Arquivo do mês: janeiro 2014

#DSemMaceió

dscf1312

As oficinas do Desabafo Social em Maceió-AL, que ocorreram no período entre  23 e 24/01, atenderam às expectativas dos organizadores e dos participantes, contando com dois espaços para a realização das mesmas.

No primeiro dia, 23/01 (quinta-feira), a oficina Adolescência, Juventude e Participação no Lar Evangélico Masculino Pastor Boyd O’Neal, situado no município de Rio Largo, região metropolitana de Alagoas, foi bastante satisfatória. Monique Evelle e Elias Lourenço hospedaram-se no Lar, promovendo, assim, uma nova atividade à noite. Jogos e criação de desenhos embalaram à noite das crianças.

No segundo dia, 24/01 (sexta-feira), os integrantes do Desabafo Social foram para Maceió, para realizar a oficina Direitos Humanos na Web e Participação Juvenil na Escola Estadual Geraldo Melo dos Santos. A troca de experiências foi notória do começo ao fim, contando com a contribuição da professora de Artes e do professor de História.

Ainda na sexta-feira, o Desabafo  visitou uma das comunidades periféricas  da capital alagoana, registrando tudo na memória e na lente da câmera. DSemMaceió terminou deixando um gostinho de quero mais, fazendo com que Monique e Elias já planejassem as próximas atividades.

Anúncios

Comunique-se!

Mais um dia de atividade do Desabafo Social. Dessa vez a oficina foi realizada com os adolescentes no Nordeste de Amaralina.

Primeiro selecionamos algumas matérias de alguns veículos de comunicação e tentamos encontrar o erro. O que as matérias tinham em comum? Termos inadequados se referindo as crianças e aos adolescentes como, por exemplo, o termo “menor” e divulgação da identidade do adolescente ( nome completo, foto  e idade).

Enquanto analisávamos as matérias, os participantes não conseguiram identificar o erro. Termos como os anteriormente citados , estão presentes todos os dias e  é exatamente assim que deve ser chamado, deve ser a cobertura jornalística etc.

A partir daí a discussão se deu em torno do Estatuto da Criança e do Adolescente e os meios de comunicação. Dúvidas foram esclarecidas e logo depois pensamos em ações que serão realizadas pelos participantes da oficina, para potencializar a cidadania a partir do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação.

Para iniciar às ações do grupo, dois deles serão moderadores da “Roda de Conversa On-line: Ciberespaço é outro mundo?” que será realizada no dia 04/02, às 11h (Horário de Brasília) no chat do Desabafo Social.

Em democratização.

CF/88

A humanidade desde a sua origem formou-se através da diversidade de línguas, valores, tradições sociais, religiosas, políticas. Toda cultura se torna dinâmica, durante o encontro ou confronto com outras, desencadeando o surgimento de novos fatores que resultam o surgimento de novas culturas.

Por conta disso, a dominação cultural transformou-se em uma forma de controle de um povo sobre outro povo. A cultura não pode ser vista como um elemento próprio de um povo, ao contrário do pensamento da sociedade de uma forma geral.

Portanto, fatalmente, por conta de sua própria formação e dinâmica, quando uma cultura entra em confronto com outra, pode gerar o etnocídio, uma sociedade acaba se apropriando dos elementos da outra, se transformando em permanente.

É um desafio para o ser humano aceitar esse processo e respeitar as diferenças. O respeito à diferença está assegurado na Constituição Federal Brasileira de 1988  e na legislação internacional. Mas só o reconhecimento do príncipio não basta, tudo que é visto na constituição deve ser praticado.

Estão inclusas na legislação, leis federais que asseguram o direito dos afro-descendentes, dos índios, das mulheres e da diversidade cultural.

Então, para que haja uma mudança permanente nas formas de relações entre os diferentes povos e seres humanos, é necessário construir uma nova maneira de abordar a diversidade étnica e a diversidade de gênero.

Há vários meios que podem levar essas mudanças para a sociedade de uma forma geral. Escolas e universidades (públicas e privadas), movimentos sociais e  organizações não governamentais são exemplos disso.

Irene Santos

O responsável pelo conteúdo é o autor.

O que rolou na Roda de Conversa On-line: Da senzala à periferia.

