Arquivo do mês: agosto 2013

Entrevista com jovens que participaram do Encontro Regional Sudeste de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes

Igo MG

Nome: Igo Bollei
Idade: 18 anos
Estado: Minas Gerais

Fizemos as mesmas perguntas para todos os entrevistados:

1Qual a importância de discutir o tema abuso sexual com as crianças e adolescentes?

2-Como é a participação juvenil no Comitê de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes?

1 – “Eu acho que a partir do momento que a gente está procurando conversar com eles, vamos ter uma noção da verdadeira realidade e os meios que podem estar acontecendo à exploração sexual e nos passar através do dialogo o que eles sentem ao falar sobre o tema, assim colaborando para a construção de um plano de ação com eles que realmente estão mais vulneráveis ao abuso sexual.”

2- “Onde os jovens teria a principal função da pergunta anterior que seria aproximar a temática para o espaço com a perspectiva que talvez um adulto não conseguisse trazer com sua realidade.”

Moises MG

Nome: Moisés
Idade: 24 anos
Estado: Minas Gerais

1- “Acredito que seja importante discutir essa questão junto á crianças e adolescentes pois eles são o público que sofre essa violência. Em um primeiro plano podemos falar em autoproteção. Já que a informação e necessária para se proteger de situações de violência. O abusador muitas vezes age de forma mascarada, tentando seduzir a criança por meio de carinho, atenção, presentes e etc. É importante que a criança e o adolescente estejam preparados para identificarem essa situação e se protegerem. O explorador sexual também usará técnicas mascaradas para chegar até suas vítimas. Muitas vezes prometendo uma vida de sucesso e riqueza em outras regiões para convencer a criança/adolescente e até mesmo suas famílias a entrar nesse mercado. Também é importante falar dessa situação pois muitas vezes crianças e adolescentes se abrem entre si sobre os problemas que enfrentam na vida e podem relatar situações de violência sexual a um par de sua idade. É necessário que quem esteja ouvindo esse relato saiba a quem procurar, o que dizer e o que não dizer nesse momento. Por fim, é importante falar dessa temática pois crianças e adolescentes devem ser sujeitos politizados e participantes na vida política da sociedade e devem construir ações pela sua autoproteção participando protagonicamente da vida política sua sociedade.”

2- “A participação juvenil no Comitê Nacional se dá através dos fóruns, comitês e redes estaduais de enfrentamento á violência sexual contra crianças e adolescentes nos 26 estados e distrito federal. Os estados que não tem rede específica de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes se fazem representar através dos fóruns dos direitos da criança e adolescentes ou de instituições que desenvolvem esse trabalho. O Comitê Nacional criou o termo Ponto Focal para designar o adulto/instituição que o representa em cada estado e distrito federal e o termo Ponto Focal Juvenil para designar o adolescente/jovem que desempenha essa ação. O ponto focal juvenil é o representante do Comitê Nacional em seu estado e também o representante de seu estado no comitê nacional. Ele traz ao comitê as demandas de seu estado e leva a seu estado as informações do comitê nacional. São adolescentes e jovens que participam de instituições que compõem esses fóruns e que são eleitos democraticamente por seus pares para uma gestão tri-anual. Eles participam das ações de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes em seu estado e mobilizam outros adolescentes e jovens para também participarem. Os pontos focais juvenis d e cada região elegem entre um ponto focal juvenil para ser coordenador regionais e os cinco coordenadores regionais elegem um coordenador regional para ser o representante nacional da juventude na coordenação executiva do Comitê (função que ocupo hoje).Algumas instituições que hoje são Ponto Focais Juvenis são: Circo de Todo Mundo – Minas Gerais. JCA – Juventude Carioca em Ação – Rio de Janeiro CEDECA – Interlagos – São Paulo Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua – Espírito Santo CEDEA Bahia – Bahia CONCEX – Mato Grosso do Sul Makunaíma – Roraima CEDECA Pé na Tába – Amazonas Ciranda – Paraná Pastoral do Menor – Paraíba dentre outras.”

