Humanos ou “Coisas”?

A omissão do Estado, a péssima estrutura policial e a mídia que veicula informações sensacionalistas, faz com que o negro, sobretudo jovem, seja visto como um ser coisificado. Vivenciando essa realidade, boa parte da sociedade naturalizou o extermínio cometido, de forma surreal contra estas pessoas que são discriminadas e mortas, não por seus ideais ou por seus atos, mas pela cor de sua pele.

Os índices são alarmantes. Somente em 2010, no Brasil foram assassinadas 49.932 pessoas, deste total, 53,3% eram jovens, dos quais 76,6% eram negros. Embora os números caracterizem um genocídio em curso, parte da população enxerga a morte da juventude negra como a eficiência das estruturas policiais.

Recentemente uma pesquisa revelou que o assassinato de uma pessoa negra, frustra consideravelmente menos à sociedade do que o assassinato de uma pessoa branca. Este levantamento reforça ainda mais a ideia do naturalismo empregado à barbárie, e nos faz refletir se o Estado nos defende ou nos confronta.

“Numa noite quando estava indo à faculdade, fui revistado duas vezes, pelo mesmo policial”, disse um estudante negro residente de área periférica, na Roda de Conversa sobre o Exterminio da Juventude Negra. Solução pra isso? Existe sim, a solução para termos uma juventude equitativa, não está na esfera criminal… más sim na inclusão.

Elias Lourenço  ,  Maceió-AL.

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Anúncios

Desabafo sobre a Copa

Imagem

Aquela alegria com gosto de hipocrisia me deixava enjoado. Os paulistanos que chegavam ao metrô e que nunca pisaram em Itaquera estavam mais perdidos que os gringos. Uma confraternização me levava à outra dimensão, aquilo que estava na minha frente não era real. O cerco policial isolou Itaquera do resto dos brasileiros, transformando numa fantasia padrão Fifa.

Junto com dois futuros jornalistas, encontramos pessoas que tentaram romper com o mundo encantado, a EXTREMA violência dos cães-de-guardas impedia que centenas de pessoas se manifestassem contra o Circo a Copa.

Um contingente militar de maior número que os próprios manifestantes, assustava quem passava por perto. Duas estações estavam fechadas como forma de prender os manifestantes naquela pequena rua até o apito final, uma estratégia covarde e proibida.

Algo pouco mostrado pela “imprensa marrom” é que os policiais agiram primeiro, a violência que PARTIU DELES foi cruel e não se importava quem fosse atingido por ela. A ação terminou com um saldo “positivo” de, pelo menos, cinco jornalistas feridos e dezenas de manifestantes sangrando.

Cansado de correr das bombas e balas de borracha, voltei para casa já tarde da noite. Achei no mínimo engraçado quando soube das vaias à Dilma. Tentei imaginar o que a pessoa que vaiava pensava: “Meu país está um lixo, vou vaiar porque ela está acabando com ele” … “Gol do Brasil!!”.

Lucas Antonio, São Paulo.

O responsável pelo conteúdo é o autor.

 

Entre a Copa e o Dia dos Namorados o problema é mais embaixo.

Enquanto os olhares do mundo inteiro estão direcionados para a Copa do Mundo, esquecemos que o dia 12 de Junho não é apenas a data do primeiro jogo da seleção brasileira no mundial, tampouco de flores e corações do Dia dos Namorados. Hoje é um dia para permanecermos atentos com as nossas crianças. Sim, meus caros amigos da Rede Virtual, 12 de Junho é o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil.

Apesar da exploração sexual contra crianças ser um tipo de trabalho infantil, o segundo de um modo geral é mais fácil de ser detectado e infelizmente, acaba sendo mais “aceitável” por muitos.

Uma cena onde uma criança vende balas no trânsito das grandes cidades, não causa tanto espanto quando falamos de um caso de exploração e abuso sexual contra crianças e adolescentes. E há quem compre tais mercadorias com a desculpa de estar ajudando e segue vivendo a sua vida sem se importar, como se aquele R$1,00 pudesse mudar a realidade daquela criança.

Segundo pesquisas realizadas pelo IBGE no ano retrasado, cerca de 3,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 estão trabalhando(no presente mesmo, pois sabemos que pouco mudou). Isso apenas no Brasil, que fique claro. Entenda esses números:

Número de crianças e adolescentes que trabalhavam em 2012:

Faixa etária

Quantidade

De 5 a 9 anos

81 mil

De 10 a 13 anos

473 mil

De 14 a 17 anos

2,96 milhões

Total

3,51 milhões

Você com 6 anos estava assistindo desenho de manha, tomando o seu leite com chocolate e comendo biscoito, diferente das crianças de regiões mais pobres que levantavam – e ainda levantam – muito mais cedo para trabalharem em carvoarias, nas “roças” ou nas movimentadas avenidas das capitais. Crianças que não puderam gozar de sua infância, de sua inocência, pois tinham que ajudar a levar alimento para dentro de casa.

Podemos trazer estes fatos e dados para o atual momento do país e pensar: Imagina na Copa.

Quantas crianças serão vítimas de exploração sexual durante o evento? Quantas crianças serão obrigadas a vender balas, doces e afins próximas aos estádios?

Todos estão muito preocupados com as iminentes manifestações, com a violência, com os assaltos, mas que nossas crianças não sejam esquecidas. A Copa pode trazer muitos prejuízos para o nosso Brasil, mas se ela afetar as nossas crianças, os prejuízos jamais serão reparados.

Igo Bolleli, Minas Gerais.

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Nota

Aconteceu no dia 11/06, com participantes de diversos estados do Brasil o bate papo online, que teve como tema a Copa do Mundo de 2014. Os presentes deixaram explícitos o repúdio com os gastos exorbitantes do mundial.

Rene Silva, fundador do Jornal Voz das Comunidades, falou sobre o trabalho executado pelas UPP’s na cidade maravilhosa, papel fundamental para a segurança dos visitantes que já se encontram no Rio. Também aproveitou o momento para criticar o preço dos ingressos da Copa e a estratégia capitalista da Fifa de não permitir que os torcedores levem alimentos aos jogos e sim, adquiram lá.

Para Monique Evelle, fundadora do Desabafo Social, a mobilização de diversos movimentos sociais no momento que o Brasil encontra-se cheio de visitantes, é essencial para conscientizar a todos sobre a realidade do nosso país. Enfatizou também, o trabalho preventivo realizado por diversas instituições sociais, incluindo o Desabafo, visando a prevenção da violação dos direitos humanos de crianças e adolescentes nos megaeventos.

Já o jornalista Pedro caribé, expôs sua visão de morador da capital do país, com estatísticas plausíveis sobre o futebol no contexto socioeconômico, comparou o campeonato brasileiro com outros de diferentes nacionalidades e criticou implicitamente a forma como os impostos são revertidos para a população.

Assista o Hangout

Nota

Nem todos os alertas, todos os exemplos, todas as estatísticas e todos os argumentos irão acabar com a vontade de uma parte da população de diminuir a maioridade penal. Assim como acreditar em Papai Noel, essas pessoas acreditam que a violência irá acabar por meio da redução, algo como magia.

No Estado de Minas Gerais, o Governo colocou 70 adolescentes na Cadeia Pública de Santa Luzia e na Unidade Prisional de Juatuba, alegando que as Fundações Casas da região estão lotadas (o que pode ser verdade). Mas a contradição aparece quando vimos que as cadeias estão mais do que lotadas.

Para discutir se é viável ou não a redução da maior idade penal, não podemos nos esquecer de discutir sobre a segurança pública, a educação, a saúde, o assistencialismo, a desigualdade social, o sistema carcerário e entre outros temas que envolvam o dia-a-dia da sociedade. Colocar um acontecimento e isolar do nosso contexto social é o que a mídia convencional mais gosta de fazer, e o resultado são 93% de paulistanos pedindo a redução da criminalidade.

Se as pessoas acreditam que a impunidade é a responsável pela violência, por que o Brasil tem a terceira maior população carcerária do planeta e ainda continua com tantos crimes? O que falta de impunidade para quem veste terno, sobra para que tem “pé no chão”.