Para iniciar as atividades em 2014, o Desabafo Social realizou na manhã do dia 14/01 a Roda de Conversa On-line, Da senzala à periferia. Adolescentes e jovens brasileiros de Minas Gerais, Bahia, Roraima, Maranhão, São Paulo, Goiás e Paraná marcaram presença.

O primeiro ponto levantado pelos participantes foi Cota Racial nas Universidades Federal. Com argumentos do senso comum , a maioria que estava no bate-papo ainda considera errado cota racial. “Eu não acho certo que o negro tenha mais “vantagens” que as outras pessoas.” Carolina Sebastião, São Paulo.

Ultrapassando os limites do caput do artigo 5 da Constituição Federal , Monique Evelle, Bahia, diferenciou isonomia e igualdade. “Existe uma coisa chamada principio de isonomia , em outras palavras é `tratar os iguais igualmente e os desiguais desigualmente, na medida de suas desigualdades. O artigo 5º da CF/88 trata da igualdade formal, igualdade material e nem todos são iguais no plano material.Isso entra nas questões de políticas públicas , criação de ações afirmativas para “corrigir” legalmente esses equívocos de desigualdades no plano material e garantir a dignidade da pessoa humana através da isonomia.” Complementando a fala , Enilson Ribeiro, Maranhão, fez dois recortes sobre as cotas. O primeiro que está relacionado com renda e o segundo recorte é étnico identitário.

Cotas pra lá cotas pra cá, o segundo ponto em debate foi Rolezinho no Shopping. “Em 2008, em Brasília aconteceu isso com um grupo de adolescentes que estavam participando dos preparativos do Congresso Mundial de Enfrentamento a Exploração Sexual. Ao entrar no Shopping fomos escoltados por uns 10 seguranças! Ouvíamos no sistema de som ambiente as nossas coordenadas! Foi vexatório!” , disse Enilson Ribeiro. Além do rolezinho em 2008, Érica Ribeiro, Paraná, relembrou que aconteceu o mesmo em Curitiba no ano de 2005. “Infelizmente caiu no esquecimento.”, disse ela.

Após duas horas de debate e diversas ramificações do racismos sendo levantas, a Roda de Conversa On-line foi finalizada. “Sabe o que é mais “engraçado”? A pessoa é contra cotas raciais, a favor da redução da maioridade penal, quer viver de ciências sem fronteiras, contra os rolezinhos nos shoppings etc e chora por Mandela!” , disse Monique.

O próximo bate-papo será no dia 04/02 com o tema “Ciberespaço é outro mundo?”. Fiquem ligados na agenda e participem das ações do Desabafo Social!

Como eu me sinto..

A equipe do Desabafo Social parou para ler a excelente matéria “A cor da relação. Mulheres negras e as dificuldades com romances sérios” veiculada no site Kultafro. A matéria mostra que o racismo perpassa por diversos campos, inclusive quando se trata de relacionamentos amorosos. É triste ter que concordar que isso é uma realidade.

Então, resolvemos bater um papo com algumas pessoas que passaram e passam por situações de racismo em seus relacionamentos ou nas suas tentativas de relacionamento e que se sentem incomodadas.  Olha só os depoimentos delas!

OBS: Os nomes são fictícios para proteger as identidades.

 

“O racismo está presente no nosso cotidiano, e muitas vezes é manifestado por meio de “brincadeiras” . Lá onde estudo, por exemplo, desde quando eu entrei as brincadeiras são voltadas pra mim e para as pessoas negras. Todos os personagens negros tornam-se apelidos pra você. E de certo modo, eu tive que aprender a não ligar, pois caso contrário eu não iria conseguir continuar lá. Sobre namoro… meu namorado é branco e não houve resistência da família dele nem dos amigos. Só as vezes quando estou com ele andando na rua que as pessoas olham com aquele jeito de reprovação. Geralmente eu não ligo, porque olhares como estes vem de pessoas que não conhecemos e que querem interferir em algo que não lhes cabe. No inicio do nosso relacionamento eu ainda ficava um pouco triste, desconfiada, mas agora não mais.”

Beatriz, 18 anos.