Anderson ES

Nome: Anderson
Idade: 37 anos
Estado: Espírito Santo

1- “A importância é levar conhecimento para essas pessoas, como as formas que esta violência pode estar ocorrendo e elas participando dessas discussões a gente consegue fazer algo que está dentro da política que é o protagonismo por que vamos incentivar o conhecimento e ao mesmo tempo fazer com que elas fiquem interessadas no tema e nos espaços de discussões.”

2- “Vou falar da minha realidade no Espírito Santo, nos comitês que já participei nos fazíamos convites para as famílias responsáveis pelas crianças e adolescentes a participarem desses comitês para que juntos pudessem estar participando das discussões e implementações de atividades dentro das nossas ações.”

Jessica SP

Nome:Jessica
Idade:18
Estado:São Paulo

1- “Discutir o tema abuso sexual com crianças e adolescentes, é como uma massa de modelar, que modelamos para que ela tenha o formato desejado. Uma vez que se trata dos mais vulneráveis a esses tipos de ataque, é de extrema importância que eles saibam do que se trata, mas isso de uma maneira segura e didática. Até porque na maioria dos casos, o abuso vem de pessoas do ciclo familiar e de confiança da criança, portanto na inocência ela pode acreditar estar fazendo o certo. É preciso que essas crianças e adolescentes tenham contato com o tema, de forma que seja entendido que isso viola seus direitos, e que eles podem e devem mudar isso.”

2- “Apesar de estar conhecendo agora o Comitê de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, vejo que a participação juvenil pode ser extremamente ativa. Na verdade, acredito que todos que já conhecem ou tiveram pouco contato com o Comitê, já faz parte dele, porque nós podemos colaborar diretamente na discussão e criação de projetos e coisas do tipo, basta estar interessado no assunto e na mudança da nossa realidade.”

Katia SP

Nome:Kátia
Idade:38
Estado:São Paulo

1- “O tema da violência sexual contra crianças e adolescentes, está em pauta nos últimos anos. A proteção de meninos e meninas é de responsabilidade da família, da sociedade e do Estado, como preconiza o ECA. Envolver adolescentes e jovens nesta luta, é de extrema importância, pois munidos de informações, estes terão realmente a condição de sujeito de direitos e dono de sua história. É dar a oportunidade de traze-los a participar de sua luta por dignidade sexual e, ter sua sexualidade protegida, além de multiplicarem aos seus pares toda a gama de informações necessárias a sua auto proteção.”

2- “O Comitê Nacional de Enfrentamento é formado por adultos, adolescente e jovens na luta pela erradicação da violência sexual contra crianças e adolescentes e, pela implantação do Plano Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. A participação desta galera tem tido resultados de excelência, principalmente na formação, mobilização e prevenção a este tipo de violência. Que possam ter o seu direito constitucional de participação da vida pública e não simplesmente, castrados de suas opiniões, saberes e potência. No Comitê, a participação deste público é inerente, com direito a voz, voto e construção de processos coletivos na luta por Direitos de Crianças e Adolescentes brasileiros.”

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Nome: David
Idade: 17 anos
Estado: Rio de Janeiro

1- “Bom a importância discutir essa temática esta na parte da garantia de participação dos mesmos, pois sabemos que este eh um problema pelo qual enfrentamos pelo mundo inteiro e a partir do momento que discutimos essa política entre nos mesmos automaticamente estamos inserindo essa política em nossas vidas para possamos levar não só para as ruas mas como também para dentro de casa”

2- “Bom a nossa participação se da através da busca incessante da garantia de direitos de nossas crianças e adolescentes, tendo como tese e fato principal de que nos somos o comitê nacional e que a nossa participação só existe porque infelizmente existe crianças e adolescentes que tem seus direitos violados.”

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Encontro Regional Sudeste de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes

Participantes do Encontro.

Nos dias 24 e 25 de agosto, Belo Horizonte foi sede do “Encontro Regional Sudeste de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes”. Os fóruns e comitês da região indicaram seus representantes adultos e jovens que durante dois dias traçaram estratégias de articulação para o Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.

