Arquivo do mês: fevereiro 2014

Hábitos de Navegação na Internet

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A internet enquanto meio de comunicação mais ágil e prático existente, oferece ao usuário inúmeras vantagens, sobretudo no que diz respeito ao processo de produção da informação. Em relação aos meios tradicionais, como a TV e o rádio, a internet dá ao público o que esses meios de comunicação de massa não conseguiram: participação efetiva na produção, onde todos podem ser produtores e emissores de informação, e não apenas consumidores e receptores passivos .Em contraponto, a internet tem também diversas desvantagens, haja vista que proporciona um amplo campo de divulgação e  disseminação de conteúdo sem controle,originando desta forma várias situações indesejáveis,como o surgimento de cyberbullying,pornografia, dificuldade de fiscalizar os direitos autorais e intensa exposição.

A partir disso, foi proposta pela ONG SaferNet Brasil duas pesquisas, uma em 2008 e outra em 2013, sobre Hábitos de Navegação na Internet. Segundo a pesquisa realizada em 2013 com 2.834 internautas de 9 a 23 anos, 21% de 15 a 17 anos acessam a internet 2 a 3 vezes por semana e os outros 62% de 18 a 23 anos acessam a internet todos os dias, sendo que ao todo 80% curtem redes sociais.  E de acordo com a pesquisa realizada em 2008 com 2525 alunos de escolas públicas e particulares do Rio de Janeiro, 28,45% usam a internet de uma a duas horas e 43,77% mais de três horas. Seguindo essa estatística, se torna claro que o jovem tem estado muito mais exposto ao público, porém, o cuidado com sua privacidade de informações íntimas é incompatível com a quantidade do que expõe.

Mais uma vez os números afirmam na pesquisa de 2013 que 26% dos jovens não se importam com as configurações de privacidade e 19% não sabem como configurar, contudo, mesmo correndo riscos, 60% do que é compartilhado são fotos pessoais, 35% nome e sobrenome, 28% nome da escola. Na pesquisa de 2008, 30% dos adolescentes publicam seus nomes e sobrenomes, 10% nome da escola e 46% fotos pessoais, ou seja, houve um aumento na exposição das informações pessoais de 2008 a 2013, o que torna esses jovens mais expostos a ponto de ficarem vulneráveis a diversas situações indesejadas como cyberbulling, sextings e variados crimes decorrentes do uso incorreto da internet.

É devido a essa exposição inadequada e pela facilidade de manter relações virtuais que na pesquisa de 2013, 58% dos meninos tem mais de 10 amigos virtuais e 68% das meninas já conheceram um amigo pela internet, ainda que esses amigos não sejam necessariamente  conhecidos físicos. Já na pesquisa de 2008, 61% tem amigos virtuais e 41% desses tem mais de 10 amigos virtuais. Não deixando de lado que além de fazer amigos virtuais, esses jovens também utilizam a internet para namorar como aponta os dados da pesquisa de 2013, a qual mostra que 35% dos meninos e 18% das meninas usam a rede para esse fim, como também na pesquisa de 2008, 22% já namoraram pela internet, desses 45% mais de uma vez. O que de certa forma facilita a ocorrência de sextings. O sexting – palavra originada da união de duas palavras em inglês: sex (sexo) + texting (envio de mensagens), ocorre quando se tira e compartilha fotos sensuais de teor erótico – vem se tornando uma moda no universo cybernético, como aponta a pesquisa de 2013, na qual 42% receberam mais de cinco vezes imagens sensuais ou eróticas e 63% enviaram mais de cinco vezes mensagens desse tipo. Como também na pesquisa de 2008, em que 12,1% admitem já ter publicado fotos íntimas na internet e 31,05% já encontrou ou recebeu conteúdo pornográfico.

Além do sexting, o cyberbullying também tem se tornado o segundo maior receio para 49% dos internautas segundo pesquisa de 2013, sendo que 12% afirmam que já foram vítimas dessa agressão e 35% tem um amigo que já sofreu cyberbullying ao menos uma vez como também 36% disseram o mesmo na pesquisa de 2008. De  acordo com os artigos 17 e 18 do ECA: “O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais” e “É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”.