Seminário Mídia e Direitos Humanos

ccdc

Hoje participamos do Seminário Mídia e Direitos Humanos promovido pela ONG Cipó Comunicação Interativa, pelo O Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania (CCDC) da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pelo Intervozes.

O evento foi realizado no Colégio Estadual Dalva Matos,  no subúrbio de Salvador, com os alunos do ensino médio. Dando inicio as atividades, o professor Jeovandro, da Faculdade de Comunicação da UFBA, destacou a influência da mídia no cotidiano das pessoas.  “Os meios de comunicação segregam as pessoas. Como eu posso representar o outro nos meios de comunicação sem preconceito?”, disse.

A estudante Jaiana dos Santos, 15, manifestou indignação com que é transmitido nos programas policialescos. “A comunicação é um perigo para sociedade. A TV só passa coisas ruins sobre a favela, mas não é bem assim.” Paulo Vitor, do Intervozes, questionou o público. “Assistimos os programas policialescos, sensacionalistas por que queremos ou por que é o que tem?”. Logo em seguida, Paulo Vitor trouxe um exemplo de uma emissora de televisão que tinha um programa o qual violava os direitos humanos de homossexuais. Esse programa saiu do ar por 30 dias. Nesse período foram exibidos programas educativos e voltados a promoção da dignidade da pessoa humana. O resultado foi que a audiência triplicou. Isso significa que assistimos esses programas porque é o que tem.

A comunicação apesar de ser um direito, sempre foi tratada como negócio. Onde tem negócio, onde tem mercadoria há desigualdade. E por isso, os estudantes sugeriram que para exaltar a beleza e a cultura das periferias de Salvador, é necessário que os movimentos sociais e a sociedade civil unam forças para valorizar as mídias alternativas já existentes.

O pior analfabeto é o analfabeto midiático.

[Reproduzido da revista FORUM.com.br (em 20/08/2013)].

O analfabeto midiático

“Ele imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo esforço intelectual”. Reflexões do jornalista Celso Vicenzi em torno de poema de Brecht, no século 21.

Por Celso Vicenzi, no “Outras Palavras”. 

O pior analfabeto é o analfabeto midiático.

Ele ouve e assimila sem questionar, fala e repete o que ouviu, não participa dos acontecimentos políticos, aliás, abomina a política, mas usa as redes sociais com ganas e ânsias de quem veio para justiçar o mundo. Prega ideias preconceituosas e discriminatórias, e interpreta os fatos com a ingenuidade de quem não sabe quem o manipula. Nas passeatas e na internet, pede liberdade de expressão, mas censura e ataca quem defende bandeiras políticas. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. E que elas – na era da informação instantânea de massa – são muito influenciadas pela manipulação midiática dos fatos. Não vê a pressão de jornalistas e colunistas na mídia impressa, em emissoras de rádio e tevê – que também estão presentes na internet – a anunciar catástrofes diárias na contramão do que apontam as estatísticas mais confiáveis. Avanços significativos são desprezados e pequenos deslizes são tratados como se fossem enormes escândalos. O objetivo é desestabilizar e impedir que políticas públicas de sucesso possam ameaçar os lucros da iniciativa privada. O mesmo tratamento não se aplica a determinados partidos políticos e a corruptos que ajudam a manter a enorme desigualdade social no país.

Questões iguais ou semelhantes são tratadas de forma distinta pela mídia. Aula prática: prestar atenção como a mídia conduz o noticiário sobre o escabroso caso que veio à tona com as informações da alemã Siemens. Não houve nenhuma indignação dos principais colunistas, nenhum editorial contundente. A principal emissora de TV do país calou-se por duas semanas após matéria de capa da revista IstoÉ denunciando o esquema de superfaturar trens e metrôs em 30%.

O analfabeto midiático é tão burro que se orgulha e estufa o peito para dizer que viu/ouviu a informação no Jornal Nacional e leu na Veja, por exemplo. Ele não entende como é produzida cada notícia: como se escolhem as pautas e as fontes, sabendo antecipadamente como cada uma delas vai se pronunciar. Não desconfia que, em muitas tevês, revistas e jornais, a notícia já sai quase pronta da redação, bastando ouvir as pessoas que vão confirmar o que o jornalista, o editor e, principalmente, o “dono da voz” (obrigado, Chico Buarque!) quer como a verdade dos fatos. Para isso as notícias se apoiam, às vezes, em fotos e imagens. Dizem que “uma foto vale mais que mil palavras”. Não é tão simples (Millôr, ironicamente, contra-argumentou: “então diga isto com uma imagem”). Fotos e imagens também são construções, a partir de um determinado olhar. Também as imagens podem ser manipuladas e editadas “ao gosto do freguês”. Há uma infinidade de exemplos. Usaram-se imagens para provar que o Iraque possuía depósitos de armas químicas que nunca foram encontrados. A irresponsabilidade e a falta de independência da mídia norte-americana ajudaram a convencer a opinião pública, e mais uma guerra com milhares de inocentes mortos foi deflagrada.

O analfabeto midiático não percebe que o enfoque pode ser uma escolha construída para chegar a conclusões que seriam diferentes se outras fontes fossem contatadas ou os jornalistas narrassem os fatos de outro ponto de vista. O analfabeto midiático imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo de esforço intelectual. Não se apoia na filosofia, na sociologia, na história, na antropologia, nas ciências política e econômica – para não estender demais os campos do conhecimento – para compreender minimamente a complexidade dos fatos. Sua mente não absorve tanta informação e ele prefere acreditar em “especialistas” e veículos de comunicação comprometidos com interesses de poderosos grupos políticos e econômicos. Lê pouquíssimo, geralmente “best sellers” e livros de autoajuda. Tem certeza de que o que lê, ouve e vê é o suficiente, e corresponde à realidade. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o espoliador das empresas nacionais e multinacionais.”

O analfabeto midiático gosta de criticar os políticos corruptos e não entende que eles são uma extensão do capital, tão necessários para aumentar fortunas e concentrar a renda. Por isso recebem todo o apoio financeiro para serem eleitos. E, depois, contribuem para drenar o dinheiro do Estado para uma parcela da iniciativa privada e para os bolsos de uma elite que se especializou em roubar o dinheiro público. Assim, por vias tortas, só sabe enxergar o político corrupto sem nunca identificar o empresário corruptor, o detentor do grande capital, que aprisiona os governos, com a enorme contribuição da mídia, para adotar políticas que privilegiam os mais ricos e mantenham à margem as populações mais pobres. Em resumo: destroem a democracia.

Para o analfabeto midiático, Brecht teria, ainda, uma última observação a fazer: “Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual”.

Nota
“Qual não foi, porém a nossa decepção ao vermos que o idiota preconceito em vez de diminuir cresce […] que os soldados pretos que nos campos de batalha têm dado provas de heroísmo, são postos oficialmente abaixo do nível de seus camaradas; que para os salões e reuniões de certa importância, muito de propósito não é convidado um só negro, por maiores que sejam seus merecimentos ; que os poderes públicos, em vez de curar do adiantamento dos pretos, atiram-nos à margem, como coisa imprestável?”  – Jornal O Progresso, São Paulo, 1899.

Fotografia: Midiã

Os dias 29 e 30 de maio, foram de bastante debate sobre comunicação e racismo, no evento promovido pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), em Brasília.

O seminário tinha como objetivo debater o quadro atual da Comunicação Social no Brasil no que diz respeito a diversidade e combate ao racismo, e discutir medidas que contribuam para que o país alcance uma comunicação mais plural e democrática, por meio do fortalecimento das mídias negras.

Na abertura do evento, a ministra Luiza Bairros, lamentou a ausência de assessorias dos Ministérios.  A historiadora e jornalista, Ana Flávia Magalhães, questionou os participantes. “Houve o silenciamento das vozes negras ou até agora vivemos em tentativa de silenciamento?”, perguntou.

A representante do coletivo Intervozes, Bia Barbosa demonstrou preocupação no que diz respeito ao acesso a informação. “Temos hoje uma grande parte da população sem acesso a internet. E necessário investimento do Estado para promover essa forma de inclusão social. Por meio desse tipo de ação a população, antes excluída, ganhará voz e por consequência mais informação”, sugeriu.