O encontro começou as 09h do dia 24 de Agosto no Bristol Merit Hotel  com as boas vindas dos organizadores do evento e logo depois uma apresentação cultural com O Circo de Todo Mundo de MG contando com a participação de crianças, adolescentes e jovens que atuam na área de direitos da criança e do adolescente. Ocorreu em seguida uma apresentação da realidade de cada comitê estadual na região sudeste e posterior uma roda de conversa com a galera fazendo diversas perguntas aos representantes do Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (CNEVESCA).

Após o almoço, foi apresentado o filme Vida de Maria no qual foi gerado um debate super bacana entre os jovens e adolescentes que junto fora descobrindo a mensagem que este filme procura passar. Ao longo do dia uma representante da promotoria de MG foi participar da roda de debate esclarecendo algumas duvidas sobre a temática.

Em seguida o Rodrigo Correa falou o que seria O Projeto Aliança Nacional de Adolescentes (ANA) e seus objetivos e meios de mobilização em rede. Para encerrar o dia, jovens do Circo Social Baixada do RJ fizeram uma apresentação de dança com pernas de pau.

No segundo dia de encontro logo pela manha os participantes foram conhecer a Feira de Artesanato e o Parque Municipal de Belo Horizonte, já no período da tarde e na reta final do encontro foram divididos três eixos com os temas mobilização, prevenção e protagonismo para a construção do plano de ação da região sudeste em seguida cada eixo apresentou suas propostas e a devidas modificações no qual ficaram de serem socializada por email por conta dos horários de voo de alguns participantes.

A vida se repete na estação.

Quem quer ouvir uma boa história, vá a um terminal. Pode ser terminal rodoviário, de trem ou metrô, há sempre histórias muito boas de qualquer pessoa. Histórias para rir, para chorar, para refletir e de qualquer outro gênero, histórias que qualquer pessoa vive ou viveu num terminal.

Pelos terminais que passei como Santana, Barra Funda, Tietê, Bandeira e Itaquera. Costumo prestar atenção nas pessoas, vejo-lhes esperando seus amados com flores ou seus amigos, passeando com a família ou em grupos, bebendo a espera de um ônibus e pessoas em situação de rua pedindo uma moeda e um pouco de afeto.

Está ultima situação, me fez lembrar uma história que ocorreu comigo, Pedro, Brenda e Arthur, quando voltamos do II Congresso do Fórum Estadual dos Direitos Humanos da Criança e do Adolescente. Estávamos na estação Barra Funda esperando algo pelo qual não me recordo. A Brenda tinha um violão, mas não sabia toca-lo e eu achava que sabia, por isso tentava fazer um som com ele. Foi aí que surgiu um homem pedindo uma moeda, não tínhamos, e depois ele pediu emprestado o violão que estava em minhas mãos e o tocou de forma excepcional, como alguém só com um dom poderia tocar, aos poucos, outras pessoas chegaram e começou uma espécie de sarau com músicas e rimas.

Depois de certo tempo, seguranças se aproximaram para expulsá-los, alegando que estavam “badernando”, tentamos impedir que eles saíssem, mas os seguranças ameaçaram de nos expulsar também e as próprias pessoas com quem estávamos aceitaram a decisão de sair pedindo para ficarmos. Aquilo nos revoltou, com certeza aprendemos muito com aquilo.

Outras histórias nos terminais Barra Funda e Tietê, como a espera de amigos vindo do interior. Um deles era o Guilherme, eu e o Pedro sempre vínhamos busca-lo no terminal, e conversávamos com tanta intimidade que ele nos parecia um amigo que sempre víamos.

No Terminal Bandeira, conversas rápidas e decisivas com o Carlos (conversas que faço até hoje com ele no mesmo terminal). Em Santana, histórias com o Luciano que sempre proporcionava conversas de reflexão da militância e da vida.

E, finalmente, no Terminal Itaquera, onde fico esperando minha amada Denise, posso dizer que está última história, que se repete todo final de semana, é a que me dá mais prazer, mas não é a melhor, pois todas as histórias me mexeram de alguma forma, todas são as melhores.