Segundo pesquisa realizada, em 2008, pelo Laboratório de Estudos em Ética nos Meios Eletrônicos (Leeme) da Universidade Mackenzie, com 2.039 jovens entre 11 e 18 anos, de escolas públicas e particulares, os jovens não estão preparados para lidar com o grau de abertura proporcionado pela internet. De acordo com o estudo, coordenado pela professora Solange Barros, os adolescentes estão suscetíveis a problemas como exposição à pornografia, divulgação indevida de imagem e dados pessoais, boatos, pedofilia e incitação à violência. “Quarenta e cinco por cento dos entrevistados já tiveram medo em algum tipo de acesso que fizeram na rede.” (http://acritica.uol.com.br/vida/Comportamento-Pais_e_Filhos_0_356364435.html)

Adjunto ao sentimento de insegurança alguns jovens se conservam negligentes aos meios de prevenção dos perigos da internet, de modo que 31% e 52% (entre os de nove anos) não buscam informações de prudência de acordo com pesquisa de 2013.

Embora, 38% deles acreditarem que a escola é o responsável pelo ensino sobre o uso seguro da internet, o papel dos pais é o mais importante na busca da prevenção, já que 46% dos filhos não tem acompanhamento dos pais – pesquisa 2013 – e 67% dos que já foram humilhados pela internet não possuem limite de uso estabelecido pelos pais – pesquisa 2009.  A ausência desses pais como transmissores centrais da educação do uso da internet, talvez seja um essencial fator para a ocorrência de crimes contra crianças e adolescente na internet.

Diante dessa comparação entre os dados da pesquisa de 2008 e de 2013 sobre os Hábitos de Navegação da Internet e, considerando que o artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz que “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”; considerando que o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH, 2007) e o Programa Ética e Cidadania criados pelo Ministério da Educação (MEC) e pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SDH) oferecem oportunidade de discussão sobre o uso ético e seguro da internet como política pública; considerando  que o eixo Educação e Mídia do PNEDH orienta a incorporação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no trabalho pedagógico dos educadores brasileiros e; considerando que a  Lei 11.525 , de 25 de setembro de 2007, a qual altera o artigo 32 da lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996 diz que “O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente, observada a produção e distribuição de material didático adequado”, o Conselho Estadual de Jovens da ABMP- Bahia, sugere que:

  1. O Ministério da Educação e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, com o apoio da sociedade civil e de outras organizações, construam materiais educativos para o uso e também para prevenção de perigos na internet. Contudo, também se faz necessária a efetivação das leis e Planos Nacionais citados para possibilitar a aplicação do material sugerido acima. Esses materiais educativos devem ser implantados no sistema educacional de maneira gradativa, o que facilitaria a absorção do conteúdo.
  1. As escolas da rede pública e privada, realizem ações  para educação digital nas unidades escolares;
  2. As escolas da rede pública e privada, realizem encontros regulares entre estudantes, pais e educadores para discussão  sobre perigos on-line, alertando para os cuidados ao publicar informações pessoais na internet;
  3. O poder público, a sociedade civil e outras organizações, incentivem crianças, adolescentes e jovens a promoverem ações voltadas aos direitos humanos na internet.
  4. As escolas da rede pública e privada, realizem estudos de casos sobre violações de direitos na web, para que os adolescentes e jovens sugiram ações de prevenção;
  5. As escolas da rede pública e privada, realizem ações voltadas para o uso das redes sociais como possibilidades pedagógicas;
  6. As escolas da rede pública e privada, organizações não governamentais e outras instituições, realizem atividades de conscientização acerca da linha tênue entre o mundo real e o espaço digital;
  7. As escolas da rede pública e privada, a sociedade civil e outras organizações, realizem discussões sobre os princípios fundamentais do Marco Civil da Internet ( Privacidade, Neutralidade da Rede e Ordem Judicial.)
  8. As escolas da rede pública e privada, a sociedade civil e outras organizações , realizem atividades educomunicativas pautando questões relacionadas com o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto da Juventude;

Camila Andrade Cidreira

Conselho Estadual dos Jovens da ABMP – BAHIA

Luiza Bahia Marques

Conselho Estadual dos Jovens da ABMP – BAHIA

Rafael Menezes Barreto Silva

Conselho Estadual dos Jovens da ABMP – BAHIA

Monique Evelle Nascimento Costa

Conselho Estadual dos Jovens da ABMP – BAHIA

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A verdadeira polêmica.