Na roda de conversa A luta antirracista e as novas formas de comunicação, Monique Evelle, falou da importância de utilizar uma linguagem a qual crianças, adolescentes e jovens possam compreender situações de racismo e somar na luta antirracista. “Não adianta ficar falando para nós mesmo “, disse. Além disso, Monique trouxe alguns dados os quais mostram a desigualdade de acesso a internet entre negros e brancos e disse que para além do acesso, é preciso educação digital, para evitar violações de direitos na internet.

Nas rodas de conversa, também foram apresentados produtos de organizações presentes como a revista O Menelik 2º Ato, pelo jornalista Nabor Jr. e vídeos do vlog Tá bom pra você?, pelo ator e diretor Érico Brás.

 

 

 

Nota
Imagem

Galera da oficina

Aconteceu no dia 24/05, em Maceió-AL, a oficina que teve como tema Mídias Sociais e a Pornografia Infantil. Foi enfatizado durante toda a atividade pelo mediador, Elias Lourenço,  a importância do acompanhamento dos pais, quando os filhos estiverem acessando a internet. Também foram discutidas várias nomenclaturas existentes no mundo virtual, como: sexting, cyberbullying, check-in, chantagem on-line, entre outras.

Entre os participantes, uma adolescente disse ter sido vítima de sexting: “Um amigo do meu irmão, de outro país, me adicionou em uma rede social,e fez uma proposta de colocar imagens minhas em um site pornográfico, eu disse que NÃO. Depois disso, ele fez uso de umas fotos que eu tinha publicado. Mas no mesmo instante invadi  a conta dele, depois o bloqueei.”

Inúmeras questões foram levantadas durante a atividade, uma em especial, o Marco Civil da Internet que foi aprovado recentemente, e que ainda… é desconhecido entre muitos brasileiros, principalmente entre adolescentes e jovens.

 

Sabotagem X Manifestação

O dia em que São Paulo parou!

FIFA

Militante nunca desiste da luta, fazendo chuva ou sol, como ou sem transporte o individuo tem uma reunião e enfrenta as adversidades para chegar até o local na região central de São Paulo, uma das maiores doideiras da minha vida (olha que eu já ate saltei de paraquedas) Mas notei o quanto e surreal ver a cidade parada pois não se tem transporte público viário , os ônibus estão sem rodar em diversos terminais, diversas linhas da periferia e do centro estão sem sair de suas garagens, deixando mais de 5 MILHÕES DE PASSAGEIROS (exatamente 5.469.794 passageiros por dia – dados da SPTRANS relativos aos três primeiros meses de 2014 , empresa que administra o transporte em SP). E não podemos esquecer-nos da media de 3 milhões de passageiros que andam de metro (cabe tudo isso?) .

Olhando as ruas enquanto perambulava pela cidade atrás de uma entrada no metro vazio, via as pessoas perdidas, desesperadas sem saber como voltar pra suas casas, mulheres com crianças de colo, idosos sem espaço e dignidade para entrar num único ônibus que rodava, onde a palavra superlotação era elogio naquele momento, vi pessoas voltado para dormir em seus trabalhos, ligando para os familiares dizendo que sem condições de chegar em casa ! Eu não me sentia tão preocupado para chegar em casa, até por sei me virar muito bem para chegar “na quebrada” em casos de extremos na cidade, mas ontem olhei o quando essa coisa chamada ônibus é necessário para um trabalhador, mesmo sendo comparado á um navio negreiro que vivia abarrotado de pessoas sem condições humanas de estarem ali, onde ele sofre, mas em sua ausência, não sabe o que fazer.

Sempre tem alguém para estragar as coisas, e começaram a incendiar ônibus em algumas regiões da cidade, foi quando o grande estopim surgiu, pois todas as empresas de ônibus mandaram recolher seus veículos da rua. Uma cidade que não dorme como São Paulo às 23hs não teria mais ônibus nas ruas, onde o desespero se tomava conta! Sorte de alguns onde alguns motoristas solidários levavam os passageiros que estavam nos terminais até imediações das garagens de suas empresas para que o povo ficasse um pouco mais próximo de suas casas e enfrentassem as longas caminhadas, incertas, inseguras e que geravam duvidas: – Como será amanha?

Estão fechando tudo, fecharão tudo e a população vai pagar. É sabotagem ou uma forma valida e democrática de participação e mobilização da classe trabalhadora? Estou nessa duvida e angustia em saber o que acontece, onde vai parar tudo isso, até onde a população vai pagar por isso, por questões trabalhistas ou partidárias? Vamos refletir até onde e como se manifesta! Enquanto isso vou lembrar pro resto da vida… O DIA QUE SÃO PAULO PAROU! Caos social instaurado! IMAGINA NA COPA ?

Carlos Alberto, São Paulo.

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Nota

 

No dia 15 de maio, o Desabafo Social, por meio da Monique Evelle, participou do 14º ano de mobilização do “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, celebrado no dia 18 de maio. O evento foi promovido pelo Comitê de Enfrentamento Sexual Contra Criança e Adolescente e ocorreu no Centro de Cultura da Câmera, em Salvador. A ação reuniu órgãos, movimentos da sociedade civil e o poder público.

Monique criticou as peças publicitárias da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado da Bahia: “É necessário que haja a participação juvenil no processo de elaboração de campanhas. As campanhas da Secretaria não conseguem passar a informação que deseja”. O secretário, afirmou que irá reformular a campanha e convidará o Desabafo Social para compor a nova campanha sobre o Enfrentamento a Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes.

 

Responsabilidade

Durante o evento os parlamentares se comprometeram em pautar essa temática e voltar com a frente parlamentar sobre exploração sexual enfrentamento a exploração sexual.

 

Preocupação

Em uma das falas dos participantes, Monique Evelle ressaltou a importância de combater a pornografia infantil na internet. Este tópico está em primeiro lugar no ranking de denúncias da internet, e mesmo com novas medidas como a lei 11829 de 2008, que aprimora o combate à produção, venda e distribuição da pornografia infantil, a batalha sobre esse tema precisa ser intensificada.

 

Campanha

Desde o dia 02 de maio, o Desabafo Social vem realizando uma campanha, por meio das mídias sociais sobre a importância do combate da exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes. A campanha trás casos reais, com nomes alterados, em que houve essa forma de violência.

 

Nota

“Atire a primeira pedra quem nunca errou”, frase dita por um certo homem que viveu há dois milênios e que ainda não foi muito bem assimilada pelas pessoas. O caso de Maria Madalena que seria linchada até a morte por pessoas “de bem” foi impedido pelo Messias da época, hoje, 200 séculos depois, Fabiane Jesus é morta por pessoas “de bem” por ser confundida com uma sequestradora.

O caso da Fabiane foi impactante por ela ser inocente e ter sido assassinada, porém essa onda de violência da população vem se arrastando há algum tempo, mas só depois do jovem preso no poste do Rio de Janeiro que isso vem ganhando mais notoriedade.

O caso mais recente é da manicure Ane Kelly sequestrada, torturada e assassinada por ter furtado 27 mil reais e um pacote de bolacha. Talvez essa morte não “pegue tão mal” para os “justiceiros”, já que a manicure roubou algo, e como reza a cartilha “bandido bom é bandido morto”. Não sei como será no futuro, só sei que dele não quero participar.

Nota
BIENAL DA BAHIA
Estamos embarcando numa louca e produtiva aventura com pessoas da área de arquivologia, biblioteconomia e museologia. Essa loucura tem nome! É a 3ª Bienal da Bahia que acontecerá a partir de 29 de maio em Salvador e diversas cidades do interior baiano.
 
O Desabafo Social e outros grupos de comunicadores somaram forças para narrar essa história. Ontem (09/05) foi o dia de entender onde estamos pisando. Acreditem, não será nada fácil! 
 
Vocês sabiam que o  Arquivo Público da Bahia é considerado o segundo mais importante do Brasil, depois do Arquivo Nacional? Pois é. Mas há 3 anos este arquivo não tem luz e ainda há goteiras podendo danificar os materiais. Como preservar a memória de um estado colocando toda sua documentação em risco?
Estaremos acompanhando tudo isso para dar visibilidade aos arquivos públicos do estado da Bahia! 
 