O terminal é uma espécie de praça, onde as vidas se cruzam e proporciona histórias belas, tristes, engraçadas, embaraçosas e outras que mexem com qualquer pessoa. Quem quer ouvir uma boa história, vá a um terminal, quem quer viver uma boa história, vá a um terminal.

Lucas Antonio

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Reflexividade colaborativa.

Constituição Federal , Declaração Universal dos Direitos Humanos, Códigos e Códigos. Entre tantas legislações nacionais e internacionais, além de todos direitos direcionados a qualquer pessoa humana, existem recortes especificamente para às crianças. Declaração Universal dos Direitos da Crianças(1959), Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (1989) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), são exemplos de legislações especiais que garantem o direito à infância. Os direitos da criança estão baseados no princípio de que a criança necessita de cuidados especiais e proteção, devendo ser prioridade na agenda política.

Vamos ao destaque: “ É dever da FAMÍLIA, da SOCIEDADE e do ESTADO assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura , à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Constituição Brasileira de 1988, art. 227, caput.

Pensando no direito à vida trago um ponto bastante polêmico e que diverge opiniões entre os brasileiros: Bolsa Família. Com base no Relatório Mundial da Saúde 2013, o Bolsa Família reduziu em até 17% o índice de mortalidade infantil nas 2.853 cidades pesquisadas, entre 2004 e 2009. O estudo apontou também que o Bolsa Família foi responsável direto pela diminuição de 65% das mortes causadas por desnutrição e por 53% dos óbitos causados por diarreia em crianças menores de cinco anos. Esses dados causam um sentimento de esperança. É pouco, é muito pouco. Mas como diz o art 227 da CF/88 , é dever da família , da sociedade e do Estado garantir os direitos de crianças e adolescentes. Seja na promoção, reparação e controle de direitos resguardados para infância. Então, poupe-me palavrões e coloque em prática o que a legislação preconiza, pois é dever da sociedade civil, também.

É inversamente proporcional o número de crianças e adolescentes que são assassinados no Brasil, com o número de crianças e adolescentes que cometem um assassinato. Aconselho que visitem o site www.mapadaviolencia.org.br antes de qualquer comentário de pessoas que foram contaminadas pelo autoritarismo do regime militar, que veem militantes da área de Direitos Humanos como “defensores de bandidos” ou que fazem comparações equivocadas com outros países com sistema político, econômico e social diferentes do nosso.

Existe um leque variado de violações de direitos infância. Por exemplo, com base no Relatório Situação Mundial da Infância 2013, do UNICEF, uma estimativa amplamente utilizada indica que 93 milhões de crianças vivem com algum tipo de deficiência moderada ou grave, e não há ainda preparo por parte de alguns países para uma educação inclusiva.

Pois bem, não é só porque o dia 24 de agosto é o Dia da Infância, que devemos parar especificamente nesse dia para refletir sobre condições socioeconômicas e educacionais em que vivem as crianças desse planeta. Há diversos exemplos de pessoas e grupos que contribuem significativa para garantir a eficácia das legislações vigentes. E não é de agora.

Enquanto houver pessoas preocupadas apenas em satisfazer única e exclusivamente seus anseios, haverá violações, desigualdades e pensamentos equivocados guiados por uma única fonte de informação.

Nesse breve comentário existem lacunas e diversos pontos que deveria ser abordados, admito. Mas acredito numa reflexividade colaborativa onde todos possam opinar objetivamente, abrindo espaço para um debate maior e construtivo.

Monique Evelle

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Pra não dizer que não falei de flores. Ops! De Amarildo.

Não me manifestei até o momento sobre Amarildo. E também não fiz campanha nas redes sociais, apenas observei e acompanhei publicações e notícias sobre o caso. Antes de comentar sobre o caso de Amarildo, vale pensar um pouco na sociedade que vivemos. Cada um faz a reflexão que achar melhor.

A periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor”. Salve Sérgio Vaz! O amor pela nossa comunidade, a dor pelas semelhanças das nossas lutas diárias e a cor porque somos, na maioria, pretos. Pois bem, quem nunca viu ou ouviu alguém relacionar moradores de periferias com traficantes de drogas? Quem nunca assistiu um noticiário onde o negro é colocado como o protagonista no atentado contra a cidadania (assassinato, roubo etc)? Quem nunca assistiu filmes onde pretos, pobres de periferia são usuários de drogas seja lícita ou ilícita, mal educados, prostitutas etc? Como se não bastasse o preconceito racial, social e geográfico, a mídia sensacionalista ainda coloca lenha na fogueira.

