficantes de drogas? Quem nunca assistiu um noticiário onde o negro é colocado como o protagonista no atentado contra a cidadania (assassinato, roubo etc)? Quem nunca assistiu filmes onde pretos, pobres de periferia são usuários de drogas seja lícita ou ilícita, mal educados, prostitutas etc? Como se não bastasse o preconceito racial, social e geográfico, a mídia sensacionalista ainda coloca lenha na fogueira.

O Estado é responsável pelo bem-estar dos cidadãos. Mas na prática, nem sempre isso acontece. A polícia é o Estado e os policiais são os cidadãos (?). Existe uma linha muito tênue e parece incompreensível. O braço armado do Estado, ao mesmo tempo em que deveria representar a proteção, representa o risco. No Rio de Janeiro, por exemplo, muitos homicídios cometidos por policiais foram registrados como “autos de resistência”, quando, possivelmente, seriam execuções. Acredito que não seja diferente no restante do país.

Conheci várias histórias de Amarildos. Um era morador de rua que , da noite pro dia, desapareceu enquanto dormia. Outro era universitário negro que após uma abordagem policial não voltou para casa. Outra história foi .. etc.. etc.. etc.. Agora tem outra história que ganhou espaço nas mídias sociais e tradicionais. Depois da Operação Paz Armada no dia 14 de julho na favela da Rocinha (RJ), policiais levaram Amarildo (mais um) para UPP. Segundo policias, Amarildo foi liberado logo em seguida. É, mas ele não chegou em casa até hoje. A Justiça do Rio negou o pedido da família de Amarildo para declarar morte presumida. Vale destacar em caps lock a seguinte fala do juiz Luiz Henrique Oliveira Marques, da Vara de Registro Público “O DESAPARECIMENTO TERIA OCORRIDO QUANDO AMARAILDO SE ENCONTRAVA EM PODER DE AGENTES DO ESTADO, O QUE, POR SI SÓ, NÃO GERARIA PERIGO DE VIDA”. Ok meritíssimo, meu nome não é Alice!

Não irei prolongar, pois um caso como esse perpassa por diversas questões. O fato é que estamos presenciando a olho nú a limpeza étnica. É só olhar que casos como esses acontecem constantemente em todo o país e de forma semelhante e com pessoas com características semelhantes. Ouvi um comentário assim: “Ele é traficante rapaz , deve ter fugido da polícia para não ser preso depois.” É, meu Brasil.. são pensamentos como esse que não dá espaço para dialética. Aposto que essa pessoa não conhece a história de vida do Amarildo.

Fui facilitadora da oficina sobre Cota Racial nas Universidades Federais no Seminário Regional Nordeste da ABMP em Fortaleza. O interessante que fui “objeto de estudo”. Um grupo falou: “Você é bonita, inteligente, universitária, não é cotista.. então nunca vai sofrer preconceito e não vai ser discriminada. Deve ser muito fácil para você conseguir empregos e o que quiser. Todo mundo te conhece e sabe que você é boa no que faz” Eu respondi: “Não sou cotista, mas ser ou não ser cotista não faz você escapar do preconceito e discriminação do dia a dia. Calma lá! Sou anônima. Se acontecer qualquer coisa comigo, acredito que as pessoas não vão relacionar minha imagem com de uma menina que é boa no que faz ”. Por mais que eu tenha diversas representatividades (Desabafo Social, ABMP, SaferNet etc), o que importa para essa selva de pedras é que eu sou negra e moradora de periferia. Como já havia citado anteriormente , os casos de desaparecimento relacionados com abordagens policiais , acontecem com pessoas de características semelhantes (negros, pobres, moradores de comunidades etc). Caso eu sumisse, de um hora para outra, será que eu não seria vista como usuária de drogas ou algo tipo? Mas enfim.. Monique à parte, cadê os Amarildos?

Monique Evelle

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Brasil, um país de todos?

        Quantos de vocês cidadãos tem prazer de morar nesse “Brasil, um país de todos”? Liberdade de expressão só para políticos e poderosos? A corrupção no Brasil também faz parte desse tal conceito de democracia? Ditadura religiosa proíbe manifestações?