CURIOSIDADE: 
Depois de vários anos expostas publicamente no Museu Nina Rodrigues, as cabeças de Lampião e Maria Bonita foram enterradas no cemitério Quinta dos Lázaros, na Baixa de Quintas em Salvador-BA. 

Tribo Urbana – A voz da Periferia !

Imagem

Grupo Lição Final

 

O movimento negro Hip-Hop está cada vez mais evidente . O jeito de se vestir, de falar, de cantar, de dançar deixou de ser algo discriminável e passou a ser símbolo . O hip hop é uma cultura artística que foi iniciada durante a década de 1970 nas áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova Iorque.

O Afrika Bambaataa, reconhecido como o criador oficial desse movimento, criou quatro pilares essenciais na cultura hip hop: o rap, o DJing, a breakdance e a escrita do grafite. Outros elementos incluem a moda hip hop e as gírias. Os subúrbios, que são verdadeiros guetos, enfrentam diversos problemas de ordem social como pobreza, violência, racismo, tráfico de drogas, carência de infra-estrutura e de educação, entre outros , desde então os jovens encontram na rua o único espaço de lazer, e geralmente entram num sistema de gangues, as quais se confrontam de maneira violenta na luta pelo domínio territorial , daí podemos então reconhecer o Hip Hop como um movimento de libertação , um movimento cultural que dá condição de pensar para vários outros segmentos e a partir dai dar condições de lutar em favor das periferias.

A melhor forma de levar novas perspectivas de vida para as pessoas que vivem à margem da sociedade é incentivando a liberdade e uma forma de expressar o seu sentimento e a realidade social em forma de rap. Contribuir para que os jovens saiam do mundo das drogas, educar e atrair as pessoas para o lado da cultura buscando conhecimento através do rap, essa é a filosofia , esse é o objetivo . O Rap é a face da periferia e a construção cultural a partir do surgimento de expressões artísticas inovadas que revelam a identidade e retratam a cidade, partindo de pensamentos e manifestações que que batem de frente com a real situação da sociedade e propõe mudanças na mesma .

O movimento chegou como uma questão de educação e com o seu papel na diminuição da desigualdade que gera violência, abrindo o campo de visão da juventude que começa a interpretar o coletivo dentro da trajetória de manifestações culturais que atuam nas periferias metropolitanas, convivendo com as dificuldades e os problemas sociais , que refletem o seu dia a dia e afetam até o perceber desta arte dentro da construção da cidade. A força moral não é um privilegio heroico , faz parte de qualquer sujeito principalmente aquele que mora na favela , porque este aprende que a cada dia que se passa a sua vida é uma batalha e pra pra conseguir o que se quer é necessário ir a luta .

O Hip hop desenrola histórias de heróis na vida real , vivida por pessoas comuns da favela e não importa a cor, o nível de escolaridade , religião ou qualquer outro critério , a periferia é o centro , o hip hop é nossa manifestação cultural é a voz da rua , são crônicas e informações em forma de música , de dança , de arte.

 

Tainá Paranhos

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Jovens se reúnem dentro do #ArenaNETMundial para debater Direitos Humanos na Internet

O debate  reuniu jovens comunicadores de todas as regiões do Brasil para discutir a participação infanto-juvenil na internet. A reunião realizada pela Safernet em parceria com o Desabafo Social, Renajoc e Viração, trouxe num dos pontos mais importantes à importância da inclusão digital e a garantia do direito básico para a população mais carente.

Além da troca de cultura causada pelas diferenças geográficas dos participantes, a diferença social ficou evidente no ambiente, causando assim outra troca de vivência e experiência dos convidados, o que contribuiu muito no debate sobre a internet segura.

Ao fim da reunião, Rodrigo Nejm da Safernet afimou que o importante não é criar uma nova rede, e sim soma-las como forma de fortalecer a luta de cada movimento.

Direitos Humanos é tema de debate na #ArenaNETMundial

Num dos debates mais importantes do evento, a “A Internet e os Direitos Humanos”, reuniu alguns dos mais importantes nomes de ativistas e cyberativistas dos direitos humanos como o jornalista e blogueiro Leonardo Sakamoto, a também jornalista e cyberativista Nana Queiros do #EuNãoMerecoSerEstuprada, o cyberativista francês Jérémie Zimmermann; o coordenador do Fora do Eixo, Pablo Capilé; o ativista e rapper GOG e o músico e responsável pela Casa de Cultura Tainã, TC.

Antes do debate, o local já trazia uma mostra do que seria o debate dos participantes, com as fotos espalhadas do rosto do ex-espião da CIA, Edward Snowden. As falas dos debatedores arrancaram muitos aplausos num debate eufórico e com muita emoção trazida pelos convidados.

 

Frases que marcaram o debate

Leonardo Sakamoto

“O reacionário começa ver todo mundo discutindo, trocando informações na internet, algo que nunca viu, e reage”.

 

Nana Queiroz

“Não está na hora de ouvirmos os movimentos feministas e não uma garota que fez uma campanha na internet?”.

“Eu não sou a única mulher falando. Eu sou a única mulher sendo ouvida, e por sorte”

 

Pablo Capilé

“O Snwden se manifestou e o Marco Civil foi levado adiante. Mas há anos que os movimentos sociais estão nas ruas falando isso”.

 

TC

“A internet é algo desconhecido para o Brasil. Somente metade da população tem acesso”.

 

GOG

“Não temos maioria feminina, mas temos a maioria negra”.

“É preciso ocupar territórios”.

“Existe um genocídio da juventude negra”.

O mundo aplaude o Brasil na #ArenaNETMundial.

“Recente aprovação do Marco Civil da Internet representa um avanço mundial”, afirmam convidados.

A mesa que discutiu a internet mundial reuniu personalidades importantes como artista Gilberto Gil, o criador da Web Tim Berners Lee, o Ministro-Chefe da Secretária-Geral da Presidência da República Gilberto Carvalho, o ativista e professor Sergio Amadeu, o patriarca da internet brasileira Demi Getshoko e entre outros.

Todos os convidados parabenizaram o Brasil por causa da recente aprovação do #MarcoCivildaInternet. Para o ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, a proposta envolvia muitos interesses, mas sua aprovação quase unanime é considerada um “Milagre político”.

Os discursos colocaram que a sanção da nova lei significa maior liberdade e segurança aos internautas, e fizeram questão de ressaltar que nenhum país do mundo possui uma lei para Web tão completa como o Brasil.

” Espero continuar contando com a participação da sociedade, em especial da juventude, para que possamos avançar ainda mais”, disse o deputado Alessandro Mollon, relator do Marco Civil.

Cyberativistas e pesquisadores discutem participação social na Web

No debate da tarde de hoje (24/04) na #ArenaNETMundial reuniu pesquisadores da web e cyberativistas para debaterem com o tema “Novas Formas de Participação Social em Rede”. A conversa relembrou momentos da participação da juventude no campo virtual no mundo inteiro, principalmente no Brasil com as chamadas Jornadas de Junho.

Uma das debatedoras, a Daniela Silva da Transparência Hacker, levantou pontos importantes que arrancou aplausos do público, entre eles ela diz que não adianta o governo olhar para internet de forma inovadora se o Estado é conservador, e cita o caso de militantes que são pressionados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal tendo seus dados pessoais invadidos pelo Estado.

Moção de Apoio ao Projeto de Lei 4471/12 – Autos de Resistência

Moção de Apoio ao Projeto de Lei 4471/12

Nós, organizações de movimento negro do estado da Bahia, manifestamos nosso apoio à aprovação do PL 4471/12, que altera os arts. 161, 162, 164, 165, 169 e 292 do Decreto-Lei nº3.689, de 3 de outubro de 1941- Código de Processo Penal, prevendo assim o fim dos “autos de resistência” e “resistência seguida de morte”.

 

Os dados do 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicados em 2013 demonstram que a polícia baiana é a que mais mata, com uma média de mais de uma execução por dia. No caso sobre o assassinato da Sra. Claudia Silva Ferreira, no Rio de Janeiro, foi identificado que dois dos três policiais militares acusados estão envolvidos em 62 autos de resistência.