O Estado é responsável pelo bem-estar dos cidadãos. Mas na prática, nem sempre isso acontece. A polícia é o Estado e os policiais são os cidadãos (?). Existe uma linha muito tênue e parece incompreensível. O braço armado do Estado, ao mesmo tempo em que deveria representar a proteção, representa o risco. No Rio de Janeiro, por exemplo, muitos homicídios cometidos por policiais foram registrados como “autos de resistência”, quando, possivelmente, seriam execuções. Acredito que não seja diferente no restante do país.

Conheci várias histórias de Amarildos. Um era morador de rua que , da noite pro dia, desapareceu enquanto dormia. Outro era universitário negro que após uma abordagem policial não voltou para casa. Outra história foi .. etc.. etc.. etc.. Agora tem outra história que ganhou espaço nas mídias sociais e tradicionais. Depois da Operação Paz Armada no dia 14 de julho na favela da Rocinha (RJ), policiais levaram Amarildo (mais um) para UPP. Segundo policias, Amarildo foi liberado logo em seguida. É, mas ele não chegou em casa até hoje. A Justiça do Rio negou o pedido da família de Amarildo para declarar morte presumida. Vale destacar em caps lock a seguinte fala do juiz Luiz Henrique Oliveira Marques, da Vara de Registro Público “O DESAPARECIMENTO TERIA OCORRIDO QUANDO AMARAILDO SE ENCONTRAVA EM PODER DE AGENTES DO ESTADO, O QUE, POR SI SÓ, NÃO GERARIA PERIGO DE VIDA”. Ok meritíssimo, meu nome não é Alice!

Não irei prolongar, pois um caso como esse perpassa por diversas questões. O fato é que estamos presenciando a olho nú a limpeza étnica. É só olhar que casos como esses acontecem constantemente em todo o país e de forma semelhante e com pessoas com características semelhantes. Ouvi um comentário assim: “Ele é traficante rapaz , deve ter fugido da polícia para não ser preso depois.” É, meu Brasil.. são pensamentos como esse que não dá espaço para dialética. Aposto que essa pessoa não conhece a história de vida do Amarildo.

Fui facilitadora da oficina sobre Cota Racial nas Universidades Federais no Seminário Regional Nordeste da ABMP em Fortaleza. O interessante que fui “objeto de estudo”. Um grupo falou: “Você é bonita, inteligente, universitária, não é cotista.. então nunca vai sofrer preconceito e não vai ser discriminada. Deve ser muito fácil para você conseguir empregos e o que quiser. Todo mundo te conhece e sabe que você é boa no que faz” Eu respondi: “Não sou cotista, mas ser ou não ser cotista não faz você escapar do preconceito e discriminação do dia a dia. Calma lá! Sou anônima. Se acontecer qualquer coisa comigo, acredito que as pessoas não vão relacionar minha imagem com de uma menina que é boa no que faz ”. Por mais que eu tenha diversas representatividades (Desabafo Social, ABMP, SaferNet etc), o que importa para essa selva de pedras é que eu sou negra e moradora de periferia. Como já havia citado anteriormente , os casos de desaparecimento relacionados com abordagens policiais , acontecem com pessoas de características semelhantes (negros, pobres, moradores de comunidades etc). Caso eu sumisse, de um hora para outra, será que eu não seria vista como usuária de drogas ou algo tipo? Mas enfim.. Monique à parte, cadê os Amarildos?

Monique Evelle

O responsável pelo conteúdo é o autor.

SEMINÁRIO REGIONAL NORDESTE DA ABMP EM FORTALEZA.

Membros do Conselho Consultivo Nacional de Adolescentes e Jovens da Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude.