A última década vem sendo bombardeada por assuntos considerados bem polêmicos. Desde a pena de morte, maioridade penal juvenil, cura gay e o mais recente, o beijo homossexual exibido na televisão aberta. A cena apresentada pela Rede Globo no último dia 31 de janeiro, no horário nobre, causou um espanto para muitos telespectadores, principalmente para os mais conservadores. As redes sociais e demais mídias não falaram de outra coisa, que não fosse a repercussão da cena na sociedade. Condenada por muitos, a emissora do Plin Plin foi alvo de críticas pesadas pela ousadia de ter exibido pela primeira vez em rede nacional, as bitocas dos atores Thiago Fragoso e Mateus Solano.

Entre os principais críticos, se encontram os fanáticos religiosos. Pessoas que usam da religião, da bíblia e do nome de Deus para estar acima das outras, ou pelo menos, pensam que estão.  Sou obrigado a concordar que a Globo no que diz respeito ao seu conteúdo, tem acabado com os valores que deveriam ser disseminados na sociedade e tem apresentado lixo ao invés de fazer jus ao seu nome. Mas… Maaaas, isso não se encaixa quando falamos do beijo gay. Que se trata mais de preconceito e hipocrisia por parte dos que não gostaram.

A homossexualidade é um fato desde os tempos mais remotos do planeta e não há nada que alguém possa fazer para mudar isso, muito menos, sei lá, tentar exorcizar alguém. A diferença é que hoje nós temos um mundo mais aberto a aceitação (em partes) e algumas pessoas têm evoluindo no jeito de pensar, ao contrário de muitos que estão empacados no século passado (nada é perfeito, não é?). E outra, o fato de uma criança assistir a cena, não incentivará ele a sair beijando os coleguinhas. Muito pior são as cenas de traição, roubo, assassinato, promiscuidade e demais inversão de valores, isso sim é um belo incentivo, ainda mais quando quase sempre, aqui no Brasil, o vilão sai ileso… Um abraço pro Genuíno!!!

Enfim, é total hipocrisia achar que uma cena, uma interpretação de um personagem possa denegrir a imagem da família brasileira, quando praticamente não existem famílias como antes. Quando pai e mãe vivem brigando, quando casamentos não duram, quando traição é algo normal, afinal, temos que curtir “o hoje…” Além de tudo, é a nossa realidade. Se você sai num domingo à noite em BH, a quantidade de homossexuais chega a espantar, não um espanto ruim, mas algo que foge do que estamos acostumados. E por isso você vai parar de sair com o seu filho? Vai dizer que isso é errado, quando um beijo gay é algo super normal?

O seu preconceito, a sua hipocrisia e a sua ignorância, não irá mudar realidade alguma, mas basta um pensamento diferente e você verá as coisas de outra forma.

Igo Bolleli

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Mandela deve estar se revirando no túmulo.

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É surreal vê que retrocedemos a ponto de voltarmos ao tempo em que negro era posto no tronco e açoitado. Pior é ver que muitas pessoas apoiam tal atitude, e ainda meios de comunicação que tem um poder de influência enorme incentivam para que essa cena absurda se repita.

De tantos  “bandidinhos” nesse país como ; políticos, juristas,playboy, etc,por que somente esse adolescente foi parar no tronco? Talvez (tenho certeza) porque é negro,pobre,morador de rua,porque a sociedade o vê como um problema que deve e merece ser exterminado.

Para os que concordam com tais absurdos, quero lhes lembrar que o caráter e a personalidade são frutos de uma construção junto a sociedade. Esse garoto há 15 anos, queridos, era apenas uma criança, um bebê, sua mente e personalidade era como um vazo de argila, que com o passar dos anos seria moldada. O grande problema estar nos primeiros moldes. Seu pai, talvez não fosse o ideal e não foi, afinal morreu no tráfico. Talvez seu vizinho fosse mais simpático. Não , pois esse é o  traficante, que dá bom dia,  gosta de crianças, e demonstra seu amor distribuindo pipas para elas (outro também  fruto do processo ).Ah, mas ainda temos a escola, um lugar  saudável,seguro e de aprendizagem, onde se aprende os alunos dos melhores valores da vida. Sabemos que não. Hoje a mãe que protege seu filho do traficante que faz papel de papai noel, fica sem saída no momento que leva seu filho a escola, pois já tem outros bons velhinhos dentro da escola , outros já prontos para lhe ensinar como viver na selva. Mas ai queridos, vem a melhor parte: todos nós ou pelo menos 99,9% assistimos tudo isso passivamente, pior,fingimos não ver , e quando esses jovens passam a nos  incomodar, passamos a enxergá-los, e a chamá-los de “bandidinhos”. (esse um processo grande, nada simples).