 

Defendemos ainda a manutenção do projeto como foi apresentado onde: obriga a preservação da cena do crime; obriga a realização de perícia e coleta de provas imediatas; define a abertura de inquérito para apuração do caso; veta o transporte de vítimas em “confronto” com agentes, que devem chamar socorro especializado; substitui os “autos de resistência” ou “resistência seguida de morte” por “Lesão corporal decorrente de intervenção policial” e “Morte decorrente de intervenção policial”.

 

No sentido de garantir a exaustiva apuração de casos de letalidade derivada do emprego da força policial e redução substancial dos casos de execuções cometidas por policiais, manifestamos nosso apoio ao PL 4471/12 e solicitamos a aprovação do referido projeto.

 

Bahia, 31 de Março de 2014

 

Entidades que assinam:

Afoxé Filhos do Congo

Aganju – Afrogabinete de Articulação Institucional e Jurídica

Articulação Interredes de Jovens do Nordeste

Associação Cultural Aspiral do Reggae

Associação Cultural de Hiphop Nova Saga

Associação Cultural os Negões

Associação de Ogans do Reconcavo

Associação Socio-Cultural e de Capoeira Bloco Carnavalesco Afro Mangangá

CMA HIPHOP – Comunicação, Militância e Atitude HipHop

Coletivo Boom Clap

Coletivo de Assessoria Ciranda

Coletivo de Entidades Negras

Coletivo Martin Luther King

Coletivo Quilombo

Coletivo Regional de Participação Social

Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado da Bahia – CDCN

Conselho Estadual Quilombola

Conselho Municipal da Comunidade Negra da Cidade do Salvador – CMCN

Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) – Bahia

Corpo Acadêmico dos Negões

Desabafo Social

Fórum Baiano de Juventude Negra

Fórum de entidades do Bairro da Paz

Instituto Cultural Steve Biko

Instituto de Mídia Etnica

Instituto Mão Amiga de Ação Social & Cidadania  

Instituto Odara

Instituto Palmares de Promoção da Igualdade

Instituto Pedra de Raio

Levante Popular da Juventude-BA

Liga dos Invasores

Mídia Perifiérica

Movimento dos Sem Tetos da Bahia – Democrático e de Lutas

Movimento negro Unificado (MNU) – SEÇÃO Bahia

Organização Sócio Educativa e Cultural Hip Hop Clã Periférico

Posse de Conscientização e Expressão – PCE

Quilombo Educacional da Ilha de Vera Cruz

Rede de Jovens do Nordeste – Bahia

Rede Juventude de Terreiro

Resistência Comunitária

Revolution Reggae

Unegro – União de Negros Pela Igualdade

Vixe Produções

Golpe Militar – 50 anos.

No dia 31 de março, o Golpe Militar completou os 50 anos. Marcado pela falta de liberdade, sequestro, torturas assassinatos e outras atrocidades, os 21 anos de regime fechado (1964 a 1985) do Brasil pode ser considerado a pior coisa que aconteceu no país, mas para muitos jovens (muitos mesmo) foi algo bom, (aff).

Longe de querer que eles se calem (até porque não sou nenhum sensor da ditadura), mas penso que um pouco de sensibilidade e senso político iria fazê-los entender o que foi o que foi aquele período sem precisar ter vivido (e ainda bem que não viveu). Mas para ter uma experiência, não precisamos voltar no tempo.

Bom, para entender como as coisas mudaram em 50 anos eu explico.  Antigamente os militares torturavam e matavam políticos, negros, pobres e índios. Hoje em dia, os militares torturam e matam negros, pobres e índios, bom… ainda não avançamos muito.

Depois dos 50 anos do Golpe, as perseguições e repressões policiais ainda continuam nas favelas e comunidades. Somente em janeiro deste ano, 76 pessoas foram mortas em São Paulo. O último caso de maior repercussão sobre esta violência foi à morte do servente de pedreiro Amarildo, protagonizado pela Polícia ‘Pacificadora’ do Rio de Janeiro, até hoje os PM’s envolvidos não foram julgados.

Sei que a maioria das pessoas quer os militares longe do poder, mas a outra parte da sociedade não deixa de ser preocupante. Mesmo tão recente na nossa história, a ditadura precisa ser mais discutida, devemos sempre reafirmar do quanto foi negro este período e homenagear os brasileiros desaparecidos nos porões da ditadura.

Lucas Antonio

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Desabafo Social leva o prêmio!

PRÊMIO DE TODA EQUIPE DO DESABAFO SOCIAL.

Na cerimônia de abertura do XXV Congresso da ABMP, Monique Evelle, foi premiada pelo seu trabalho no Desabafo Social, rede composta por adolescentes e jovens inseridos em movimentos sociais, que busca contribuir para que os direitos humanos ganhem sentido no cotidiano de meninos e meninas. A rede realiza oficinas, chats online e publica uma revista eletrônica, com conteúdos produzidos por adolescentes e jovens.

A equipe do Desabafo Social agradece a você por fazer parte e acreditar nesta rede!

 

 

prmeio

 

 

Rede de Participação Juvenil da ABMP

abbbb

CARTA DA REDE DE PARTICIPAÇÃO JUVENIL DA ABMP

Nós, adolescentes e jovens representantes da Rede de Participação Juvenil da ABMP, reunidos entre os dias 25 e 28 de março, em Foz do Iguaçu (PR), durante o XXV Congresso da ABMP, no exercício do direito à participação, preconizado pela Convenção dos Direitos da Criança e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, apresentamos a seguir nossas considerações e recomendações sobre as Diretrizes da Justiça Adaptada às Crianças e Adolescentes; a Carta de Constituição de Estratégias em Defesa da Proteção Integral dos Direitos de Crianças e Adolescentes; o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE).

Considerando:
a) Que a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, bem como o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto da Juventude, garantem a participação de crianças, adolescentes e jovens enquanto um Direito Humano, a ser cumprido por todas as nações signatárias;

b) Que as Diretrizes da Justiça Adaptada à Criança e ao Adolescente do Conselho de Europa e do MERCOSUL reforçam a idéia de aplicação do Sistema de Justiça de acordo com as necessidades do segmento infanto-juvenil e, para tanto, os adolescentes são protagonistas e podem apresentar o que vivenciam no dia a dia;

c) Considerando que na Carta de Constituição de Estratégias em Defesa da Proteção Integral dos Direitos da Criança e do Adolescente está clara a necessidade de atuação conjunta das políticas públicas na promoção dos direitos infanto-juvenis;

d) Considerando que o direito à participação infanto-juvenil está previstio nos Planos Nacionais de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – Sinase;

e) Considerando a necessidade de fortalecer a Rede de Participação Juvenil da ABMP enquanto espaço pioneiro de debate, proposição e avaliação do Sistema de Justiça da Infância e Juventude a partir dos próprios adolescentes e jovens;

Recomendamos:
Promover a escuta dos adolescentes e jovens nos processos de elaboração, implementação e avaliação de planos e programas voltados a este segmento, em especial o Plano Decenal dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Projeto Político Pedagógico do SINASE;

Fomentar a participação crianças, adolescentes e jovens nos espaços de formulação e monitoramento das políticas públicas da infância e adolescência, em especial dos Conselhos Estaduais DCA, articulando a garantia de participação juvenil nesses espaços, devidamente, registradas em seus regimentos;

Promover as adaptações necessárias à participação de crianças e adolescentes no Sistema de Justiça, garantindo:
a) A existência de equipes multidisciplinares, com psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e outros profissionais, que possam atender as crianças e os adolescentes de forma adequada, levando em conta sua condição peculiar de desenvolvimento;

b) A sensibilização e capacitação de todos os atores do Sistema de Justiça da Infância e Adolescência, para a promoção da participação juvenil nos processos judiciais onde crianças e adolescentes figurem como testemunhas, vítimas ou autores;

c) O uso de linguagem amigável, na qual se decodifique os termos jurídicos num vocabulário de fácil entendimento para a criança e para o adolescente;

d) A opção preferencial pela realização de depoimentos com redução de danos;

Garantir a participação de adolescentes e jovens nos espaços/processos de discussões das ações de enfrentamento do abuso e exploração sexual, em especial, no contexto dos mega eventos esportivos que acontecerão nos próximos anos. Para tanto, propomos:
a) Produção de material informativo, voltado para o público infantojuvenil que possa subsidiar ações de formações/sensibilização deste público;
b) Articular ações de educação entre pares, onde um adolescente possa sensibilizar o outro sobre os mecanismos/serviços de proteção e denúncia de violência sexual, como o Disque 100 e/ou Conselhos Tutelares;
c) Fortalecer, ampliar e facilitar a participação dos adolescentes nos espaços (fóruns, comitês, comissões, etc.) que discutam e promovam ações de enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes, considerando as necessidades específicas desse público;
d) Capacitar os atores do Sistema de Garantia de Direitos e da Justiça da Infância para atuarem no enfrentamento de casos de violência sexual ocorridas no âmbito da internet e na formação dos adolescentes para que usem a internet com segurança;
e) Realizar ações articuladas de mobilização e sensibilização, em 18 de maio, dia nacional de luta contra o abuso e a exploração sexual contra crianças e adolescentes;
f) Mapear ativos de comunicação comunitária que possam contribuir para a difusão de conteúdos de comunicação sobre o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes, produzidos por e para adolescentes e jovens.