Já fui por diversas vezes vítima de brincadeiras racistas. E o mais ‘engraçado’ de tudo é que essas brincadeiras vieram de amizades próximas. Antes de namorar um africano, me apaixonei loucamente por um cara branco. Na época em que isso aconteceu, nós tínhamos entre 16-17 anos. Estudávamos na mesma escola e também tínhamos praticamente o mesmo círculo de amizade. Cheguei a expressar o que sentia por ele várias vezes, até senti que o sentimento que eu tinha por ele era de fato correspondido, mas ele nunca deixou isso claro. Minha autoestima despencou. Me sentia a menina mais feia da escola. Sempre sofri por ser gordinha, mas esse fato fez com que a minha visão fosse ampliada, comecei a ver que a cor da minha pele era o grande fator dessa rejeição. Quando comecei a namorar com um africano, não foi devidamente pelo fato de não querer me envolver com um cara branco. Me sinto muito atraída por homens negros e me senti mais segura com ele.. Se eu saio com minhas amigas e sou a única negra da galera, os rapazes só olham para elas. É terrível. É como se eu fosse invisível. Sempre fiz questão de me vestir bem e sei que me visto bem, mas ainda assim não sinto que eu me destaque diante delas.  Nós mulheres negras merecemos o respeito e o reconhecimento que nunca nos foi dado, mas que é nosso por direito.”

Luciana, 21 anos.

 “Piadinha racista é o que mais escuto. E depois de uma brincadeira sem graça, vem um pedido de desculpa com um sorriso estampado no rosto. Geralmente são “amigos” que cometem essas garfes ou falam o que realmente pensam em tom de brincadeira. Nos lugares que frequento, na maioria das vezes sou a única negra. E só chamo atenção por ser a única negra no tal lugar. Não ligava em sair com minhas amigas não negras. Mas com o tempo você se sente desconfortável e faz mal para sua autoestima. É horrível ter que admitir que não sou a única que é vista como objeto sexual. Mulheres negras são vistas sim como objetos sexuais. É hipocrisia dizer que isso é mentira. Por mais inteligente que você seja, por mais independente que você seja, infelizmente os rapazes, tanto os brancos quanto os negros, têm receio de se envolver com você. E não adianta eu desabafar com minhas amigas brancas, elas nunca entenderão e vão achar que é coisa de minha cabeça. Me chamam de linda, estilosa, poderosa, mas não irão entender de jeito algum que a situação é muito mais complexa do que elas imaginam. Você pode ocupar espaço de poder, ser independente , ter uma boa situação financeira etc , mas o racismo continua. “

Maria, 19 anos.

“Das situações que já passei, percebi que muitos homens acham que as mulheres negras são mulheres fáceis e que não são pra relacionamentos sérios. Muitos também veem beleza somente em mulheres brancas .  Esse tipo de coisa dá até pra perceber nos tipos de cantadas e na forma de conversar. Além disso percebi também que por ser negra e mulher muitas vezes as pessoas tratam como pessoa incapaz ou limitada e coisa do tipo. Fora as represarias de vários lados principalmente do lado estético que está sempre tentando tornar a mulher negra em algo parecido com mulher branca de cabelos lisos e etc.”

Jaqueline, 19 anos.

“Quando ganhei um bolsa no curso de fotografia fiquei super alegre. Mas quando cheguei lá senti meio que uma diferença do professor para comigo, pelo fato de eu não ter pago e também pela minha cor. Eu e uma amiga era as únicas negras e o restante dos alunos era o filho da dona do ateliê, uma psicóloga etc. Eles tratavam  a gente como coitadinhas por morar no subúrbio e ser negras. O professor nunca nos dava atenção. Fiquei muito interessada por uma dos alunos, mas ele olhava pra mim como um olhar de repressão. Era horrível! Me senti muito incomodada naquele lugar por conta disso. Sei que não deveria sentir isso, mas me sentir envergonhada e inferior pela minha cor.”

Michele , 18 anos.

“Considerar essas situações incoerentes ou fora do comum é um pouco hipócrita da minha parte. Com certeza o preconceito existe, em ambas as partes . Tenho amigas brancas saio com elas , mais nunca tive nenhum problema com relação a minha cor  ou constrangimentos vinculados a isso . Até porque , amo minha cor , penso até que seja o meu diferencial na hora da paquera … Como diz um amigo meu * Nossa cor e a mais cara do mercado “.

Joana, 20 anos.