Ouvi alguém dizer a seguinte frase : ” e aos defensores dos direitos humanos que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha, faça um favor ao Brasil, adote um bandido “. Por que esperar todo esse processo que citei para adotá-lo? Por que não romper o processo antes que se tenha o produto final? Porque é mais cômodo estar na bancada de um telejornal no ar-condicionado,com paparicos como se fosse criança. É mais cômodo estar no sofá de casa assistindo o tal telejornal. Todos nós contribuímos para a construção de jovens com valores distorcidos e que acabam se tornando mais um fantoche da grande empresa chamada violência. Fazemos como alguns policiais corruptos que falam: Vamos esperar crescer pra matar. E nós esperamos crescer para condená-los.

São só ex-crianças que não tiveram seus direitos garantidos, que não tiveram o necessário pra se manter fora da  empresa Violência.

Depois dos últimos acontecidos, Mandela deve estar se revirando no túmulo.

Luanderson Ponciano

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Conte-me mais como se formou, Rachel Sheherazade.

Estive conversando há pouco tempo com um amigo, sobre amizade. Concluímos que algumas atitudes podem afastar ou aproximar. Mas enfim.

Há quem se espante ainda (eu) com o pensamento reacionário de algumas (muitas) pessoas. O jogo político da abolição da escravatura, está levando a humanidade para … não sei, mas não estamos indo bem. É só olharmos as redes sociais que iremos ver discursos de ódio e comparações fora do comum. Fora do comum não! Comum a muitos que compactuam com aquilo. E meus amigos (?) também se manifestam dessa forma, infelizmente.

Por mais que o acesso à internet tenha aumentado, a televisão sempre estará no centro das atenções. Não há como negar. Até no ciberespaço a conversa é sobre TV.

Sobre as cotas raciais “Neste país todo cidadão é igual perante a lei […] Se fomos dividir o Brasil em cotas, em guetos, não seremos uma nação, mas…

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Roda de Conversa Online “Ciberespaço é outro mundo?” O que rolou?

No dia 04 de fevereiro aconteceu a Roda de Conversa Online promovida pelo Desabafo Social, o tema desta vez foi “Ciberespaço é outro mundo?”. O debate reuniu jovens das regiões Sudeste e Nordeste do Brasil.

O primeiro assunto foi em relação ao comportamento que os internautas têm nas redes sociais. Luanderson Ponciano, de Salvador, disse “Acredito que seja um espaço de interação mundial. Não podemos tudo, ou melhor, não devemos nos comportar de forma que não nos comportaríamos no real, não é uma terra sem lei, não é um mundo paralelo”.

Monique Evelle, de Salvador, levantou uma questão importante aos participantes da conversa quando perguntou sobre o engajamento e participação política na web. Em resposta, Lucas Antonio, de São Paulo, afirmou “com o tempo, ela foi se desgastando um pouco de acordo com o outro crescimento de movimento, o ‘movimento de curtir’. Antes os internautas não ficavam sós no curtir, debatiam e encontravam uma forma de engajamento, mas de certa forma isso se perdeu”.

Outro assunto polêmico que os jovens debateram foi a privacidade na internet, Monique explicou que na opção “Baixe uma cópia dos seus dados do Facebook” no próprio perfil do usuário, mostra um relatório com todas as opções de “curtir”, cutucadas, cheking e outras opções que o facebook dispõem ao internauta. Além de outros links que monitoram o navegante.

Outro assunto polêmico que entrou na roda foi o distanciamento das pessoas depois do advento da internet. Carlos Júnior, de São Paulo, explicou “A atual nomenclatura da sociedade nos faz postar as coisas. Virou algo meio irracional, patológico, pois as redes sociais viraram uma forma melhor de comunicação do que um telefonema”.

Antes de finalizar o tópico, Monique Evelle afirmou “As tecnologias nômades (celular, notebook, tablets) contribuem para o distanciamento entre as pessoas. É só olhar uma roda de amigos. Todos estarão segurando o celular.”. Elias de Souza, de Maceió, encerra o tema e a Roda de Conversa com a fala “Estar conectado à rede não significa ser social”.