Desenvolver estratégias nacionais para a garantia do direito a participação de crianças e adolescentes, preconizados na Convenção Internacional dos Direitos da Infância e no Estatuto da Criança e do Adolescente, de modo que eles possam contribuir com as demais estratégias da Carta de Constituição de Estratégias em Defesa da Proteção Integral dos Direitos de Crianças e Adolescentes;

Garantir a participação de crianças e adolescentes no Comitê Interinstitucional Permanente, levando em conta critério de diversidade regional, racial, de sexo e gênero, e outras;

Promover maior integração entre Defensoria, Promotoria e Magistratura para a articulação necessária na promoção dos direitos de crianças e adolescentes;

Dedicar esforços no sentido de impedir qualquer retrocesso nas legislações especiais, principalmente, no que se refere a redução da maioridade penal. Entendemos que isso passa pela necessidade de um posicionamento público da ABMP em relação ao tema, bem como, pela articulação junto a legisladores, veículos de comunicação e outros segmentos sociais para desconstruir os argumentos do senso-comum que criminalizam o adolescente e jovem e afirmam a redução como saída para os problemas de violência no país;

Difundir mais informações sobre o Sistema de Atendimento Socioeducativo – SINASE, para que a sociedade em geral, e especialmente, adolescentes em cumprimento de medidas e seus familiares conheçam plenamente seus direitos;

Incluir na grade curricular das escolas de cumprimento de medida socioeducativas de privação de liberdade atividades pedagógicas sobre o ECA e o SINASE, trabalhando transversalmente o tema em diferentes matérias como português, matemática, geografia, etc.;

Garantir a efetivação da Diretriz que trata sobre a participação crítica dos adolescentes na construção, monitoramento e avaliação das ações socioeducativas.

“Participação infanto-juvenil no Sistema de Justiça é a garantia da consolidação da cidadania”.
Foz do Iguaçu, 28 de março de 2014.
Rede de Participação Juvenil da ABMP
Ana Karoline (CE), Carlos Jr (SP), José Wilson (GO), Marina Rocha (RS), Monique Evelle (BA), , Luiza Bahia (BA), Lucas Alves (CE).

Imagem

XXV Congresso Nacional da ABMP

XXV Congresso Nacional da ABMP

Jovens de diferentes regiões brasileiras, irão participar do II Encontro de Adolescentes e Jovens- Participação e protagonismo juvenil no Sistema de Justiça da Infância e Juventude e no Sistema de Garantia de Direitos, durant o XXV Congresso Nacional da ABMP.

25 a 28 de março de 2014

PROGRAMAÇÃO:

Participação das exposições com o objetivo de levantar subsídios à construção do documento final.

Análise e discussão dos seguintes documentos:

a) Diretrizes de Justiça Adaptada à Criança e ao Adolescente do Conselho de Europa e do MERCOSUL
b) Carta de Constituição de Estratégias em Defesa da Proteção Integral dos Direitos da Criança e do Adolescente
c) Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual de Crianças e Adolescentes
d) Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – SINASE

Reflexão sobre a atuação do Grupo de Adolescentes e Jovens com sugestões para o planejamento das ações 2014

Diálogo com os adolescentes e jovens.

Igualdade Racial

Imagem

O Governo do Estado de Pernambuco realizou várias atividades de enfrentamento ao racismo institucional, levando em conta as Celebrações do Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial, instituída pela ONU. A ação foi realizada pela CEPIR e COEPIR- Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Pernambuco, MNU- Movimento Negro Unificado de Pernambuco e teve parceria institucional com a Prefeitura da Cidade do Recife e a Universidade Católica de Pernambuco NUAMPO-NEABI.

 Atividades como roda de diálogo que tiveram temas relacionados ao racismo em sua forma inicial e nos dias atuais.

pee

Entre vários palestrantes, estava o Prof. Mário Theodoro, que contextualizou a questão racial no Brasil. O professor Mário Theodoro colocou o racismo como principal fator da desigualdade social em nosso país. Disse que o primeiro passo para enfrentar o racismo, seria conhece-lo.

Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial

Sem Título3
Para lembrarmos o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, o Desabafo Social convida todos vocês para uma roda de conversa sobre essa temática.

O Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial foi instituído no dia 21 de março, pela Organização das Nações Unidas (ONU), em memória do Massacre de Shaperville que ocorreu em de 1960. O massacre aconteceu após uma manifestação contra a lei que obrigava os negros da capital da África do Sul a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.

Cotas Raciais, Racismo, Redução da Maioridade Penal, Educação, Juventude, Comunicação e muito mais estarão Na Roda com o Desabafo Social. Participe!

Data: 22 de março
Horário: 10h
Local: Rua Doutor Edgar de Barros, 252, Nordeste de Amaralina (Em frente à Escola Casa Belém.)

Defensoria Pública de SP promove atividades de orientação jurídica e debate o tema da violência obstétrica

Defensoria Pública de SP promove atividades de orientação jurídica e debate o tema da violência obstétrica

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, a Defensoria Pública de SP realiza durante o mês de março atividades de orientação jurídica à população, bem como de educação em direitos para debater o assunto da violência obstétrica. A iniciativa é do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria.

 

A violência obstétrica caracteriza-se pela apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres por profissionais de saúde, através de tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização dos processos naturais, causando a perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos na sexualidade, impactando negativamente na qualidade de vida das mulheres. A violência obstétrica pode ocorrer durante a gestação, durante o parto ou no momento pós-parto.

A Defensora Pública Ana Paula Meirelles, coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, aponta que o tema deste ano tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre essa temática. “A violência obstétrica ainda é muito pouca tratada e discutida pela sociedade. Por vezes, muitas mulheres desconhecem que são vítimas destas situações. Nosso maior objetivo é informar as mulheres sobre quais são seus direitos antes, durante e após o parto. É importante que a mulher entenda se sofreu alguma violência, que denuncie o abuso e busque seus direitos.”

 

O tema da violência obstétrica foi escolhido após manifestação de entidades da sociedade civil no IV Ciclo de Conferências da Defensoria Pública, que solicitavam ampla sensibilização sobre o assunto.

 

Atividades na Capital

Na próxima segunda-feira (10/3), entre 8h e 12h, 15 Defensores Públicos estarão na Estação Clínicas do metrô (Linha 2 Verde) para oferecer orientações sobre o assunto da violência obstétrica e distribuir material informativo sobre o tema.

O evento é organizado pelo Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e a Ong Artemis.

Clique aqui para acessar o material informativo.

Além desse evento, haverá também, durante as sextas-feiras do mês de março, no atendimento inicial da Defensoria Pública (Av. Liberdade, 32 – Centro) oficinas sobre direitos da mulher na assistência ao parto, com apoio de profissionais da área.

Atividades no Interior

A Defensoria Pública, através de seus Centros de Atendimento Multidisciplinar (CAMs), também realiza diversas atividades em comemoração ao Dia da Mulher em todo o Estado. Confira as atividades abaixo:

Sorocaba: Evento em parceria com o Movimento Parto de Gente.

Jaú: Atividades em parceira com uma escola Estadual, que no dia 08 de março fará várias atividades para as mulheres.