        O Brasil sofre de uma falsa democracia, que abstrai do cidadão brasileiro todo o direito de liberdade de se expressar, então pensemos pra que democracia, se não temos liberdade?  Na verdade ela não existe só possui nome, nós passamos por diversas mudanças e as chamadas “revoluções”, já hoje nós vivemos no conformismo, diante de governos nos quais os governantes são os “papais” que mandam em tudo e as pessoas ficam a mercê da chamada DEMOCRACIA. Um dos principais e grandes motivos para isso é o povo que não participa de forma ativada política achando muitas vezes que ali não tem nada a ver com eles, mas é bem ai que se enganam, o povo é soberano, sendo que ele ainda não despertou desse poder. Dai observa-se 513 anos de Brasil e o que significam? O sistema nos oprimindo, nos massacrando, para ele nós não valemos absolutamente nada com cada ato, cada palavra, cada intenção, o desqualifica mais e mais, o povo no mesmo conformismo, além da falta de educação e saúde e da falta de vergonha na cara. A nação brasileira convive semanalmente com notícias de corrupção em manchetes de jornais, de revistas e em emissoras de televisão.

    Enfim, fatos consideráveis importantes: fim de conformismo, pondo como base a frase de Victor Hugo “Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há certa cumplicidade vergonhosa.” O Brasil tem de tudo para alcançar o auge da sua magnitude mundial, o povo brasileiro tem que reagir se manifestar e colocar um “CHEGA” nessa injustiça, mostrar aos políticos egoístas que o povo unido é capaz de mudar totalmente a atual conjuntura política brasileira. Mas ai eu pergunto, o que as pessoas realmente estão interessadas em mudar em nossa realidade? Reflita! O Brasil só precisa de você pra mudar o seu percurso.

Tainá Paranhos

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Marco Civil da Internet já!

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Depois da Roda de Conversa On-line, que o Desabafo Social realizou com o tema Cidadania em Rede, surgiu um tema tanto quanto polêmico, o qual muitas pessoas ainda não tinham parado para analisar a profundidade da importância social: o Marco Civil na internet  e  a  suma importância à priorização no momento em que se encontram o Brasil e o mundo inteiro .

Então, o que realmente é o Marco Civil? O Marco Civil da Internet é um projeto de Lei que visa estabelecer direitos e deveres na utilização da Internet no Brasil. O pensamento de criar o Marco Civil surgiu em 2009, no Fórum Internacional de Software Livre. Na ocasião, representantes da sociedade civil pediram que fosse criado um projeto de lei que protegesse o usuário e não criminalizasse as condutas. Porém, mesmo assim, muitas iniciativas da sociedade e de órgãos ligados ao governo vêm tentando mostrar a necessidade de ser agilizada a análise e aprovação do Marco Civil da Internet pelo Congresso . Mas a votação no plenário da Câmara já foi adiada seis vezes. Sendo assim, sem regulação, órgãos do governo criam suas regras.

Portanto é necessário que nós, como cidadãos, venhamos a conhecer mais sobre o mesmo e cobrar a garantia da efetivação desse projeto. Porém, muitas pessoas perguntam: o que vai mudar na minha vida com o marco civil? ENTENDAM: em primeiro lugar, a capacidade de mobilização efetiva das pessoas com o uso das redes sociais é significativamente impressionante. A informação é percorrida no mundo em questão de minutos. Em segundo lugar, nós temos uma lei que tipifica os  ciber crimes, que não vigia , serve  apenas para  tipificar os novos crimes. Estamos terminando um debate de extrema importância sobre uma (possível) primeira lei no mundo que defenda o direito dos usuários.

 O Marco Civil da Internet é um dos projetos essenciais para o Ministério da Justiça. Através dele são garantidos os princípios da neutralidade e a função de caráter social da rede, responsabilidade civil de usuários e provedores e a sua privacidade. Vamos então divulgar essa ideia de efetivação do Marco Civil, para que possamos garantir a nossa segurança no acesso à rede e continuar permitindo a mobilidade social que vem garantindo, principalmente nesse processo de manifestações e mudanças em que o mundo está passando.

 

Tainá Paranhos

O responsável pelo conteúdo é o autor.