A vida se repete na estação.


Quem quer ouvir uma boa história, vá a um terminal. Pode ser terminal rodoviário, de trem ou metrô, há sempre histórias muito boas de qualquer pessoa. Histórias para rir, para chorar, para refletir e de qualquer outro gênero, histórias que qualquer pessoa vive ou viveu num terminal.

Pelos terminais que passei como Santana, Barra Funda, Tietê, Bandeira e Itaquera. Costumo prestar atenção nas pessoas, vejo-lhes esperando seus amados com flores ou seus amigos, passeando com a família ou em grupos, bebendo a espera de um ônibus e pessoas em situação de rua pedindo uma moeda e um pouco de afeto.

Está ultima situação, me fez lembrar uma história que ocorreu comigo, Pedro, Brenda e Arthur, quando voltamos do II Congresso do Fórum Estadual dos Direitos Humanos da Criança e do Adolescente. Estávamos na estação Barra Funda esperando algo pelo qual não me recordo. A Brenda tinha um violão, mas não sabia toca-lo e eu achava que sabia, por isso tentava fazer um som com ele. Foi aí que surgiu um homem pedindo uma moeda, não tínhamos, e depois ele pediu emprestado o violão que estava em minhas mãos e o tocou de forma excepcional, como alguém só com um dom poderia tocar, aos poucos, outras pessoas chegaram e começou uma espécie de sarau com músicas e rimas.

Depois de certo tempo, seguranças se aproximaram para expulsá-los, alegando que estavam “badernando”, tentamos impedir que eles saíssem, mas os seguranças ameaçaram de nos expulsar também e as próprias pessoas com quem estávamos aceitaram a decisão de sair pedindo para ficarmos. Aquilo nos revoltou, com certeza aprendemos muito com aquilo.

Outras histórias nos terminais Barra Funda e Tietê, como a espera de amigos vindo do interior. Um deles era o Guilherme, eu e o Pedro sempre vínhamos busca-lo no terminal, e conversávamos com tanta intimidade que ele nos parecia um amigo que sempre víamos.

No Terminal Bandeira, conversas rápidas e decisivas com o Carlos (conversas que faço até hoje com ele no mesmo terminal). Em Santana, histórias com o Luciano que sempre proporcionava conversas de reflexão da militância e da vida.

E, finalmente, no Terminal Itaquera, onde fico esperando minha amada Denise, posso dizer que está última história, que se repete todo final de semana, é a que me dá mais prazer, mas não é a melhor, pois todas as histórias me mexeram de alguma forma, todas são as melhores.

O terminal é uma espécie de praça, onde as vidas se cruzam e proporciona histórias belas, tristes, engraçadas, embaraçosas e outras que mexem com qualquer pessoa. Quem quer ouvir uma boa história, vá a um terminal, quem quer viver uma boa história, vá a um terminal.

Lucas Antonio

O responsável pelo conteúdo é o autor.

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