Presidente Prudente: Atividade: intervenção sobre autoestima e cuidados; Instituto Embeleze irá realizar um dia de beleza na Defensoria; os Defensores irão trabalhar os temas específicos do direito”, em 07 de março, na triagem.

Praia Grande: Evento no Ambulatório de Especialidades Médicas (AME) da cidade, onde as mulheres fazem o pré-natal, abordando os aspectos psicológicos e jurídicos do tema.

Comemoramos o Dia Internacional da Mulher dando pauladas nas nossas mães

Dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher, mais uma data que deve ser lembrada para as pessoas refletirem sobre as violências contra as mulheres e a luta pelos direitos iguais. Não sou muito fã de escrever coisas que outros blogs escrevem, mas sinto que precisamos lembrar-nos do quanto à mulher sofre no Brasil.

Sendo sincero, o que me motivou a escrever este texto foi um comentário feito por um internauta após um artigo que fala sobre a morte de uma criança espancada pelo pai por ter um “comportamento afeminado”: “Se essa criança gostava de lavar louças e de dançar a dança do ventre é por culpa da mãe, uma mulher irresponsável que não a levava para escola e, com certeza, a colocava para lavar louças e ficar vendo ela ou alguém de casa dançando esse tipo de música, Nenhuma criança nasce gostando de lavar louças e nem de dança do ventre ou qualquer uma outra. Ela, a mãe, foi tão irresponsável e culpada pelo seu assassinato pelo fato de ter mandado o menino pra casa do pai, traficante e sem vínculo nenhum com o garoto.”. Claro, a culpa é da mãe.

Mesmo depois de quase um século celebrando esta data, nos deparamos com comentários como estes, o problema maior é que este cidadão não está sozinho. Estamos deixando de discutir os problemas que as mulheres enfrentam numa sociedade machista para falar sobre seus “benefícios” como “Ah, mas ela se aposenta mais cedo” e “A mulher tem uma delegacia só para ela”.

Se for mulher é uma vantagem, por que 50 mil mulheres sofrem violações sexuais (estupro) por ano no Brasil (Ministério da Justiça, 2013)?  Por que o Brasil é o sétimo país mais violento contra as mulheres (Organização Mundial da Saúde, 2012)? Talvez, precisaremos de mais um século para deixarmos a ideia de que mulher  só aprende apanhando bastante.

Lucas Antonio

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Hábitos de Navegação na Internet

cats

A internet enquanto meio de comunicação mais ágil e prático existente, oferece ao usuário inúmeras vantagens, sobretudo no que diz respeito ao processo de produção da informação. Em relação aos meios tradicionais, como a TV e o rádio, a internet dá ao público o que esses meios de comunicação de massa não conseguiram: participação efetiva na produção, onde todos podem ser produtores e emissores de informação, e não apenas consumidores e receptores passivos .Em contraponto, a internet tem também diversas desvantagens, haja vista que proporciona um amplo campo de divulgação e  disseminação de conteúdo sem controle,originando desta forma várias situações indesejáveis,como o surgimento de cyberbullying,pornografia, dificuldade de fiscalizar os direitos autorais e intensa exposição.

A partir disso, foi proposta pela ONG SaferNet Brasil duas pesquisas, uma em 2008 e outra em 2013, sobre Hábitos de Navegação na Internet. Segundo a pesquisa realizada em 2013 com 2.834 internautas de 9 a 23 anos, 21% de 15 a 17 anos acessam a internet 2 a 3 vezes por semana e os outros 62% de 18 a 23 anos acessam a internet todos os dias, sendo que ao todo 80% curtem redes sociais.  E de acordo com a pesquisa realizada em 2008 com 2525 alunos de escolas públicas e particulares do Rio de Janeiro, 28,45% usam a internet de uma a duas horas e 43,77% mais de três horas. Seguindo essa estatística, se torna claro que o jovem tem estado muito mais exposto ao público, porém, o cuidado com sua privacidade de informações íntimas é incompatível com a quantidade do que expõe.

Mais uma vez os números afirmam na pesquisa de 2013 que 26% dos jovens não se importam com as configurações de privacidade e 19% não sabem como configurar, contudo, mesmo correndo riscos, 60% do que é compartilhado são fotos pessoais, 35% nome e sobrenome, 28% nome da escola. Na pesquisa de 2008, 30% dos adolescentes publicam seus nomes e sobrenomes, 10% nome da escola e 46% fotos pessoais, ou seja, houve um aumento na exposição das informações pessoais de 2008 a 2013, o que torna esses jovens mais expostos a ponto de ficarem vulneráveis a diversas situações indesejadas como cyberbulling, sextings e variados crimes decorrentes do uso incorreto da internet.

É devido a essa exposição inadequada e pela facilidade de manter relações virtuais que na pesquisa de 2013, 58% dos meninos tem mais de 10 amigos virtuais e 68% das meninas já conheceram um amigo pela internet, ainda que esses amigos não sejam necessariamente  conhecidos físicos. Já na pesquisa de 2008, 61% tem amigos virtuais e 41% desses tem mais de 10 amigos virtuais. Não deixando de lado que além de fazer amigos virtuais, esses jovens também utilizam a internet para namorar como aponta os dados da pesquisa de 2013, a qual mostra que 35% dos meninos e 18% das meninas usam a rede para esse fim, como também na pesquisa de 2008, 22% já namoraram pela internet, desses 45% mais de uma vez. O que de certa forma facilita a ocorrência de sextings. O sexting – palavra originada da união de duas palavras em inglês: sex (sexo) + texting (envio de mensagens), ocorre quando se tira e compartilha fotos sensuais de teor erótico – vem se tornando uma moda no universo cybernético, como aponta a pesquisa de 2013, na qual 42% receberam mais de cinco vezes imagens sensuais ou eróticas e 63% enviaram mais de cinco vezes mensagens desse tipo. Como também na pesquisa de 2008, em que 12,1% admitem já ter publicado fotos íntimas na internet e 31,05% já encontrou ou recebeu conteúdo pornográfico.

Além do sexting, o cyberbullying também tem se tornado o segundo maior receio para 49% dos internautas segundo pesquisa de 2013, sendo que 12% afirmam que já foram vítimas dessa agressão e 35% tem um amigo que já sofreu cyberbullying ao menos uma vez como também 36% disseram o mesmo na pesquisa de 2008. De  acordo com os artigos 17 e 18 do ECA: “O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais” e “É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”.

Segundo pesquisa realizada, em 2008, pelo Laboratório de Estudos em Ética nos Meios Eletrônicos (Leeme) da Universidade Mackenzie, com 2.039 jovens entre 11 e 18 anos, de escolas públicas e particulares, os jovens não estão preparados para lidar com o grau de abertura proporcionado pela internet. De acordo com o estudo, coordenado pela professora Solange Barros, os adolescentes estão suscetíveis a problemas como exposição à pornografia, divulgação indevida de imagem e dados pessoais, boatos, pedofilia e incitação à violência. “Quarenta e cinco por cento dos entrevistados já tiveram medo em algum tipo de acesso que fizeram na rede.” (http://acritica.uol.com.br/vida/Comportamento-Pais_e_Filhos_0_356364435.html)

Adjunto ao sentimento de insegurança alguns jovens se conservam negligentes aos meios de prevenção dos perigos da internet, de modo que 31% e 52% (entre os de nove anos) não buscam informações de prudência de acordo com pesquisa de 2013.

Embora, 38% deles acreditarem que a escola é o responsável pelo ensino sobre o uso seguro da internet, o papel dos pais é o mais importante na busca da prevenção, já que 46% dos filhos não tem acompanhamento dos pais – pesquisa 2013 – e 67% dos que já foram humilhados pela internet não possuem limite de uso estabelecido pelos pais – pesquisa 2009.  A ausência desses pais como transmissores centrais da educação do uso da internet, talvez seja um essencial fator para a ocorrência de crimes contra crianças e adolescente na internet.