Mais de 600 participantes marcaram presença nos dois dias do Seminário Regional Nordeste da ABMP em Fortaleza. Durante o Seminário, diversas mesas e oficinas discutiram os desafios para garantir a implementação efetiva do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Oficinas direcionadas para adolescentes, tiveram como facilitadores adolescentes e jovens membros do Conselho Consultivo Nacional da ABMP (CCNAJ). Ana Karoline (CCAJ-CE), representou o Conselho na mesa de abertura, ao lado da presidente e dos coordenadores regionais e estaduais. Felipe Vasconcelos (CCAJ-CE) e Enilson Ribeiro (CCAJ-MA), vestiram a camisa e entraram em campo com os adolescentes presentes na oficina “Direito a participação em jogo. Qual o seu time?”. Lucas Alves (CCAJ-CE) dividiu a mesa com Eduardo Rezende (TJ-SP) compartilhando conhecimentos sobre práticas restaurativas. Monique Evelle (CCAJ-BA) e Germana Oliveira (CCAJ-CE) utilizaram uma metodologia mais dinâmica para falar de um tema que diverge opiniões entre os estudantes brasileiros: Cota Racial nas Universidades Federais. Durante a oficina, um grupo pautou sua discussão utilizando Monique como exemplo. “Não sou cotista, mas sou a favor das cotas. Mas ser ou não ser cotista não faz você escapar do preconceito e discriminação do dia a dia.” , disse Monique.

Um pouco antes de terminar o seminário, os membros do CCNAJ tiveram um momento com os Promotores Juvenis, onde puderam ouvir opiniões, sugestões de melhorias e elogios a respeito da atuação dos conselheiros durante o evento. Logo após, os conselheiros entregaram a presidente da ABMP, Hélia Barbosa, a carta de intenções do CCNAJ que foi lida na plenária final. Desta forma, espera-se fortalecer a participação infanto-juvenil no Sistema de Garantias dos Direitos e no Sistema de Justiça da Infância e da Juventude cada vez mais.

Monique Evelle

Secretária Geral do Conselho Consultivo Nacional de Adolescentes e Jovens da ABMP

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Brasil, um país de todos?

        Quantos de vocês cidadãos tem prazer de morar nesse “Brasil, um país de todos”? Liberdade de expressão só para políticos e poderosos? A corrupção no Brasil também faz parte desse tal conceito de democracia? Ditadura religiosa proíbe manifestações?

        O Brasil sofre de uma falsa democracia, que abstrai do cidadão brasileiro todo o direito de liberdade de se expressar, então pensemos pra que democracia, se não temos liberdade?  Na verdade ela não existe só possui nome, nós passamos por diversas mudanças e as chamadas “revoluções”, já hoje nós vivemos no conformismo, diante de governos nos quais os governantes são os “papais” que mandam em tudo e as pessoas ficam a mercê da chamada DEMOCRACIA. Um dos principais e grandes motivos para isso é o povo que não participa de forma ativada política achando muitas vezes que ali não tem nada a ver com eles, mas é bem ai que se enganam, o povo é soberano, sendo que ele ainda não despertou desse poder. Dai observa-se 513 anos de Brasil e o que significam? O sistema nos oprimindo, nos massacrando, para ele nós não valemos absolutamente nada com cada ato, cada palavra, cada intenção, o desqualifica mais e mais, o povo no mesmo conformismo, além da falta de educação e saúde e da falta de vergonha na cara. A nação brasileira convive semanalmente com notícias de corrupção em manchetes de jornais, de revistas e em emissoras de televisão.

    Enfim, fatos consideráveis importantes: fim de conformismo, pondo como base a frase de Victor Hugo “Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há certa cumplicidade vergonhosa.” O Brasil tem de tudo para alcançar o auge da sua magnitude mundial, o povo brasileiro tem que reagir se manifestar e colocar um “CHEGA” nessa injustiça, mostrar aos políticos egoístas que o povo unido é capaz de mudar totalmente a atual conjuntura política brasileira. Mas ai eu pergunto, o que as pessoas realmente estão interessadas em mudar em nossa realidade? Reflita! O Brasil só precisa de você pra mudar o seu percurso.

Tainá Paranhos

O responsável pelo conteúdo é o autor.