Diante dessa comparação entre os dados da pesquisa de 2008 e de 2013 sobre os Hábitos de Navegação da Internet e, considerando que o artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz que “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”; considerando que o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH, 2007) e o Programa Ética e Cidadania criados pelo Ministério da Educação (MEC) e pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SDH) oferecem oportunidade de discussão sobre o uso ético e seguro da internet como política pública; considerando  que o eixo Educação e Mídia do PNEDH orienta a incorporação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no trabalho pedagógico dos educadores brasileiros e; considerando que a  Lei 11.525 , de 25 de setembro de 2007, a qual altera o artigo 32 da lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996 diz que “O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente, observada a produção e distribuição de material didático adequado”, o Conselho Estadual de Jovens da ABMP- Bahia, sugere que:

  1. O Ministério da Educação e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, com o apoio da sociedade civil e de outras organizações, construam materiais educativos para o uso e também para prevenção de perigos na internet. Contudo, também se faz necessária a efetivação das leis e Planos Nacionais citados para possibilitar a aplicação do material sugerido acima. Esses materiais educativos devem ser implantados no sistema educacional de maneira gradativa, o que facilitaria a absorção do conteúdo.
  1. As escolas da rede pública e privada, realizem ações  para educação digital nas unidades escolares;
  2. As escolas da rede pública e privada, realizem encontros regulares entre estudantes, pais e educadores para discussão  sobre perigos on-line, alertando para os cuidados ao publicar informações pessoais na internet;
  3. O poder público, a sociedade civil e outras organizações, incentivem crianças, adolescentes e jovens a promoverem ações voltadas aos direitos humanos na internet.
  4. As escolas da rede pública e privada, realizem estudos de casos sobre violações de direitos na web, para que os adolescentes e jovens sugiram ações de prevenção;
  5. As escolas da rede pública e privada, realizem ações voltadas para o uso das redes sociais como possibilidades pedagógicas;
  6. As escolas da rede pública e privada, organizações não governamentais e outras instituições, realizem atividades de conscientização acerca da linha tênue entre o mundo real e o espaço digital;
  7. As escolas da rede pública e privada, a sociedade civil e outras organizações, realizem discussões sobre os princípios fundamentais do Marco Civil da Internet ( Privacidade, Neutralidade da Rede e Ordem Judicial.)
  8. As escolas da rede pública e privada, a sociedade civil e outras organizações , realizem atividades educomunicativas pautando questões relacionadas com o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto da Juventude;

Camila Andrade Cidreira

Conselho Estadual dos Jovens da ABMP – BAHIA

Luiza Bahia Marques

Conselho Estadual dos Jovens da ABMP – BAHIA

Rafael Menezes Barreto Silva

Conselho Estadual dos Jovens da ABMP – BAHIA

Monique Evelle Nascimento Costa

Conselho Estadual dos Jovens da ABMP – BAHIA

A verdadeira polêmica.

A última década vem sendo bombardeada por assuntos considerados bem polêmicos. Desde a pena de morte, maioridade penal juvenil, cura gay e o mais recente, o beijo homossexual exibido na televisão aberta. A cena apresentada pela Rede Globo no último dia 31 de janeiro, no horário nobre, causou um espanto para muitos telespectadores, principalmente para os mais conservadores. As redes sociais e demais mídias não falaram de outra coisa, que não fosse a repercussão da cena na sociedade. Condenada por muitos, a emissora do Plin Plin foi alvo de críticas pesadas pela ousadia de ter exibido pela primeira vez em rede nacional, as bitocas dos atores Thiago Fragoso e Mateus Solano.

Entre os principais críticos, se encontram os fanáticos religiosos. Pessoas que usam da religião, da bíblia e do nome de Deus para estar acima das outras, ou pelo menos, pensam que estão.  Sou obrigado a concordar que a Globo no que diz respeito ao seu conteúdo, tem acabado com os valores que deveriam ser disseminados na sociedade e tem apresentado lixo ao invés de fazer jus ao seu nome. Mas… Maaaas, isso não se encaixa quando falamos do beijo gay. Que se trata mais de preconceito e hipocrisia por parte dos que não gostaram.

A homossexualidade é um fato desde os tempos mais remotos do planeta e não há nada que alguém possa fazer para mudar isso, muito menos, sei lá, tentar exorcizar alguém. A diferença é que hoje nós temos um mundo mais aberto a aceitação (em partes) e algumas pessoas têm evoluindo no jeito de pensar, ao contrário de muitos que estão empacados no século passado (nada é perfeito, não é?). E outra, o fato de uma criança assistir a cena, não incentivará ele a sair beijando os coleguinhas. Muito pior são as cenas de traição, roubo, assassinato, promiscuidade e demais inversão de valores, isso sim é um belo incentivo, ainda mais quando quase sempre, aqui no Brasil, o vilão sai ileso… Um abraço pro Genuíno!!!

Enfim, é total hipocrisia achar que uma cena, uma interpretação de um personagem possa denegrir a imagem da família brasileira, quando praticamente não existem famílias como antes. Quando pai e mãe vivem brigando, quando casamentos não duram, quando traição é algo normal, afinal, temos que curtir “o hoje…” Além de tudo, é a nossa realidade. Se você sai num domingo à noite em BH, a quantidade de homossexuais chega a espantar, não um espanto ruim, mas algo que foge do que estamos acostumados. E por isso você vai parar de sair com o seu filho? Vai dizer que isso é errado, quando um beijo gay é algo super normal?

O seu preconceito, a sua hipocrisia e a sua ignorância, não irá mudar realidade alguma, mas basta um pensamento diferente e você verá as coisas de outra forma.

Igo Bolleli

O responsável pelo conteúdo é o autor.

Mandela deve estar se revirando no túmulo.

pec

É surreal vê que retrocedemos a ponto de voltarmos ao tempo em que negro era posto no tronco e açoitado. Pior é ver que muitas pessoas apoiam tal atitude, e ainda meios de comunicação que tem um poder de influência enorme incentivam para que essa cena absurda se repita.

De tantos  “bandidinhos” nesse país como ; políticos, juristas,playboy, etc,por que somente esse adolescente foi parar no tronco? Talvez (tenho certeza) porque é negro,pobre,morador de rua,porque a sociedade o vê como um problema que deve e merece ser exterminado.

Para os que concordam com tais absurdos, quero lhes lembrar que o caráter e a personalidade são frutos de uma construção junto a sociedade. Esse garoto há 15 anos, queridos, era apenas uma criança, um bebê, sua mente e personalidade era como um vazo de argila, que com o passar dos anos seria moldada. O grande problema estar nos primeiros moldes. Seu pai, talvez não fosse o ideal e não foi, afinal morreu no tráfico. Talvez seu vizinho fosse mais simpático. Não , pois esse é o  traficante, que dá bom dia,  gosta de crianças, e demonstra seu amor distribuindo pipas para elas (outro também  fruto do processo ).Ah, mas ainda temos a escola, um lugar  saudável,seguro e de aprendizagem, onde se aprende os alunos dos melhores valores da vida. Sabemos que não. Hoje a mãe que protege seu filho do traficante que faz papel de papai noel, fica sem saída no momento que leva seu filho a escola, pois já tem outros bons velhinhos dentro da escola , outros já prontos para lhe ensinar como viver na selva. Mas ai queridos, vem a melhor parte: todos nós ou pelo menos 99,9% assistimos tudo isso passivamente, pior,fingimos não ver , e quando esses jovens passam a nos  incomodar, passamos a enxergá-los, e a chamá-los de “bandidinhos”. (esse um processo grande, nada simples).

Ouvi alguém dizer a seguinte frase : ” e aos defensores dos direitos humanos que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha, faça um favor ao Brasil, adote um bandido “. Por que esperar todo esse processo que citei para adotá-lo? Por que não romper o processo antes que se tenha o produto final? Porque é mais cômodo estar na bancada de um telejornal no ar-condicionado,com paparicos como se fosse criança. É mais cômodo estar no sofá de casa assistindo o tal telejornal. Todos nós contribuímos para a construção de jovens com valores distorcidos e que acabam se tornando mais um fantoche da grande empresa chamada violência. Fazemos como alguns policiais corruptos que falam: Vamos esperar crescer pra matar. E nós esperamos crescer para condená-los.

São só ex-crianças que não tiveram seus direitos garantidos, que não tiveram o necessário pra se manter fora da  empresa Violência.

Depois dos últimos acontecidos, Mandela deve estar se revirando no túmulo.

Luanderson Ponciano

O responsável pelo conteúdo é o autor.